Oficina de Crítica do CEN 2011: saiba como foi

Foto: Roberto Vinicius

A oficina de crítica do CEN 2011, atividade realizada no CineBancários, teve seu último encontro na quarta feira. A oficina foi realizada em três dias e cada encontro tinha a duração de três horas. Embora tenha sido pouco tempo, como destaca Marcus Mello, ministrante da oficina e crítico das revistas Teorema e Aplauso, a ideia foi proporcionar aos participantes noções dos requisitos necessários para fazer crítica de cinema e das implicações da atividade de crítico, para que os participantes saibam como podem se aperfeiçoar.

Alguns dos principais pontos destacados foram: o domínio da escrita, ou seja, ter um bom arsenal gramatical e conhecer as normas e regras da língua portuguesa, e dominar o assunto sobre o qual o crítico se propõe a escrever. Deste modo, ele deve ter uma bagagem de conhecimento: saber sobre a história do cinema, os diretores, a sua filmografia, suas referências.

Neste sentido, Marcos destacou que é pouco tempo para dizer que a oficina vai formar um crítico, pois isto exige bem mais trabalho. “A ideia da atividade é pelo menos mostrar aos alunos o que necessário e o que é fundamental para a atividade da crítica”, ressalta Marcos. O curso proporciona, então, reconhecer o que eles já têm e o que lhes falta, e que assim os participantes possam aprimorar sua formação.

Além disso, acrescenta Marcos, a oficina procurou mostrar como se constrói um texto crítico, por meio de exercícios, leituras e discussões. Os textos debatidos eram de outros críticos, dos alunos e do próprio Marcos. “Claro que não se consegue fazer isso com a extensão que seria recomendável, pelo pouco tempo”, pondera. Mas, a partir desse trabalho, fica mais claro para o aluno como é feita a argumentação e a análise do filme em um texto crítico.

Com relação a este ano, Marcos ficou muito satisfeito com a atividade, e o sucesso do debate se deu em razão do interesse dos participantes, que permaneceram comprometidos e dispostos a trabalhar. “Não tivemos evasão, como às vezes acontece de na segunda aula vir a metade das pessoas e na terceira menos ainda”, ressalta Marcos. A oficina manteve um grupo interessado, apesar da heterogeneidade: contava com gente de diferentes idades e gostos.

Foto: Roberto Vinicius

Impressões sobre o CEN 2011

Segundo Marcos, desde a primeira edição o festival primou pela experimentação e pelo destaque a filmes que fazem também o diálogo entre o cinema e as artes plásticas, sem a preocupação narrativa do cinema tradicional. Para Marcos, o fato de o filme ser experimental, por si só, não garante a sua qualidade. A possibilidade de um filme experimental ser bem sucedido é menor do que um filme tradicional, ele afirma, pois quem se propõe a experimentar está mais propício a errar.

Entretanto, Marcos considera fascinante essa imperfeição, pois ela mostra que são diretores que não têm medo do risco. “Evidente que essa opção da curadoria acaba afastando muito do público”, afirma. Mas este é um risco que a organização do festival opta por correr e Marcos acha positivo o fato do cinema brasileiro estar em um momento bom, com diretores que ganham reconhecimento aqui e também no exterior.

* O CineEsquemaNovo oferece um prêmio para o melhor filme eleito pelos integrantes da oficina de crítica. Neste sábado, os participantes da oficina se reúnem para decidir o prêmio, que será anunciado à noite, durante a premiação oficial do CEN 2011.

Bruno Maya

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