Retrospectiva “Constructing Views: Experimental Film and Video from Brazil”

Diversos diretores e obras que já passaram ou foram premiados no CineEsquemaNovo estarão em Nova York, a partir de 19 de agosto, na mostra Constructing Views: Experimental Film and Video from Brazil. Quem recebe o projeto até 22 de setembro é o New Museum, que simultaneamente acolhe uma temporada de discussão sobre a obra de Rivane Neuenschwander.

A proposta da mostra norte-americana, curada por João Dumans com o apoio de Maria Chiaretti, tem uma relação absolutamente direta com a essência do CEN:

“(…) A series of contemporary Brazilian film and video that explores relationships between visual art and film, while portraying a playful and poetic perspective on the world. (…) Constructing Views features a selection of films that is not easily limited by the parameters of traditional cinema. Instead, these works take the form of contemplations, interventions, and performance documentation, comprising three distinct programs of short experimental cinema works produced by Brazilian artists within the last decade”.

A programação se divide em longas e curtas. Na primeira parte, destaque inevitável para o pioneiro “Limite” (1931), de Mário Peixoto. Já a seleção de filmes de curta duração é pródiga em produções que passaram pelo CEN, caso dos premiados “Man.Road.River”, de Marcellvs L. (melhor filme CEN 2006); “Da Janela do Meu Quarto”, de Cao Guimarães (melhor filme CEN 2004); “Éternau”, de Gustavo Jahn (melhor experimentação técnica em concepção artística, CEN 2007); “KO”, de Dellani Lima (melhor experimentação em composição, CEN 2008) e “Flash Happy Society”, de Guto Parente (melhor argumento experimental CEN 2009).

O mineiro Carlosmagno Rodrigues, presença constante e premiada no CEN (melhor curta em 2007 com “IGRREV”, entre outros prêmios) também está na lista. Outros trabalhos selecionados para a mostra norte-americana e que passaram pelo CineEsquemaNovo são “Wild Life”, de Wagner Morales (em 2007), “Sentinela”, de Cristiano Lenhardt (em 2009) e “Projeto Vermelho”, de Luiz Roque (fora de competição, 2006).

Cinema, Imagem, Estética e Espaço

O mais interessante neste debate sobre “cinema experimental” ao longo dos últimos anos é que, muitas vezes, tendemos a focar a questão da diversidade do cinema naquilo que diz respeito ao espaço onde se dá esta experiência. Sem entrar no mérito particular que marca muitas obras site specific, o CEN naturalmente compartilha desta preocupação. Mesmo com a essencial parceria da Petrobras nos últimos anos, porém, não foram em todas as edições que o CineEsquemaNovo conseguiu suporte suficiente para desenvolver projetos de intervenção e ocupação de imagem pública, fora das salas de cinema. O ano em que tudo isso aconteceu com mais evidência foi 2006, com Cao Guimarães e suas projeções especiais nas ruas de Porto Alegre e a retrospectiva audiovisual de Paulo Bruscky.

Voltando ao ponto, e novamente sem esquecer as questões site specific, é interessante notar que mesmo as eventuais ausências de novos espaços de experiência com a imagem não impediram o CEN de ser um reflexo e um porto seguro para esta produção híbrida, que muitas vezes assim se classifica mais pela força da ideia e das pesquisas de intersecção entre cinema e outras artes visuais do que com o espaço em que elas são projetadas. É baseada na força destes trabalhos, quando surgidos na tela, que também a mostra de Nova York se baliza. Abre-se assim o espaço para um debate mais rico, sobre afinal o que vem primeiro quando se determina este hibridismo: forma, conteúdo ou circunstância?

Alisson Avila

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