Júlia Rebouças ministra o segundo seminário do CEN 2011

Júlia Rebouças ministrou o segundo seminário do CEN 2011 na tarde de terça-feira. Curadora assistente do Instituto Inhotim, ela também é membro da Red Conceptualismos del Sur de pesquisadores da América Latina. A seminário de Júlia, denominada “Diálogos possíveis”, se concentrou no relacionamento entre a área dela (artes visuais) e o audiovisual, por meio também da exibição de filmes. Além disso, Júlia dedicou boa parte da sua fala a apresentar o Instituto Inhotim e seus projetos.

Para iniciar o debate, Júlia disse ser importante trazer seu “estrangeirismo”  (já que ela trabalha com artes visuais), enfatizou que os vídeos que iria passar poderiam ser exibidos tanto em uma mostra de cinema quanto em uma bienal. Foram apresentados os filmes Word/World (2001), de Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães; 0778, da série Vídeo-Rizomas (2004) de Marcellvs L., e os vídeos Mixed Behaviour (2003), de Anri Sala e Confronto, da série Unus Mundus (2005), de Cinthia Marcelle.

Júlia destacou que o próprio nome da palestra tematiza a possibilidade de criar uma linguagem própria, de estabelecer uma forma diferente de aproximação com a arte, fundamentada em relações diferentes com a noção de tempo. Para isto, o Instituto Inhotim, do qual ela faz parte, procura valorizar e explorar o acervo, criando um repertório para o visitante. A arte como mera contemplação não é o objetivo do Instituto, que procura ações diversas para aproximar o público da arte contemporânea, tão classificada como “hermética” e “difícil”.

Para isto, Júlia falou também bastante da importância da relação com a cidade. Exibiu imagens do Instituto e explicou os seus projetos, que têm uma preocupação constante com a educação e com a capacitação de professores e monitores. São realizadas oficinas, cursos de capacitação e atividades educacionais. Ainda existe o projeto de inclusão social, que procura também proporcionar ferramentas para comunidades desenvolverem seus projetos.

Júlia não só explicou as atividades desenvolvidas pelo instituto, como também falou sobre a relação com a comunidade e apresentou o espaço por meio de imagens da área verde do Instituto. Foi possível ter uma ideia do todo, panorâmica, por meio até do mapa do Instituto. Durante o percurso das fotografias, Júlia ressaltou a importância de se perder no caminho, se deter mais em alguns aspectos, ter uma relação diferente com o tempo, o que é incentivado pela própria concepção do Instituto.

Impressões sobre o CEN 2011

Sobre o CEN, Júlia afirma que tinha a ideia de um festival preciso na escolha dos filmes e que entende o cinema de uma maneira mais ampla, com muitos diálogos e poucas barreiras. Segundo ela, suas expectativas estão sendo confirmadas da melhor maneira. Na sua visão, a mostra está afinada, e as mesclas das mostras internacionais e das competitivas dão o tom do cuidado com a linguagem, o cuidado estético e o apuro do festival.

Com relação à proposta do CEN e às fronteiras entre as artes visuais e o cinema, Júlia acredita que a arte deve inovar, criar novos espaços, novos campos, novas linguagens. O que separa cinema e artes visuais, na visão dela, é uma questão de circuito.

Assim, muitas produções audiovisuais exibidas em salas de cinema cabem em exposições, bem como muitas trabalhos produzidos para exposições cabem em salas de cinema. Não há nada na linguagem, ressalta Júlia, no conteúdo ou na forma que faça distinção entre artes visuais ou cinema.  Filmes que apontem questões importantes, que comuniquem uma coisa de maneira bem sucedida no sentido estético e poético podem ser entendidos como uma obra de arte no sentido museológico sem nenhum problema, conclui.

Bruno Maya

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