Entrevista: Felipe Barros (AL), realizador de “Orawa”

Algumas perguntas a Felipe Barros, realizador do filme Orawa, selecionado para a Mostra competitiva de curtas e médias-metragens do CEN 2011. Em 2010, o filme foi exibido em diversos festivais:  CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto  (MG),  20º Curta Cinema (RJ) e no Vivo Art.Mov, na qual foi o ganhador do 1º Lugar  do Prêmio do Júri. Em 2011 durante a 10º Mostra do Filme Livre outras duas produções do artista audiovisual foram exibidas em diferentes salas do país: “98001075056” (2009) e “Murmúrio da Vida” (2009). “98001075056” participou da edição de 2009 do CineEsquemaNovo.

Sinopse: “Um ensaio abstrato sobre uma camisa suada. Qual o papel do maestro ?”

CEN – Esta presença ambígua do seu trabalho no ambiente dos festivais de cinema e das exposições de artes visuais já estava na sua cabeça, quando você decidiu por dedicar-se à produção audiovisual, ou as circunstâncias acabaram por levá-lo a isso? Ou seja, o fato de haver ambiente favorável a esta ambigüidade, em festivais como o CEN, o estimulou a investir neste “meio do caminho”?

No início, os meus trabalhos em videoarte eram voltados apenas ao universo das artes visuais, já que essa havia sido minha formação acadêmica e era o universo que eu conhecia. O universo dos festivais de cinema era algo completamente desconhecido para mim, mas em 2008 descobri que era permitido inscrever videoarte em festivais de curta e decidi tentar. Foi uma ótima surpresa, pois se trata de um ambiente rico e distinto do universo das artes visuais. A participação nos dois universos e a fusão de influências foi extremamente fértil para minha produção. Toda a bagagem conceitual das artes visuais, aliadas a organização e técnicas do cinema possibilitou uma pesquisa artística aprofundada pela dupla troca de idéias e impressões vindas do público e do convívio com realizadores com formação cinematográfica e artistas visuais de variadas linguagens. Percebo que os dois mundos ainda trocam pouco, e espero que essa fusão aumente cada vez mais. Mesmo estando no meio do caminho, consigo enxergar na minha produção, vídeos que melhor se enquadrem em galerias de artes, assim como também, vídeos que sejam perfeitos para o cinema. Essa talvez seja a parte mais legal disso tudo e ainda tenho muito para refletir a respeito dos limites que espero que desapareçam cada vez mais.

CEN – Qual a circunstância em que se deu o registro deste maestro? Você estava com a câmera, se deparou com a plasticidade daquela camisa suada e assim temos o resultado, ou este era um movimento do corpo humano (e dos tecidos) que você já reparava e esperava a hora ‘certa’ para registrá-lo?

Fui contratado como freelancer para filmar a apresentação de uma orquestra polonesa que se apresentaria em São Paulo e resolvi chegar antes para filmar também o ensaio. Ao final do ensaio, depois de guardar a câmera para esperar a apresentação, tive um insigth ao ver como ele estava suado e como a camisa acompanhava o movimento de seus braços. Na hora saquei novamente a câmera e me pus a filmar a última música do programa, que considerei ser a melhor de todas para esse projeto, pela dramaticidade e energia que ela passava. O resultado foi muito melhor que eu esperava e até hoje me rende muitas reflexões.

CEN – Boa parte do seu trabalho em curta duração, quando o acessamos na internet, sugere um registro mais casual do que intencionalmente montado – embora a sua obra participante do CEN 2009 (‘98001075056’) indicasse mais um experimento. Esta divisão de métodos está clara na sua cabeça? É possível pensar em ‘experimento casual’ ou ‘casualidade experimental’?

Claro que sim. Acredito em idéias que venham e possam ser montadas e executadas como experimento, assim como também acredito que depois de muito refletir e pensar sobre determinados temas e conceitos que me interessam, automaticamente isso me deixa atento a elementos que estão postos no mundo que possam expressar com perfeição tais reflexões. Quando iniciei minha produção, a idéia do experimento era muito forte, e talvez mais ligada a minha formação em artes. Já a idéia de parar e observar o mundo faz parte de uma segunda fase, mais madura e centrada, que pode inclusive andar junto com meus primeiros experimentos.

CEN – No que você está trabalhando neste momento?

Em uma série de vídeos realizados durante uma residência artística feita em janeiro e fevereiro de 2011, na Ilha de Itaparica, Bahia. O nome do centro de residências é Instituto Sacatar, um ambiente aberto para artistas de todas as linguagens e do mundo inteiro. Atualmente já tenho sete vídeos finalizados e mais uma série de imagens para concluir ao longo do ano, onde estão por vir, videoarte e alguns documentários experimentais.

CEN – Link de referência do seu trabalho e / ou trailer do filme:

Segue o link de meu canal no youtube, onde se encontram todos os meus vídeos:

http://www.youtube.com/user/FelipePereiraBarros

Frame de “Orawa”

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