Carlosmagno Rodrigues participa do segundo seminário com artistas convidados do CEN-E

CarlosmagnoO cineasta mineiro Carlosmagno Rodrigues participou no sábado, dia 22, do segundo seminário com artistas convidados do CEN-E. O artista conversou com o público sobre questões relevantes acerca de sua obra após uma das sessões de exibição de seus curtas-metragens.

Carlosmagno iniciou a conversa comentando alguns aspectos que tangenciam seus filmes, como os links que ele acaba fazendo entre diferentes imagens que compõem seu imenso acervo pessoal, a onipresença de seu filho Bruno em suas obras e a autoexposição em tempos de proliferação do compartilhamento de imagens em movimento via internet.

O cineasta falou sobre a sua necessidade de criação de narrativas audiovisuais a partir de um acervo pessoal de imagens em movimento que vem criando há mais de 10 anos, com  cenas de seu cotidiano, desde situações comuns em torno de seus filhos até circunstâncias um tanto delicadas de sua intimidade com amigos, esposa e familiares. Carlosmagno contou ao público que trata-se de uma intenção artística e política que ele vem tentando desenvolver através de sua obra cinematográfica que, apesar de narcisista, pode vir a ser dimensionada de forma social e institucional.

Sua preocupação passa por criar uma obra que seja crível, ou seja, que trata de um conteúdo em que se possa acreditar, e não uma obra incrível, que estaria numa dimensão daquilo que não se pode crer. O artista aproveitou também para falar que seus filmes não se encaixam em editais para captação de recursos pelas leis de incentivo, e que apenas dois de seus filmes foram feitos a partir de editais. Para o artista, a ação estatal de incentivo ao audiovisual possui muitos acertos e muitos erros, variando de acordo com a gestão de entusiastas e empreendedores da produção cultural.

CarlosmagnoCarlosmagno ressaltou também a dificuldade de trabalhar com um material tão íntimo e pessoal. Afirmou a importância de praticar um distanciamento temporal de seu acervo, para enfim conseguir perceber quais imagens têm algum valor para além da intimidade e quais são apenas importantes para ele e sua família. Em suma, ele se preocupa em transformar sua intimidade em algo que possa se traduzir de forma universal a outras pessoas.

Questionado pelo público sobre sua câmera se transformar em uma arma, o cineasta afirmou que essa é uma intenção bastante clara em seus filmes. Com o mesmo valor de uma AK-47 se compra uma câmera e, para ele, pode-se sair por aí desferindo tiros certeiros com ela. O cineasta citou também que Godard já fazia essa analogia entre câmera e arma.

Um dos pontos levantados pelo público foi de sua relação com o filho, que participa de grande parte de seus filmes. Carlosmagno diz que jamais tentou se aproveitar de Bruno para fazer filmes, que sempre o considerou como um parceiro de realização audiovisual e que atualmente Bruno, com 17 anos, está um pouco afastado do cinema, se dedicando à literatura e à filosofia.

Quem não assistiu aos filmes nas duas sessões do dia 22 terá outra oportunidade de ver alguns deles: os curtas do programa #2 do cineasta serão exibidos novamente no CEN-E na terça-feira, dia 25/06, às 15h, no Santander Cultural. Veja na programação do festival.

Consulte aqui informações detalhadas sobre as obras de Carlosmagno Rodrigues que estão sendo exibidas no CEN-E.

Texto por Gabriela Ramos de Almeida e Jamer G. Mello

Fotos por Roberto Vinicius

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