Exibição de “Caos”, “Raimundo dos Queijos”, “Walter” e “As Aventuras de Paulo Brusky” no quarto dia da mostra de curtas e médias do CEN 2011

A mostra de curtas e médias-metragens do Festival CineEsquemaNovo tem se mostrado um espaço interessante de exibição de uma gama diversa de produções, mas também de trocas entre os realizadores. No quarto dia da mostra no Cine Bancários houve a projeção de quatro curtas: “Caos”, de Fábio Baldo (SP, 15min), “Raimundo dos Queijos”, de Victor Furtado ( CE, 16min), “Walter”, de Pedro Henrique Ferreira (RJ, 23min) e “As Aventuras de Paulo Brusky”. De Gabriel Mascaro (PE, 20min). Em comum entre eles, podemos identificar uma relação com o lugar/espaço bastante forte para a criação das imagens.

*Ao clicar nos títulos você poderá ler as entrevistas realizadas com os diretores de cada um dos filmes.

A presença no debate do ator, Allis Bezerra, de “Caos” (SP) contribuiu para o entendimento do processo da criação do filme e ação dos atores. A história se passa numa fazenda no interior de São Paulo e mostra dois homens que “recebem o chamado do sol”. Allis salientou que várias leituras podem ser feitas para falar sobre a obra, dentre elas a que relacione à trama de Abel e Caim, ou até mesmo à teoria do caos. Os elementos circulares, como o sol e a roda do trator, dão o ritmo e detalham as imagens. Conforme Allis, o diretor foi bastante criterioso para a construção dos planos e os movimentos de câmera, tanto que três opções de filmes foram feitas.

Debate com os realizadores após a sessão. Foto de Roberto Vinicius.

“É cinema de experiência”, instigou Victor Furtado, ao falar sobre “Raimundo dos Queijos” (CE). Um bar, mesas, música, garrafas de cerveja e um caderno de anotações compõem o filme. Para o realizador, estão em jogo a distância, a observação e o pertencimento ou não àquele lugar. Nesse sentido, Victor ressalta que se questionou sobre a sua sinceridade em tratar sobre aquele “oásis de pessoas” em meio ao centro de Fortaleza vazio numa manhã de domingo. O curta evoca a imagem da experiência do diretor, sem cair no clichê documental, que muitas vezes acaba por criar julgamentos sobre o que está sendo retratado na tela. Ao evitar o uso de entrevistas, também traz um certo toque antropológico que privilegia a inserção no espaço pra pensar a criação de imagens.

Em “Walter” (RJ), de Pedro Henrique Ferreira, encontramos uma história inusitada construída a partir de um sonho. Uma pequena cidade no litoral do Rio Janeiro serviu de locação para o filme. Nele, um personagem – Walter Benjamim – está imerso num ambiente que ele considera como seu e suas ações estão de acordo com as sensações de bem-estar que ele procura. Por outro lado, o curta traz uma ironia e melancolia de um filósofo que se considera importante para aquele lugar. “Queria que ele fosse um filme sério e jocoso”, explica Pedro.

A questão de pensar as possibilidades de se fazer um filme pode ser a chave para falar sobre “As Aventuras de Paulo Brusky” (PE), de Gabriel Mascaro. Nele, o desafio se deu em como construir outra relação com a imagem e o uso do Second Life como suporte. Para Gabriel, o curta surgiu do interesse também pela obra do artista Paulo Brusky, que passa pelo questionamento em relação ao que pode ou não ser feito em arte. Produzido dentro da plataforma do Second Life, os personagens e equipamentos (como a câmera com que o personagem de Gabriel filma o artista) estão inseridos em um “território de experiência do real e do fabuloso”, ressalta Gabriel. Os cenários inacabados, as falas retiradas de trabalhos de Paulo, os defeitos do próprio suporte, tudo é pensado para a criação do filme.

Gabriel Macaro fala sobre “As Aventuras de Paulo Brusky”. Foto de Roberto Vinicius.

Francine Nunes

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