Entrevista: Aly Muritiba (BA) é o diretor de “Dia 1 p.m”

Algumas perguntas a Aly  Muritiba, realizador de “Dia 1 p.m ”, selecionado para a Mostra competitiva de curtas e médias-metragens do CEN 2011. Aly Muritiba atualmente mora em Curitiba – PR, onde é um dos sócios da produtora Grafo Audiovisual. Ele já dirigiu quatro curtas-metragens, um tele filme e um longa-metragem documental. O curta “Com as próprias mãos” (2008) foi vencedor de 17 prêmios em festivais nacionais. O documentário “Dia 1 p.m” faz parte do projeto “Uns dias…” e foi selecionado em 2010 para o FORUMDOC.BH.2010 – 14° Festival do Filme Documentário e Etnográfico – Fórum de Antropologia, Cinema e Vídeo.

Sinopse: Um recorte de uma tarde em família.

CEN – Fale um pouco sobre o projeto “Uns Dias…”

O projeto “Uns dias…” contempla a realização de pequenos documentários observacionais criados a partir de algumas obstruções.  A idéia é, sempre que houver disponibilidade de tempo e equipamento (qualquer que seja), eleger um ponto específico, apontar a câmera e registrar aquilo que passar diante dela. Ou seja, com o mínimo de interferência, mas, fazer ao final um recorte a partir do enquadramento. A idéia é que qualquer pessoa possa fazer vídeos para o projeto. Caso as obstruções sejam seguidas, eu posto os vídeos no meu canal.

Conheça mais sobre o projeto “Uns dias…aqui

CEN – Quem são estas pessoas do filme? O que tem de interessante na privacidade delas?

Estas pessoas são a minha família (mãe, pai, irmãos e sobrinha). Na verdade, o interesse maior nem é na privacidade delas, embora no vídeo seja possível conhecer um pouco de suas vidas. Mas reside na relação que estes indivíduos estabelecem com a câmera (elas foram alertadas que estariam sendo filmadas), no modo como tudo começa “misencenada” (notadamente pelo meu pai). À medida que a discussão avança, a câmera vai perdendo importância, “desaparecendo”, e os papéis interpretados tomam conta dos “atores”. O quanto o ato de filmar é determinante do comportamento daqueles que estão sendo filmados? O quanto, no fim das contas, manipulamos ao enquadrar e alertar que estamos filmando?

CEN – Em muitos documentários a relação de observador x observado é clara, faz parte do diálogo pré- estabelecido na concepção do filme, diferente de ‘Dia 1 p.m.’. Por que esta escolha?

Na verdade, no “Dia 1 p.m.” a relação entre observador e observado não é mesmo de contraposição ou oposição, não há OBSERVADOR X OBSERVADO, e sim OBSERVADOR + OBSERVADO ou OBSERVADOR = OBSERVADO. Não há distanciamento, na medida em que o documentarista filma sua própria família e se coloca no próprio documentário. Esta escolha se dá numa tentativa de refletir sobre estes papéis (observador e observado) e de questionar a isenção do observador. Ninguém está impune, nem aqueles permitiram ser filmados (neste caso, durante uma discussão familiar), nem aquele que filma, dramatiza e, por que não, expõe (neste caso, a própria família).

CEN – Fale um pouco do momento da produção audiovisual do Paraná.

A produção paranaense vive um momento ímpar. A geração que se formou na Cinemateca nos idos de 1980 e que batalhou pelas políticas públicas voltadas ao cinema na década de 1990, está colhendo os frutos de sua luta e têm lançando seus primeiros longas metragens. O mais interessante é o surgimento de uma nova geração a partir da CINETVPR (Escola Superior Sulamericana de Cinema e Televisão)/FAP (Faculdade de Artes do Paraná) criada no estado em 2005. De lá tem saído realizadores extremamente colaborativos e que estão criando produtoras e coletivos. Estão preocupados não só em produzir, mas também discutir cinema e política cultural. Desde a criação da faculdade, a produção de filmes mais que triplicou. Este aumento quantitativo veio acompanhado por um aumento qualitativo, atestado pelo número de festivais que selecionam e premiam os filmes destes jovens.

CEN – No que você está trabalhando neste momento?

Estou finalizando dois novos curtas-metragens que escrevi e dirigi (“SBX” e “A fábrica”), e estamos preparando o lançamento de “Circular” (longa-metragem coletivo, do qual sou um dos diretores) em festivais.

CEN – Link de referência do seu trabalho e / ou trailer do filme:

Grafo Audiovisual: www.grafoaudiovisusal.com

Canal no Vimeo: http://vimeo.com/user4196057

Trailer do “Reminiscências”:  http://www.vimeo.com/13675351

Tailer do “A revolta”: http://www.youtube.com/watch?v=89M2sxqBKHQ

2 comments for “Entrevista: Aly Muritiba (BA) é o diretor de “Dia 1 p.m”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *