Entrevista: Guto Parente (CE) fala sobre o longa “Os Monstros”

Algumas perguntas a Guto Parente, um dos realizadores de “Os Monstros”, selecionado para a Mostra competitiva de longas-metragens do CEN 2011. O filme foi dirigido por Guto Parente, Ricardo Pretti, Luiz Pretti e Pedro Diógenes, todos membros do Alumbramento, coletivo de artistas cearenses com diversas participações no CineEsquemaNovo (leia mais sobre o coletivo Alumbramento aqui).
Guto Parente ganhou o prêmio de Melhor Curta por “Espuma e Osso, co-dirigido em parceria com Ticiano Monteiro, na edição de 2008 do CEN. Conquistou também o prêmio de Melhor Argumento Experimental no CEN 2009 por “Flash Happy Society, e ainda Melhor Direção por “Passos no Silêncio.

Sinopse: Nenhum homem é um fracasso quando tem amigos.

Assista ao trailer de “Os Monstros”:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=CHaoUg4fEJ0]

CEN – Há espaço para criar em Fortaleza? O que, na sua cidade (ou no seu país), impede uma vida de criação e respeito artístico? Ou melhor: o que os instiga a fazerem um filme como ‘Os Monstros’?

Sim. A cidade está cheia de grupos artísticos, coletivos e talentos individuais. Tem muita coisa legal sendo produzida por aqui. Seja no cinema, nas artes visuais, teatro, música ou poesia. A dificuldade maior é fazer essa produção reverberar na cidade, despertar interesse nas pessoas. Os Monstros é um filme muito pessoal e íntimo, mas que toca nessa questão a partir da perspectiva de artistas que não encontram seu lugar. E para eles só é possível procurar/criar esse lugar agarrando-se uns aos outros.

CEN – Em “Estrada para Ythaca“, assim como em vários filmes brasileiros da mesma “safra”, identifica-se uma melancolia que parecia não ter fim, que precisava ser vivida intensamente, chorada até a última lágrima, como na cena de choro que vemos no filme. É uma melancolia artística, uma ressaca. Ao assistir “Os Monstros”, parece que realmente as lágrimas secaram e o humor se renovou. É isso mesmo?

Talvez as lágrimas já tivessem secado no “Estrada para Ythaca”. No decorrer do filme os personagens descobrem a força da amizade e ao final celebram a vida cantando, brindando e bebendo. A melancolia ficou para trás. Em “Os Monstros” os personagens são mais conscientes da própria inadequação, são mais resistentes, sabem apanhar. Eles não estão isolados, existe um mundo que exige deles e eles precisam se colocar diante desse mundo. E não dá pra ficar se escondendo, chorando pelos cantos. E muito menos ficar levando tudo muito à sério. É preciso saber rir da própria desgraça. E também ser capaz de se reinventar, surpreender-se e surpreender esse mundo. E eu acredito que entre amigos isso é mais possível. E mais divertido.

Frame de “Os Monstros”

CEN – Partindo das idéias acima, por favor, falem do novo filme que vocês rodaram em dezembro de 2010. Quais são as boas novas?

É um filme criado a partir de uma peça de um amigo nosso de Brasília, o Rodrigo Fischer. São quatro atores: o Fischer, a Michelli Santini, o Márcio Minervino e a Súlian Princivalli; e a história se passa em um apartamento onde os quatro se reunem para uma festa. Chegamos num primeiro corte e estamos deixando o tempo agir sobre ele. O título por enquanto é “No Lugar Errado”.

CEN – No que você está trabalhando neste momento?

Além do “No Lugar Errado”, estou trabalhando na montagem de um curta que filmei em fevereiro, chamado “Dizem que os cães vêem coisas”, baseado num conto homônimo do escritor cearense Moreira Campos, mesmo autor de “As Corujas”. Também estou dando aulas numa universidade daqui.

1 comment for “Entrevista: Guto Parente (CE) fala sobre o longa “Os Monstros”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *