Entrevista: Daniel Lisboa (BA) fala sobre “O Sarcófago”

Algumas perguntas a Daniel Lisboa, realizador de “O Sarcófago”, selecionado para a Mostra competitiva de curtas e médias-metragens do CEN 2011. Em 2004, Daniel Lisboa foi premiado no CineEsquemaNovo com o filme “Um Milhão de Pequenos Raios”, vencedor da categoria de Melhor Experimentação de Linguagem. É autor também de curtas como “Frequência Hanoi”, de 2006, e “O Fim do Homem Cordial”, de 2004, exibido em diversos festivais, como o Vídeo Brasil e a Mostra do Filme Livre, e vencedor do Festival Internacional de Vídeo Imagem em 5 Minutos 2004, realizado em Salvador.

Sinopse: Um homem e sua peleja contra o ineviável processo de corrosão da carne e a tentativa de dominá-lo, retardá-lo, ignorá-lo. Um pós-exú, um pré-cyborg que corta a cidade como uma nota rebelde de rock’n’roll.

Assista ao trailer de “O Sarcófago”:

[vimeo http://www.vimeo.com/12381764]

CEN – Em filmes como “Um milhão de pequenos raios” e “O fim do homem cordial” você acaba falando um pouco (ou muito) da sua cidade, Salvador.  Jaime Fygura é um personagem bastante conhecido no Pelourinho. Ao retratá-lo, sua intenção era falar também sobre Salvador?

Sim, a cidade é alimento. A cidade é indomável, ser enorme, mutante, livre. Por mais que o homem tente domá-la, encoleirá-la, ela está solta, expandindo, reconfigurando, se adequando como uma entidade cintilante. Sou encantado por sua movimentação, por isso sigo e persigo esse ser maior. Nessa relação encontro meus temas, personagens e paisagens. Salvador é meu lugar, é onde estão minhas referências, meu modo de perceber, meu modo de empolgar. Sou feliz aqui.

CEN – ‘O Sarcófago’ passa uma certa idéia de violência – mais no sentido de uma energia forte e incontrolável -  por causa principalmente dos sons e das falas de Fygura. Você também identifica isso no seu filme? Como você relaciona essa força dentro do seu filme?

O Sarcófago é rock’n’roll, é subversão, descontrole, mórbido, obscuro, subterrâneo, desobediente, (des)esperançoso, desastroso. Jayme traz o peso do mundo em seus ombros. Jayme quebra a lógica comportamental da cidade, dos homens. É um grande rasgo no roteiro de uma existência careta. Fui levado por essa força. Sintonizei minhas semelhanças e chegamos ao filme.

Still “O Sarcófago” – Crédito Mariana David

A relação com o personagem é bastante hermética, inclusive nas questões formais. Parece que para enxergar tudo que Fygura mostra (a cidade, a arte, a performance, o homem atrás da máscara) é necessária uma espécie de “iniciação”, na qual se obtém informações ou contatos prévios com Fygura, e aí sim o filme se completa inteiro. É isso mesmo?

Sim, Jayme é uma especie de mestre das trevas. Para adentrar no seu universo, no seu Sarcófago, deve estar iniciado, ou (des)iluminado.

No que você está trabalhando neste momento?

No longa-metragem TROPYKAOS. Sobre um jovem que tem o SOL como seu principal inimigo, causa de todos os seus problemas, e sua busca por um aparelho de ar-condicionado para se defender do “olhar supremo”.

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