CineEsquemaNovo recebe exposição dedicada à ficção nas artes visuais e videoinstalação de Pablo Lobato

  • A videoinstalação “Expiração 02”, de Pablo Lobato, cria novos significados para imagens de arquivo e estará sediada no Atelier Subterrânea
  • Já a exposição “Ficções”, na Galeria Lunara, exibe obras que partem da conversa entre artes visuais e cinema, conectadas pelo universo da  ficção

O CineEsquemaNovo 2011 – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN), para além das mostras competitivas de longas, médias e curtas-metragens, bem com do Panorama Internacional de Festivais, contará também com atividades que propõem uma relação direta de sua programação com outras propostas expositivas. Uma delas será a videoinstalação “Expiração 02”, do artista mineiro Pablo Lobato, que ficará aberta à visitação no Atelier Subterrânea; a outra exposição, “Ficções”, ocupará a Galeria Lunara, na Usina do Gasômetro, durante o festival.

Expiração 02 é um desdobramento da exposição “O Que Pode a Expiração”, que esteve em cartaz em maio de 2010 no museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte. A exposição consiste em uma videoinstalação composta por monitores ligados à máquina Expiração, que roda ininterruptamente vídeos produzidos a partir de imagens de arquivo nunca utilizadas antes e que também nunca foram reproduzidas – ou seja, imagens das quais não existem cópias. São restos de filmes, arquivos de viagens, de família ou amigos coletados ao longo de doze anos de trabalho com audiovisual, tudo do acervo pessoal do artista.

Quando acionadas, no dia da abertura da exposição, as máquinas determinarão aleatoriamente o tempo de existência de cada vídeo por meio de um software desenvolvido especialmente para o projeto. Deste modo, depois de determinado tempo, as imagens vistas naquele momento único deixarão de existir.

Máquina Expiração – foto Adriana Galuppo

Pablo Lobato esclarece que a intenção não é simplesmente apagar as imagens, “mas sim dar um novo estado a elas”. O objetivo “é gerar um corpo a corpo do público com as imagens, que depois de extintas passam a existir apenas na memória das pessoas”.

Segundo o artista, movido pela inversão da lógica que atualmente guia as práticas industriais de produção, armazenamento e circulação de imagens, o projeto Expiração cria a possibilidade de estarmos diante de imagens e sons gravados que deixarão de existir, na contramão do excesso.

Ao mesmo tempo em que se guarda tudo, muitas das imagens hoje armazenadas permanecem inutilizadas: as pessoas as deixam em “algum lugar”, mesmo quando são imagens que as tocam ou interessam. “Desgravar não para apagar, mas para liberar gravidades. O que interessa é a inspiração, ou antes, o sopro. Expiração é furtar. Aspiro a um mínimo de vida em estado bruto”, diz Pablo no catálogo de “Expiração 01″.

“Expiração 02” terá em sua abertura uma performance de Pablo Lobato que consistirá no acionamento das máquinas que determinarão a duração de cada vídeo (a informação estará disponível ao público). A exposição poderá ser visitada no Atelier Subterrânea, um espaço independente atuante desde 2006 em Porto Alegre. Além de local de trabalho dos artistas que o integram, é também um espaço aberto ao trânsito e diálogo de pessoas interessadas em arte, através de mostras, cursos, palestras, debates, e outras atividades culturais. O Atelier Subterrânea funciona na Av. Independência, 745 / subsolo.

Sobre o artista

Pablo Lobato está conectado ao CineEsquemaNovo desde sua primeira edição, em 2003, quando o artista exibiu seu curta “Cerrar a porta em filme” na Mostra Competitiva de Curtas. Mais adiante, em 2008, integrou o júri oficial de premiação do festival.

Por seu último filme, o curta-metragem Queda, o artista mineiro ganhou em novembro último dois prêmios no Festival de Brasília 2010 (Melhor Direção e Melhor Som). Com Acidente, realizado em co-direção com Cao Guimarães, ganhou o prêmio de melhor Doc Ibero-Americano no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México (2007). O jovem artista foi também bolsista da John Simon Guggenheim Foudation, New York (2008-2009), contemplado pelo Prêmio Marcantonio Vilaça, da Funarte (2009-2010) e pelo 29º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte, em 2008.

Pablo Lobato participou ainda de várias exposições coletivas e festivais internacionais de arte contemporânea e de cinema, como Sundance (2007), Locarno (2007), Documentary Fortnight (MoMa, Nova Iorque, 2009), In and Out of Context – New Museum, New York (2010) e O Desejo da Forma – Neoconcretismo and Contemporary Art from Brazil – Akademie der Kunst, Berlim (2010).

O artista mineiro faz parte de uma geração de jovens realizadores brasileiros que têm produzido obras híbridas, que promovem um forte diálogo do cinema e do vídeo com as artes plásticas, tencionando as fronteiras estéticas e narrativas do cinema tradicional. É um dos criadores da Teia, um centro de pesquisa e produção audiovisual do qual fazem parte também outros jovens realizadores bastante premiados nacional e internacionalmente: Clarissa Campolina, Helvécio Marins Jr., Leonardo Barcelos, Marília Rocha e Sérgio Borges.

