CineEsquemaNovo 2011 oferece ciclo de seminários gratuitos e seleciona integrantes da Oficina de Crítica


  • Palestras com integrantes do júri das mostras competitivas vão refletir sobre diversas áreas do pensamento cinematográfico e das artes visuais. Vagas estão divididas por cotas restritas para estudantes, professores e público em geral

  • Participantes da Oficina de Crítica entregam um dos prêmios de melhor longa-metragem do ano, e devem enviar textos para seleção até o próximo dia 17

O CineEsquemaNovo 2011 – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) está com inscrições abertas para o ciclo de seminários que acontece ao longo da semana da sua realização, de 23 a 30 de abril. Já a Oficina de Crítica Cinematográfica, que todos os anos entrega o Prêmio da Nova Crítica de melhor longa-metragem, também já iniciou seu processo de seleção. Todas as atividades, assim como os demais programas do festival, têm entrada gratuita.

O ciclo de seminários do CEN 2011 tem início dia 25 de abril (segunda-feira) e se estende até o sábado, dia 30, sempre das 13h30 às 15h, na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro. Todos os encontros contam com cotas restritas e pré-determinadas para estudantes de cinema (45 vagas), estudantes em geral (45 vagas), professores (15 vagas) e público interessado (15 vagas), exigindo a inscrição antecipada através do e-mail eventos@cineesquemanovo.org. Será fornecido certificado de participação, para abonos acadêmicos e profissionais. É possível participar ao longo de toda a semana, se houver disponibilidade de vagas.

Os seminários do CEN 2011 são compostos por seis palestras diferentes, proferidas pelos integrantes dos júris das mostras competitivas do festival – e que, a exemplo do próprio CEN, vão refletir sobre as diversas áreas do pensamento cinematográfico e das artes visuais. António Câmara Manuel (Portugal), Bruno Vianna (RJ), Júlia Rebouças (MG), Leo Felipe (RS), Roger Lerina (RS) e William Hinestrosa (SP) são os nomes por trás de cada um dos encontros (veja a descrição das atividades a seguir).

 

OFICINA - Já a Oficina de Crítica, que pela primeira vez é feita em parceria com a Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS), acontece de 25 a 27 de abril, sempre das 9h às 12h, no Auditório 1 do Sindicato dos Bancários – Cine Bancários, no centro de Porto Alegre (R. General Câmara, 424). O encontro final da oficina, para avaliação e premiação dos longas-metragens do festival, acontece dia 30, sábado, em horário a ser definido entre os participantes, no mesmo local. Assim como nos seminários, será fornecido certificado de participação, para abonos acadêmicos e profissionais.

A Oficina será ministrada pelo programador da Sala P.F. Gastal e diretor-executivo da associação, Marcus Mello, que é também editor da revista Teorema e colaborador das revistas Aplauso e Cinética (veja o programa a seguir). Para participar da seleção, é preciso enviar duas críticas de filmes (nacionais, estrangeiros, curta ou longa) para o e-mail eventos@cineesquemanovo.org até o dia 17 de abril. Os selecionados serão divulgados no dia 20 de abril. Além disso, é fundamental assistir durante a semana do festival (23 a 30 de abril) aos 12 longas em competição no CEN este ano, que serão exibidos em diferentes dias e horários (tarde e noite) na Usina do Gasômetro, Cine Santander Cultural e Cine Bancários.

O CineEsquemaNovo 2011 – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) acontece de 23 a 30 de abril no Centro Cultural Usina do Gasômetro, Cine Bancários, Cine Santander Cultural e Atelier Subterrânea. Conta com o patrocínio da Oi e da Petrobras, e é financiado pelas leis Federal (Rouanet) e Estadual (LIC-RS) de incentivo à cultura. A co-realização é da Coordenação de Cinema, Video e Fotografia da Secretaria de Cultura – Prefeitura de Porto Alegre, com o apoio cultural da Oi Futuro e Santander Cultural, apoio do Cine Bancários e parceria do Atelier Subterrânea.

 

PROGRAMA – CICLO DE SEMINÁRIOS CEN 2011

Sala P.F. Gastal – Usina do Gasômetro (Av. Pres. João Goulart, 551)
das 13h30 às 15h

 

25/04, segunda-feira
POLÍTICA, CINEMA E RELAÇÕES HUMANAS, com William Hinestrosa (SP)

Há espaço para um cinema político? Qual o sentido/significado do termo “político”? Quando o cinema encontra a política? É necessário esse encontro? A política é um assunto com variadas nuances para discussão e análise, e o seu encontro com o cinema foi inevitável ao longo dos anos. Com o objetivo de debater elementos políticos que podem estar presentes numa narrativa cinematográfica, o seminário buscará trazer à tona reflexões sobre alguns aspectos que se estabelecem nas relações humanas sob a luz destes dois universos.

26/04, terça-feira
DIÁLOGOS POSSÍVEIS, com Julia Rebouças (MG)

A partir do acervo audiovisual de Inhotim, a curadora Júlia Rebouças apresenta uma pequena seleção de obras que serve de mote para discutir questões colocadas pela arte contemporânea em um contexto museológico – a exemplo do que acontece no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, uma referência internacional para esta produção. Fazem parte desta curadoria os filmes Word/World (2001), de Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães; 0778, da série Vídeo-Rizomas (2004) de Marcellvs L., e os vídeos Mixed Behaviour (2003), de Anri Sala e Confronto, da série Unus Mundus (2005), de Cinthia Marcelle.

27/04, quarta-feira
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE IRIT BATSRY (COM A PRESENÇA DA ARTISTA EM PORTO ALEGRE), com António Câmara Manuel (Portugal)

O responsável pelo festival Temps D´Images em Portugal e também pelo FUSO – Anual de Vídeo Arte Internacional de Lisboa, António Câmara Manuel, conheceu o trabalho de Irit Batsry enquanto diretor de produção das atividades do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Desde então, mantém uma relação próxima com esta artista que, ao longo de sua trajetória, vem lidando com elementos de diferentes gêneros como o documentário, o ensaio, o experimental e a ficção. Próxima do Brasil a partir de 1991, quando estreou no País a instalação “…of Absence of Persistence…” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Irit Batsry tem desde então filmado as rodagens de alguns filmes brasileiros, como “Madame Satã” e “O Céu de Suely”, de Karim Aïnouz, criando instalações que usam o mundo fechado das rodagens como base para uma interrogação sobre a criação de imagens, ou um ponto de partida para questionar a relação entre ficção e documentário, tecnologia e processo criativo. A obra de Irit Batsry e a sua relação com o Brasil serão o fio condutor do seminário, que contará com a presença da artista, e onde será possível saber mais sobre seu processo criativo, suas futuras obras e os work in progress que atualmente vivencia no Brasil: “Caution/Danger” e “Beach at Nightfall”.

28/04, quinta-feira
O FIM DO CINEMA, com Bruno Vianna (RJ)

Apesar do título provocativo, o seminário O Fim do Cinema não pretende discutir um futuro onde o cinema como conhecemos deixa de existir, e sim obras audiovisuais – presentes, passadas e futuras – que se situam no limiar do que consideramos cinema. Há muitas décadas, realizadores e artistas vêm explorando esse limiar, criando ambientes e obras que desafiam o formato estabelecido para o cinema – a sala escura, a tela, a poltrona, o ritual coletivo. Essas obras são vistas em museus, galerias, bienais e, às vezes, até mesmo em salas do cinema. Num momento em que todos os formatos são repensados – o curta, o documentário, a série – qual o lugar da reflexão sobre o ambiente da exibição e da interatividade com o público? Vamos fazer um percurso histórico de experiências demolidoras do cinema como conhecemos, e estimular a geração de novas obras que ocupem essa fronteira ou abram novas sendas audiovisuais e narrativas.

29/04, sexta-feira
SEARCH & DESTROY: O ROCK NA ARTE CONTEMPORÂNEA, com Leo Felipe (RS)

Ainda que, cada vez mais, o rock seja um produto para consumo (como tantos outros da chamada indústria cultural), a sua imagem está fortemente ligada à idéia de rebeldia, contestação, contracultura. Na arte contemporânea, abordagens sobre aspectos da vida e da sociedade, que vão do corpo ao consumo, podem muitas vezes incluir elementos do universo do rock. É um canal de via dupla. Roqueiros buscam inspiração e referências nas artes, e artistas se utilizam do imaginário do rock para realização de trabalhos que parecem ter uma característica em comum: um diálogo mais direto com o público. Ou ao menos com um determinado público, aquele para qual o rock é a expressão (artística, poética?) mais familiar. E não é apenas a música dos três acordes que se faz presente nas obras, mas toda uma iconografia ligada a ela: as jaquetas de couro e os jeans rasgados, as minissaias e as botas de couro, os rebites, topetes, franjas e moicanos, as guitarras incendiadas, as agulhas hipodérmicas, os heróis mortos de overdose, as celebridades no holofote.

30/04, sábado
A CINEFILIA AINDA EXISTE?, com Roger Lerina (RS)

Prática cultural que atingiu seu auge entre o começo da década de 1950 e o final da de 1970, a cinefilia é mais do que o prazer de ver os filmes: inclui também sua discussão, sua interpretação, sua localização na história do cinema, na história das outras artes, das ideias, da política, da sociedade. A cinefilia inventou um olhar capaz de criar genealogias, descobrir autores, erigir mitologias e destruir outras. No limite, está na origem de um dos mais importantes movimentos do cinema moderno: a nouvelle vague. A realidade atual do cinema, convivendo intimamente outras expressões audiovisuais e disseminado para além da sala de projeção graças às novas tecnologias e à internet, torna pertinente a indagação: podemos falar de cinefilia hoje em dia? Cotejando alguns temas significativos debatidos pela crítica francesa no auge de sua influência (a partir do livro Cinefilia, do crítico francês Antoine de Baecque), com episódios similares ocorridos entre a crítica gaúcha na época (tendo por base o livro A Crítica de Cinema de Porto Alegre na Década de 1960), podemos vislumbrar o alcance que a cinefilia já teve – e nos questionarmos se esse olhar inventado ainda é capaz nos iluminar.

 

PROGRAMA OFICINA DE CRÍTICA COM MARCUS MELLO
Cine Bancários – Sindicato dos Bancários do RS (Rua General Câmara, 424 – Auditório 1)
De 25 a 27 de abril, das 9h às 12h
+ Dia 30 de abril, em horário a ser definido entre os participantes

Primeiro Dia (25 de abril)
Uma história da crítica cinematográfica
A crítica de cinema no Brasil
A prática da cinefilia

Segundo Dia (26 de abril)
A formação de um crítico cinematográfico
Os princípios da análise fílmica
A estrutura do texto crítico

Terceiro Dia (27 de abril)
Exercícios de produção de textos
Análise de textos produzidos pelos alunos

Quarto dia (30 de abril)
Encontro Final de Avaliação dos filmes



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