Galeria Lunara abriga a exposição “Ficções”

O CineEsquemaNovo 2011 aposta no diálogo entre cinema e artes visuais e trouxe para Porto Alegre a exposição “Ficções”, que ocupa a Galeria Lunara, na Usina do Gasômetro, até o final do festival, no 30 de abril. Com a curadoria de Jaqueline Beltrame e Morgana Rissinger, sócias do CEN, a exposição apresenta obras de arte visual que partem de uma idéia de ficção, conceito quase sempre relacionado ao cinema, e passíveis de ocupar outros espaços, como museus e salas de exibição. Um dos objetivos é apresentar trabalhos de fotografia que dialoguem com a ficção, uma vez que a fotografia está sempre ligada à ideia de um registro documental do “real”.

“Ficções”

Quatro artistas compõem a “Ficções”: Jonathas de Andrade (vive e trabalha em Recife – PE), Cinthia Marcelle (vive e trabalha em Belo Horizonte – MG), Sofia Borges (vive e trabalha em São Paulo e Ibiúna – SP) e Alessandra Sanguinetti (vive e trabalha em Nova York – EUA). Os trabalhos, em vídeo e fotografia, contornam a potência da discussão sobre as fronteiras entre o ficcional e documental. A representação, o real, o imaginário surgem como elementos simbólicos e sugerem as possibilidades na criação de ficções.

“Pacífico” (2010, 12′), de Jonathas de Andrade, aborda a Guerra do Pacífico numa animação em Super-8. Um terremoto acontece nos Andes e o Chile inteiro é destacado do continente latino-americano, a Bolivia perde sua saída do mar. Para Jonathas, a obra reflete sobre uma certa desconexão histórica da América Latina e a questão do isolacionismo. Essa obra já foi selecionada em diversos festivais e mostras e carrega uma influência e vontade do próprio artista de querer trabalhar cada vez mais com o cinema. “Quando eu era mais novo, o cinema foi por um tempo a minha principal relação com a arte. Certamente carrego impulsos, motivações e uma percepção da estética que vem desta época. Sinto que ainda quero trabalhar mais diretamente com o cinema de alguma maneira”, conta Jonathas.

Frame de “Pacífico”

Seu próximo projeto, dentro de uma residência artística em Gasworks (Londres) traz um olhar sobre os fluxos de hegemonia e dominação cultural. “Vou trabalhar com o arquivo especial do Chelsea’s College of Arts buscando identificar as imagens de arquitetura moderna e brutalista e depois, suspendendo a linha da história, reorganizá-las como se a arquitetura moderna brasileira e latino-americana fosse um cânone em relação à ali encontrada”, explica Jonathas. Trata-se de uma idéia motivada pela atual situação econômica do Brasil que confere ao país um status de nova potência mundial, sendo que habitualmente ainda carrega um discurso do oprimido. Para o artista, há um desconforto e artificialidade em algumas situações relacionadas à essa pretensa hegemonia do país.

“Cruzada”, de Cinthia Marcelle

No vídeo “Cruzada” (2010, 8’36”) Cinthia Marcelle apresenta um exercício de pensar a fronteira, a terra e o território como marcas de um lugar. Na obra, dezesseis músicos surgem dos quatro cantos de um cruzamento, quatro de cada lado, trajando quatro cores: amarelo, vermelho, azul e verde. Um duelo musical.

A artista participou da construção do roteiro e fez a direção de arte de “Os Residentes”, filme de abertura do CineEsquemaNovo, juntamente com  Tiago Mata Machado e Emílio Maciel. Recentemente, Cinthia foi selecionada para uma mostra paralela à 54ª Bienal de Veneza, que começa no dia 4 de junho, organizada pelo Pinchuck Art Centre. Nome em ascenção nas artes visuais no Brasil, Cinthia Marcelle já expôs na Bienal de São Paulo e atualmente tem obras em exposição na Galeria Vermelho, também em SP.

Sofia Borges expõe as séries “Retratos e auto-retratos”  (2007) e “Sedimentos” (2009). Conforme a artista, essa é a primeira vez que os dois trabalhos são reunidas. “Gostei muito do resultado. Eu percebique essas séries realmente têm muito em comum, elas convivem bem, apesar de tratar de assuntos bem distintos”, afirma. Formada pela ECA/SP, Sofia coloca que o interesse pela fotografia passa mais pela maneira como ela tangencia outras áreas, como a literatura, o cinema, a pintura. Neste sentido, elogiou a curadoria da exposição e a proposta do CEN de ir além de questões já superadas no cinema. Por fim, enfatizou que sua obra se relaciona em entender como o próprio meio influência a construção de significado sobre aquilo que é apresentado. Atualmente ela está com uma exposição na Galeria Virgílio, em São Paulo.

Alessandra Sanguinetti exibe a obra “As aventuras de Guile e Belinda e o enigmático significado de seus sonhos”. Uma série de fotografias com cenas posadas. Fantasia e realidade se misturam.

*A exposição “Ficções” está sendo apresentada na Galeria Lunara que fica localizada na Usina do Gasômetro. A visitação pode ser feita das 10h às 22h, até dia 30.

Francine Nunes

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