Bruno Vianna ministra o quarto seminário do CEN 2011

O quarto integrante do júri a ministrar seminário no CEN 2011 foi Bruno Vianna, velho conhecido do festival e que foi o grande vencedor da edição de 2009 do CEN com o filme “Ressaca” e sua proposta de montagem-performance ao vivo durante a exibição. Bruno Vianna ganhou prêmios no Brasil e no exterior e já realizou cinco curtas e dois longas-metragens, “Cafuné” (2006) e “Ressaca” . Seu seminário, intitulado  “O fim do cinema”, abordou os limites e a extensão do cinema, o que vem muito de sua preocupação com novas formas de se pensar a produção, manipulação e circulação dos produtos audiovisuais na contemporaneidade.

Bruno, no início da palestra, esclareceu que o título não se trata de uma previsão catastrófica, mas que reflete a preocupação em abordar as modificações e os limites do cinema, explorados por novas formas de se pensar o audiovisual.  Deixou claro que pretendia abordar as fronteiras do cinema, que hoje podem ser pensadas com relação às artes visuais, à performance, à música, à instalação. As novas manifestações, ressalta Bruno, que fogem ao ritual e a certa passividade do cinema tradicional não implicam necessariamente em partilhar uma sala escura, em que todos devem só assistir ao filme.

Esta necessidade de uma coletividade para a projeção audiovisual é quebrada com a instalação de videoarte, por exemplo. Para uma instalação se manter não precisa necessariamente de um grupo de pessoas, ou mesmo de pessoas. São essas diferentes formas de intervenção e relação com o audiovisual que Bruno ressaltou e apresentou por meio de uma abordagem histórica.

Durante a palestra, Bruno exibiu também um trecho do filme da cineasta francesa Chantal Akerman, que é tema do documentário “Chantal Akerman, de Cá“, exibido nesta quinta-feira, dia 28, na mostra competitiva de longas-metragens do CEN 2011. Além disso, trouxe imagens de instalações de artistas como Hélio Oiticica.

Impressões sobre o CEN 2011

Para Bruno, o CEN é um respiro dentro do cenário do cinema brasileiro que investe tanto no cinema comercial, voltado para o lucro, e tão pouco na experimentação. É interessante então que filmes possam ter essa coragem de arriscar e que sejam vistos por mais gente.

Dentro deste cenário, Bruno destaca a expansão do festival e a quantidade de filmes em competição: “gostaria de acompanhar os curtas, mas não estou conseguindo em razão da quantidade”. O legal, segundo ele, é que mais pessoas tenham a oportunidade de mostrar seus filmes e que mais gente venha ver.

Com relação ao tema do CEN 2011, o diálogo entre o cinema e as artes visuais, Bruno disse ser uma tendência, pois o ritual do cinema tradicional vem sendo quebrado pelos próprios realizadores audiovisuais. A ideia de coletivo, de uma produção de coletiva vem muito do teatro e da performance, e que o cinema, nesse contexto, incorpora procedimentos e linguagens das artes plásticas, por exemplo.

Bruno Maya

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