Entrevista: Anita da Silveira, realizadora de “Handebol” (RJ)

Algumas perguntas para Anita da Silveira, realizadora de “Handebol”, selecionado para a Mostra competitiva de curtas e médias-metragens do CEN 2011. O filme ganhou o prêmio de Melhor Curta no VI Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, e foi selecionado para exibição no Festival de Cinema Latino de Toulouse – 2011, na França, junto com “Cachoeira”, de Sérgio Andrade, também selecionado para o CEN. Em 2008, Anita da Silveira participou do CineEsquemaNovo com o curta “O Vampiro do meio-dia”.

Sinopse: Bia é uma garota como muitas outras: gosta de rock, handebol e sangue.

CEN – Em seu filme anterior, “O Vampiro do meio-dia”, você já retratava personagens adolescentes, colegiais, assim como em “Handebol”. O que te interessa nestes jovens?

Os jovens estão mais dipostos a ir ao limite, são inconsequentes – no bom sentido. Em “Handebol” o limite a ser transposto é o do próprio corpo. São jovens dispostos a explorar todas as possibilidades sensoriais, e nesse trajeto não há lugar para o medo. Flertam com o outro, assim como com a Morte.
Já em “O vampiro do meio-dia” acompanhamos um jovem em plena descoberta dos prazeres sexuais. E nessa trajetória não há qualquer julgamento moral. O garoto vai atrás da realização de seus desejos, no caso, a ingestão do suor alheio.

CEN – Em “Handebol”, agrada muito a maneira como você dirige o filme, os enquadramentos caprichados, as cenas em slow, a atuação simples e crua das atrizes. Lembra um pouco Gus Van Sant. Quais são os diretores que você admira?

Agora em mente: David Lynch, Tsai Ming-Liang, Lucrécia Martel, Claire Denis, Gus Van Sant e Maurice Pialat.

CEN – Outro ponto interessante é seu interesse por criar ficções, ao contrário do que vemos em muitos bons filmes brasileiros recentes, que são documentários ou que trabalham de forma híbrida, com personagens reais, por exemplo. Você pretende seguir fazendo ficções? Quais são seus novos projetos?

Sim, meu interesse é por ficção. Gosto de controlar todos os aspectos do processo. O acaso não é para mim. Meu último projeto é um curta chamado “Os mortos-vivos”, que também irá retratar um universo jovem, porém de jovens adultos, na faixa dos 20 anos e trará mais elementos fantásticos do que meus curtas anteriores.

CEN – No que você está trabalhando neste momento?

No momento trabalho na pré do curta que mencionei e também desenvolvo o roteiro de um longa-metragem de ficção para em breve colocar em editais. Também estou fechando o ultimo tratamento do roteiro “Sobre a neblina”(adaptação do livro homônimo de Christiane Tassis) que será dirigido muito em breve por Paula Gaitán.

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