Mostras Competitivas do CEN 2011: um panorama do “cinema pós-industrial” brasileiro


- Sétima edição do festival em Porto Alegre terá 12 longas, incluindo três trabalhos inéditos em festivais, selecionados entre 82 filmes inscritos para seleção 

- Mostra de 27 curtas e médias-metragens em competição reúne obras audiovisuais de todos os gêneros

- Programação completa do festival traz várias outras atividades que colocam em questão a imagem


CineEsquemaNovo 2011 – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) realiza sua sétima edição entre os dias 23 e 30 de abril com a maior mostra competitiva de longas-metragens programada até hoje: serão 12 filmes, incluindo três trabalhos inéditos em festivais e outros premiados em encontros no Brasil e no exterior. Completam a programação competitiva deste ano 27 curtas e médias-metragens, vindos de todos os gêneros audiovisuais e de todas as regiões brasileiras, em um panorama do melhor da produção independente contemporânea do País. As obras foram selecionadas a partir de um total de 82 longas e 827 curtas e médias inscritos através do envio de DVDs ou de links para assistência pela internet.

Os trabalhos selecionados pelos sócios e curadores do CineEsquemaNovo (Alisson Avila, Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame, Morgana Rissinger e Ramiro Azevedo, atualmente espalhados pelas cidades de Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Lisboa) refletem um momento bastante particular do cinema independente brasileiro. Este é um cinema de proposta aberta e que traz muito mais perguntas do que respostas, inquieto e ensaístico em sua essência. São obras que indagam e questionam a si próprias, os seus anseios, objetivos e razões de ser – e que, ao não se preocuparem com amarras formais narrativas, ou formatos de captação e finalização, guardam um frescor que traz consigo um necessário sabor de insubordinação. A opção por manter um júri de seleção fixo garante a identidade e unidade da proposta estética do CEN, ao mesmo tempo em que proporciona uma evolução de valores a cada edição (leia mais sobre o processo de seleção dos filmes aqui). 

Ao direcionar seu olhar a esta produção, o CEN se coloca como um espaço destinado não só à exibição de filmes, mas também – e tão importante quanto – ao pensamento e ao debate sobre assuntos diversos que gravitam em torno de um tema único: o status da imagem na contemporaneidade, assunto colocado em cheque em diversos tipos de manifestações artísticas, algumas delas contempladas pelo festival.

Este “problema” é traduzido pelas mostras competitivas de longas, médias e curtas, que apresentam um cinema híbrido e dotado de fortes intersecções com as artes visuais, mas também pelas outras atividades que compõem a programação do CineEsquemaNovo em sua sétima edição. Entre elas, a videoinstalação do artista mineiro Pablo Lobato, “Expiração 02”, que discute a materialidade da imagem; o Panorama Internacional de Festivais, mostra composta por programas especiais de festivais europeus de cinema, vídeo, artes visuais, media art e cultura digital; e uma exposição de imagens em fotografia e vídeo produzidas por artistas que confluem ficção e documentário em suas obras.

Em 2011, o CineEsquemaNovo mantém a proposta que o acompanha desde a sua primeira edição: o incentivo permanente à criatividade e à autoria na produção audiovisual, por meio da valorização de quatro princípios essenciais: a criatividade, a inovação, a surpresa e a experimentação.

A consolidação deste caminho contribuiu para transformar o CineEsquemaNovo em um encontro de obras e realizadores de todo o País que extrapolam as ideias de “cinema” ou “artes visuais”. Porto Alegre torna-se, a cada edição, um ponto de encontro de quem acredita e produz imagens através de caminhos alheios aos processos industriais de criação audiovisual. A semana do CEN é hoje um momento que reúne parte significativa da comunidade brasileira de realizadores independentes, sejam eles vindos de salas de cinema ou galerias de arte; de cineclubes ou fóruns online; de autorias solitárias ou coletivos criativos; e de artesanatos analógicos ou interfaces tecnológicas.

Toda a programação será exibida gratuitamente, de 23 a 30 de abril, na Usina do Gasômetro, Cine Santander Cultural, Cine Bancários e Atelier Subterrânea.

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