Leo Felipe ministra o quinto seminário do CEN 2011

Leo Felipe, jornalista, escritor e gerente artístico da Fundação Ecarta, foi o quinto integrante do júri a ministrar seminário no CEN 2011. Leo esteve à frente, nos anos 90, do Garagem Hermética, reduto da cultura underground em Porto Alegre, e palco de manifestações artísticas diversas. Com o título “Search & Destroy: o rock na arte contemporânea”, o seminário procurou relacionar o início do rock com a arte contemporânea.

A referência inicial básica de Leo foi a famosa Factory, de Andy Warhol. Com imagens e capas de discos famosos, ele procurou ressaltar a atuação de Andy Warhol no rock e sua relação com o Velvet Underground, que já mesclava inúmeras linguagens, tais como projeções e performances com shows ao vivo.

Este cenário dos Estados Unidos dos anos 70, que era propício à experimentação artística e via o rock considerado underground nascer, favoreceu o início a arte pop de Andy Warhol. Leo destacou que foi a partir dos trabalhos de Warhol que se mudou a forma de se pensar a arte. Referiu-se também, como marco na história da arte, à Duchamp, que é anterior.

Influenciado por esta nova forma de conceber a arte, Leo citou a relação de John Lennon com a arte e seu envolvimento com Yoko Ono, que para muitos foi a razão do término dos Beatles. Yoko era artista plástica e era imensamente influenciada por formas híbridas de manifestação e pela arte contemporânea. Além disso, Leo lembrou de Pollock e da revolução do que se passou a chamar de action painting. O artista muda o modo de se fazer pintura e influencia inúmeros sucessores.

Mas o destaque maior foi para a relação com o rock do artista brasileiro Helio Oiticica. Oiticica também trabalhava com vários suportes e formas de se pensar a arte, e foi a partir do título de um trabalho seu que surgiu o nome do movimento da música brasileira: Tropicália. Leo falou e mostrou uma imagem da obra Cosmococas, de Oiticica, que é influenciada pelo rock dos anos 70 e pela atmosfera da época.

Impressões sobre o CEN 2011

Sobre o CEN 2011, Leo Felipe destacou a programação e a organização. Segundo Leo, o mais importante é a circulação de pessoas e de informação. O festival tem realizadores de muitos lugares e influências, o que propicia a circulação de ideias e de pensamentos.

Leo considera que estamos em um momento em que as artes estão híbridas e transdisciplinares: “acabei de sair de uma palestra que relacionava rock e cinema, e é uma coisa muito presente hoje. É muito esperto o festival perceber isso e trazer este tema”, ressalta.

Bruno Maya

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