CRAV – UNISINOS

Quando fomos selecionados para fazer a curadoria da Mostra do CRAV para o CineEsquemaNovo, tivemos de enfrentar dois obstáculos, por assim dizer: o primeiro foi o de atravessar a extensa videoteca de trabalhos realizados pelos estudantes nesses mais de dez anos de vida do curso, para selecionarmos apenas trinta e cinco minutos de tantas obras; o segundo obstáculo foi o de identificar quais desses trabalhos conversavam com o festival. O CineEsquemaNovo exibe a vanguarda da arte audiovisual, apoia as particularidades dos trabalhos e das propostas de seus realizadores e resiste por essa forma.

Encontrar filmes que dialoguem com essa visão do audiovisual que o festival desperta não foi difícil. Os estudantes do CRAV parecem buscar, desde o início, o seu lugar e a sua própria maneira de exibir imagens. Nesses filmes, encontramos três personagens que se destacam ao englobar a luta e a resistência já proposta pelo festival: aquela de abrir espaço para a conexão através da imagem e do som. Três mulheres que precisam ocupar seu próprio corpo e sua própria mente; seja uma menina que atravessa paisagens agudas, tornando-as suas; seja uma mulher que dialoga com a cidade através de seu corpo; ou seja uma senhora que luta pelo seu próprio corpo em um mundo que parece não enxergar ela. Três universos interiores contados de forma sensitiva através da linguagem cinematográfica, uma linguagem bastante própria — oriunda tanto desses universos quanto de suas diretoras — e que, de sua maneira, resiste pela sua existência e pela sua particularidade. Solitárias, nas margens, por conta da idade, da classe social, da incompreensão. Essas três mulheres tentam se conectar com o mundo pelos seus próprios meios. Como um embate, seja interior ou exterior, com seus medos, com os limites impostos, com a incomunicabilidade. Essas três mulheres resistem, dentro e fora de si, buscando, do seu jeito, liberdade de expressão. Resistência é o que a cultura precisa nesse momento tão especifico da política brasileira. Que elas encontrem sua forma e seu espaço nas telas do CineEsquemaNovo.

 Arthur Freitas e Deise Hauenstein

 

 

PEQUENINA, de Naná Baptista, 15min, 2009

No interior de um vagão abandonado, uma menina se descobre parte de um mundo mágico com seus encantamentos e pavores. Nessa viagem imóvel e nostálgica, acaba por descobrir-se a si e a natureza ao seu redor, através da beleza e simplicidade que emana das pequenas coisas.

 

 

 

A QUE CHAMAMOS AURORA, Gabriela Burck, 5min, 2014

Dois Universos se procuram e se desencontram. A dança busca a cidade e a cidade absorve a dança.

 

 

SOB A PELE DE VÊNUS, de Júlia Sondermann, 12min, 2014

Uma senhora tem sua rotina alterada após ouvir notícia sobre um eclipse raro e começar a ser perturbada por uma sucessão de fatos misteriosos.

 

 

 

_Sábado, 05/11

Goethe-Institut

14h – curtas-metragens de estudantes do CRAV – UNISINOS e TECCINE – PUCRS.

(reprise segunda, 07/11, ​17h)

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