Exibição de “Cat Effekt”, “Orawa”, “A janela (ou vesúvio)” e o “O Sarcófago” no quinto dia da mostra de curtas e médias.

A penúltima sessão da Mostra Competitiva de Curtas e Médias do CineEsquemaNovo 2011 contou com a exibição de três curtas e uma média-metragem. Com uma diversidade de formas e técnicas, as produções possibilitaram o desenvolvimento de um ótimo debate sobre as intersecções entre cinema, fotografia e artes visuais. (Para ler as entrevistas que os realizadores concederam ao blog do CEN basta clicar no título dos filmes).

Foto: Roberto Vinicius

Cat Effekt”, de Gustavo Jahn e Melissa Dullius, é um média-metragem que teve sua primeira exibição no Brasil nessa edição do CEN 2011. É um filme de sensações, cores e sons que, segundo os realizadores, teve sua montagem e ritmo pensados de uma maneira musical, como notas musicais. Por outro lado, o filme foi tomando forma conforme a experiência dos próprios atores na cidade de Moscou, “é um filme que fala sobre encontros especiais, não casuais” ressalta Melissa. A idéia do filme também é dada pela relação com a literatura, com a língua russa, mas principalmente pelo objetivo de não apresentar hierarquias nas percepções. Sonho e realidade se misturam.

Felipe Barros, realizador deOrawa”, trouxe um vídeo que mostra, literalmente, a música nas costas de alguém. “Gosto do manual, do artesanal, e isso explica a simplicidade que está implicada na produção”, coloca Felipe. O vídeo procura tornar a imagem mais importante enquanto apresentação que representação.

Felipe Barros, de “Orawa”. Foto de Roberto Vinicius.

EmO sarcófago“, Daniel Lisboa nos mostra Jaime, uma figura intrigante que fica ainda mais enigmática conforme os movimentos de câmera, os planos, os sons, a fotografia. Tudo parece convergir para a visão de que o personagem realmente constrói o filme junto com o realizador. O lado obscuro e ao mesmo tempo mutante de Jaime é parte da sua arte que mescla teoria e loucura no espaço das ruas e do atelier. “É uma nota rebelde de rock’n roll que quebra a cidade”, ressalta Daniel.

Num primeiro momento, A janela (ou vesúvio) parece um filme que trata sobre violência e as banalidades que os canais de televisão insistem em explorar – tipo de discurso que  muitas vezes não traz nada de novo. Na produção em questão, esses temas compõem a trama, mas não são o filme. Para os realizadores, importou explorar a questão do espaço da casa, da relação do neto com o avó, da velhice.

O debate teve seu ponto alto durante a discussão sobre a técnica e a forma, e o quanto as escolhas estéticas determinam a maneira de ver/fazer o filme. Por outro lado, o  suporte e a manipulação das imagens, também condicionam a forma. Artes visuais, cinema e fotografia são como peças de um mesmo quebra-cabeça em que a mistura importa mais do que o próprio resultado final, ou melhor, o fim se dá justamente quando a imagem encontra o espectador e esse pode dialogar com o realizador.

Francine Nunes

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