Quarto dia da Mostra competitiva de longas: “Mulher à Tarde” e “Desassossego”

Mulher à Tarde

O quarto dia da competição de longas-metragens do CEN 2011 contou com a exibição de “Mulher à Tarde“. O filme ganhou menção honrosa do júri jovem na 13ª Mostra de Tiradentes, foi eleito melhor Longa-metragem 2010 prêmio SESC/SATED e recentemente levou o Troféu Filme Livre na Mostra do Filme Livre 2011, no Rio de Janeiro.

Durante o debate posterior à exibição do filme, o diretor Affonso Uchoa e a produtora Aline X fizeram comentários acerca da influência da pintura e da pictorialidade no filme e da importância de aspectos como a locação e do trabalho das atrizes. De fato, a composição dos planos é um dos princípios norteadores do filme, ou melhor, o fato de pensar o cinema e a pintura juntos.

Segundo Affonso Uchoa, “Mulher à Tarde” é um filme que privilegia uma banalidade na dramatrugia, um vazio dramático que busca explorar a imobilidade e o desajuste do corpo, detido pelo tempo. Usando as palavras do próprio diretor: os tempos mortos e as ações cotidianas. Para Uchoa “o cinema, como arte centrada na imagem, tem algum caráter que se deve à pintura, uma questão central no pensamento ocidental”.

Affonso Uchoa, Morgana Rissinger e Aline X. Foto de Betânia Dutra.

O diretor afirma que um dos objetivos que tinha em mente era “pensar em compor cenas que conduzissem a situações próximas da pintura, de certa forma um desdobramento da imagem audiovisual em questões que desenvolvessem a pictorialidade”. Alguns dos elementos colocados em cena tentam compor a narrativa, com um toque de displicência em relação ao espectador, e vão se multiplicando, tomando forma no decorrer do filme.

O trabalho das atrizes tem um papel fundamental na obra, numa relação do corpo com o espaço e com a câmera, um tempo da observação tanto no movimento quanto na construção imagética. Isto acabou “colocando em suspensão o roteiro para que as atuações pudessem compor os personagens através de detalhes e dinâmicas”, comenta Affonso Uchoa, que acrescenta que “as atrizes contribuíram muito porque conseguiram se encaixar no projeto, na criação das cenas, nos movimentos e nas falas”.

Desassossego

“Desassossego – O Filme das Maravilhas” foi o segundo longa-metragem exibido na sessão competitiva da quarta-feira. O filme foi exibido na II Semana dos Realizadores, no Rio de Janeiro, na Janela Internacional de Cinema do Recife 2010 (em versão de média-metragem) e no 40º Festival de Rotterdam, na sessão Bright Future.

Com direção coletiva de 14 cineastas e idealização, argumento, montagem e coordenação de Felipe Bragança e Marina Meliande, “Desassossego” reúne dez curtas-metragens que foram produzidos pelos cineastas convidados a partir de uma carta de seis páginas enviada a eles por Felipe Bragança.

A resposta à carta seriam os filmes-fragmentos, e assim Karim Ainouz; Helvecio Marins Jr e Clarissa Campolina; Carolina Durão e Andrea Capella; Caetano Gotardo; Raphael Mesquita e Leonardo Levis; Ivo Lopes Araújo; Gustavo Bragança; Marco Dutra e Juliana Rojas, além do próprio Felipe Bragança, produziram os curtas que juntos compõem o longa de 63 minutos. Na entrevista ao blog do CEN, Felipe Bragança disse que o filme reflete o “encontro dos cineastas em torno de um desejo comum de sonhar com filmes impossíveis e que fossem além dos tipos de imagens que cada um dos realizadores já havia tentado criar”.

Marina Meliande, presente no debate sobre o filme no CEN, explicou que “Desassossego” não é um filme de episódios, apesar de ter muitas texturas e narrativas diferentes. “Todos os filmes dialogam com a carta escrita que foi o ponto de partida, e o longa-metragem tem uma unidade mesmo dialogando com vários gêneros cinematográficos e estéticas diferentes”, explica a realizadora.

No vídeo abaixo, gravado durante o CineEsquemaNovo, Marina Meliande fala sobre algumas impressões que os filmes-fragmentos realizados pelos 14 cineastas provocaram nela, uma das idealizadoras e coordenadoras do projeto:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=5Ay57sL2xO4]

Jamer G. Mello e Gabriela R. Almeida

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