“Os Residentes” é tema de debate com a presença do diretor e equipe

Na terça-feira, dia 26, aconteceu a projeção de “Os Residentes” no Cine Santander Cultural, seguida de um debate aberto ao público com Tiago Mata Machado, diretor do filme, e Morgana Rissinger, Cinthia Marcelle e Aline X, integrantes da equipe de produção do longa.

“Os Residentes”

O filme ganhou prêmios de Melhor Atriz (Melissa Dullius), Melhor Atriz Coadjuvante (Simone Sales de Alcântara), Melhor Fotografia (Aluizio Raulino) e Melhor Trilha Sonora (Andre Wakko, Juan Rojo, David Lanskylansky e Vanessa Michellis) no Festival de Brasília, e Melhor Filme na Mostra de Cinema de Tiradentes. Além disso, ganhou exibição em uma mostra paralela da última edição do Festival de Berlim, em fevereiro deste ano, e será exibido em maio no IndieLisboa.

Os Residentes” mostra um grupo de pessoas que se instala em uma casa abandonada e instaura uma “zona autônoma temporária”, um modo particular de viver sem seguir regras. Morgana Rissinger, Cinthia Marcelle e Aline X comentaram brevemente o processo de produção e direção artística, já que o projeto envolvia o trabalho intenso de um grupo de pessoas convivendo em uma casa durante 60 dias.

Tiago ressaltou a importância do método de filmagem para o resultado final do trabalho e comentou que “toda boa filmagem deve ser um bom complô entre as pessoas que participam do filme, tanto no que se refere ao trabalho com os atores quanto ao processo de filmagem, edição e finalização do filme”. O diretor acrescenta que lhe interessam “as intenções por trás do filme, algo que pouca gente dá importância, mas que é essencial para a composição final do trabalho”.

// Tiago Mata Machado fala ao blog do CEN sobre “Os Residentes” logo após a sessão seguida de debate sobre o filme //

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Uma destas intenções era explorar a busca por uma interlocução entre o cinema e as artes visuais e envolveu como método o convívio intenso e íntimo da equipe de filmagem em uma casa abandonada (locação do filme). Um processo semelhante àquilo que vivem os personagens do filme, um autoexílio desregrado como ato de resistência ao fim das vanguardas.

Com referências explícitas a pensadores como Nietzsche e Guy Debord, o filme se materializa a partir desse processo de mistura, de complô, de afeto e atrito. Tiago então confirma a importância desta imersão e convivência intensa como modo de produção, pois desta forma seria possível repotencializar ou despotencializar uma questão que julga de grande importância, a ruína das vanguardas no século XXI. E conta que “era necessário que esse processo envolvesse um método de trabalho extremamente intenso, já que os personagens deveriam demonstrar todo seu descontentamento com a morte das vanguardas, e era isso que queríamos discutir, como um grupo de órfãos das vanguardas do século XX conseguiriam viver e conviver com seus instintos, seus ideais e seus manifestos”.

Tiago foi júri do CineEsquemaNovo em 2003 e seu primeiro longa-metragem, chamado “O Quadrado de Joana”, foi selecionado para o CEN 2007.

Jamer G. Mello

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