Entrevista: Lucas Barbi fala sobre “Como é Bonito o Elefante”

Algumas perguntas a Lucas Barbi, um dos realizadores do filme “Como é Bonito o Elefante”, selecionado para a Mostra competitiva de curtas e médias-metragens do CineEsquemaNovo. O filme está participando da Mostra competitiva international do Festival Cinematografico Internacional del Uruguay, e foi exibido no Curta Cinema, na Mostra do Filme Livre e Festival do  Júri Popular.

Sinopse: Um retorno não às origens, mas a um lugar repleto de lembranças.

CEN – O que motivou a confecção do filme? Foi uma sensação de deslocamento que você viveu e quis compartilhar?

Não sei se foi muito bem uma questão de querer compartilhar. Talvez o deslocamento se traduziu em uma certa urgência, em uma necessidade de filmar. Acho que o fato de se ter uma data para partir, te afeta muito, afeta sua relação com a cidade, com as pessoas, e com a memória e o tempo. E se tentamos trabalhar isto dentro do filme, isso é um resultado desse momento. Um agora-ou-nunca fílmico, e ao mesmo tempo fotos de viagem, souvenirs. Pois ali são também nossos amigos, o bar que frequentávamos, o quarto do Juruna, a esquina lá de casa.

Assista ao trailer de “Como é Bonito o Elefante”:

[vimeo http://vimeo.com/19947341]

CEN – Imagens podem ajudar a resgatar e confortar uma ideia de perda de essência – ou, ao contrário, servem para nos lembrar que, quando se parte, nunca mais se é o mesmo. O seu filme, ou o seu pensamento sobre o filme, pertence a um destes dois caminhos em específico?

Acho que um caminho específico não é bem o forte do filme. O filme é muito aberto, e depois das sessões vejo como cada um interpreta aquele conjunto de imagens e sons, os personagens e a micro-narrativa, de formas bem diversas. Foi sempre uma questão de acumular sensações e caminhos, sobretudo perante os obstáculos. Mas sem dúvida a imagem está ligada à memoria, de certa maneira a corporifica. Só que mais importante do que a imagem, inclusive em termos cinematográficos, é o tempo. Não tanto um tempo linear e cronológico, mas o tempo como uma entidade que oscila, que dilata e contrai, que transborda.

CEN – O que veio primeiro quando o projeto surgiu: a história sutil ou a visão de mundo? É possível pensar nesta separação?

Não sei se é possível separar uma história, sutil ou não, de uma visão de mundo. Pode-se até haver uma diferença de estilos, de gêneros. Diversos diretores fizeram comédias e melodramas, westerns e filmes noir. Mas percebe-se ali uma visão de mundo que antecede qualquer trabalho cinematográfico.

CEN – Fale mais sobre o coletivo no qual a produção deste filme está inserido: quando surgiu, no que vem trabalhando ultimamente…?

Azucrina! é um coletivo de artistas, designers, músicos e todo tipo de pessoa que compartilha uma atitude “Faça Você Mesmo”. Os trabalhos passam por intervenção urbana, oficinas de “Silk na Tora” e Circuit-bending, instalações sonoras, interatividade, fotografia, música e muito mais. Alguns integrantes inclusive foram premiados no Festival de Brasília no ano passado, pela Trilha Sonora de “Os Residentes”, de Tiago Mata Machado. Mas como diz o site “Explicar o que fazemos não faz muito sentido, confira por conta própria:” www.azucrina.org & www.flickr.com/photos/azucrina/

CEN – No que você está trabalhando neste momento?

Nesta ultima semana começamos oficialmente a pré-produção de nosso próximo projeto, “O Sol nos meus Olhos”, um projeto também de Flora Dias e Rômulo Braga. E estou na fase de finalização de um longa-metragem que fotografei, “As Horas Vulgares”, de Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize.

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