“Ficcções” ocupa a Galeria Lunara durante o CEN 2011

A curadoria de exposição “Ficções”, a cargo das sócias do CEN Jaqueline Beltrame e Morgana Rissinger, vai ao encontro do discurso que acompanha o festival desde suas primeiras edições: a abordagem de obras que vão além da sala de cinema e que circulam também em outros circuitos. No CineEsquemaNovo a premissa é de que uma obra audiovisual é acima de tudo uma obra autoral, de artista, o que faz com que muitas vezes filmes que passam na sala de cinema durante o festival, por exemplo, possam ser exibidos também em uma exposição de artes visuais, como uma Bienal.

Após alguns anos fazendo a curadoria das mostras competitivas do festival, e assim tendo acesso a filmes de diretores que dialogam e transitam entre o circuito de festivais de cinema e exposições de artes visuais, a curadoria desta exposição mostra trabalhos de artistas que apresentem nas obras selecionadas uma forte carga ficcional – característica observada frequentemente no cinema.

Dentro desta perspectiva, o interesse foi buscar imagens, fotos ou vídeos, que remetessem à criação de ficções, utilizando conceitos que comumente são desenvolvidos na prática cinematográfica: uma cena representada, um still de um filme imaginário, a criação de personagens e a relação entre eles, imagens de situações/fatos imaginários, etc.

Foram escolhidos quatro artistas que têm em suas produções algumas obras que dialogam com estas possibilidades de ficção levadas em consideração por esta exposição. Sofia Borges, (vive e trabalha em São Paulo e Ibiúna – SP), Cinthia Marcelle (vive e trabalha em Belo Horizonte – MG), Jonathas de Andrade (vive e trabalha em Recife – PE), e Alessandra Sanguinetti (vive e trabalha em Nova York – EUA) são os nomes convidados.

Frame do vídeo “Pacífico”, de Jonathas Andrade

Saiba mais sobre os artistas

Sofia Borges é artista visual formada pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Em 2008 foi quatro vezes premiada e ganhou uma bolsa de Incentivo à Pesquisa e Produção pelo Governo de Pernambuco. Entre 2009 e 2010, realizou individuais em São Paulo, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto e Londrina, foi selecionada pelo Rumos Itaú Cultural, recebeu destaque pela Bolsa Iberê Camargo, ganhou o Prêmio Porto Seguro de Fotografia e foi uma das indicações brasileiras ao Paul Huf Award 2010, em Amsterdam.

Cinthia Marcelle é formada em Belas Artes pela UFMG. Em 2003 foi contemplada com a Bolsa Pampulha em Belo Horizonte, e no mesmo ano foi indicada para o programa de residência Very Real Time, Cidade do Cabo, África do Sul. Em 2005 recebeu o prêmio da V Mostra do Programa de Exposições, Centro Cultural São Paulo, e participou da Bienal de Performance M:ST – Mountain Standard Time, Calgary, Canadá. Em 2006 foi indicada para representar o Brasil na Bienal de Havana e recebeu o primeiro lugar no International Prize for Performance, Trento, Itália. Em 2007 foi convidada para participar da Bienal de Lyon, França e do Panorama das Artes no Brasil, além de receber o prêmio MAMAM no Pátio, Recife, Brasil. Em 2009 ganhou a bolsa de  residência Gasworks/ TrAIN, Londres e desenvolveu duas mostras individuais: to come to, Sprovieri Gallery e This Same World Over, Camberwell College of Arts. Em 2010 foi convidada para a 29ª Bienal de São Paulo, ficou como finalista do Prêmio Pipa, Rio de Janeiro e foi premiada com o Future Generation Art Prize, Kiev, Ucrânia.

Jonathas Andrade trabalha com instalações, ações e fotopesquisas. Participou da 29a Bienal de São Paulo, Sharjah Biennal 10 (Emirados Árabes Unidos), 7a Bienal do Mercosul e realizou exposições individuais na Galeria Vermelho, Itaú Cultural (São Paulo) e Instituto Banco Real (Recife). Em 2009, desenvolveu o projeto Documento Latinamerica – Condução à Deriva, com pesquisa de imersão em países da America do Sul, com bolsas da Funarte (Rio de Janeiro) e do Salão de Artes Plásticas de Pernambuco. Recebeu o prêmio concurso de videoarte da Fundação Joaquim Nabuco. Recentemente, foi selecionado para residência em Gasworks, Londres.

Alessandra Sanguinetti participou da 29a Bienal de São Paulo (2010) e da 5a Bienal do Mercosul (2006). Realizou as exposições individuais  “Te life that came”, na Yossi Milo gallery, em NY (2008) e “The sixth Day”, na The Italian Academy da Columbia University (NY, 2007), dentre outras.

O CineEsquemaNovo 2011 – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) acontece de 23 a 30 de abril no Centro Cultural Usina do Gasômetro, Cine Bancários, Cine Santander Cultural e Atelier Subterrânea. Conta com o patrocínio da Oi e da Petrobras, e é financiado pelas leis Federal (Rouanet) e Estadual (LIC-RS) de incentivo à cultura. A co-realização é da Coordenação de Cinema, Video e Fotografia da Secretaria de Cultura – Prefeitura de Porto Alegre, com o apoio cultural da Oi Futuro e Santander Cultural, e apoio do Cine Bancários e Atelier Subterrânea.