PROGRAMAÇÃO CEN-E 2015

 

O Cine Esquema Novo Expandido é a mostra especial que, intercalada a cada ano com a versão integral e competitiva do festival Cine Esquema Novo, oferece ao público um recorte mais específico das relações entre o cinema autoral e a videoarte no Brasil e no mundo.

Este ano, o CEN-E traz a Porto Alegre (e também ao Rio de Janeiro, na Semana dos Realizadores) uma seleção exclusiva de filmes e videoinstalações da seção Forum / Forum Expanded do Festival Cinema de Berlim. Uma programação que equilibra-se sobre a fértil linha que perpassa a arte e o cinema e que é entendida pelos organizadores do encontro alemão como a mais ousada em sua abordagem: seja pelo viés “do Avant Garde, das obras experimentais, dos ensaios, das observações de longo prazo, da reportagem política e das paisagens cinematográficas que ainda estão por ser descobertas” (Forum), seja “pela ocupação de diversos espaços da cidade com filmes, vídeos, instalações e trabalhos de performance, fornecendo uma perspectiva crítica e um sentido expandido para a cinematografia” (Forum Expanded).

Foi sobre este universo que os curadores convidados Gustavo Spolidoro e Jaqueline Beltrame, diretores do CEN ao lado de Alisson Avila e Ramiro Azevedo, trabalharam para montar a programação que chega às duas cidades brasileiras com entrada gratuita.

Confira a programação de Porto Alegre de 03 a 08 de Novembro e saiba mais em cineesquemanovo.org:

 

NO CINEMA

Sala P.F. Gastal / Usina do Gasômetro
Av. Pres. João Goulart, 551 – Centro Histórico
Entrada Franca

 

* Terça, 03/11 – 20h
The Forbidden Room, de Guy Maddin e Evan Johnson (Canadá)
2015, 120min (Forum)
Uma tripulação de submarino, um temido grupo de bandidos da floresta, um cirurgião famoso e um batalhão de crianças soldados todos recebem mais do que o esperado conforme avançam com ideias progressivas sobre a vida e o amor.

 
* Quarta, 04/11 – 20h
Iec Long, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata (Portugal)
2014, 31min (Forum Expanded)
Macau, ilha de Taipa, 2014. Foi em Macau que primeiro se ouviu a palavra panchão. Do chinês, “pan-tcheong” ou “pau-tcheong”, consta nos dicionários como um regionalismo macaense também chamado “estalo da China” ou “foguete chinês”. Quem vive na antiga Fábrica de Panchões Iec Long?
+
Beira-Mar, de Filipe Matzenbacher e Márcio Reolon (Brasil)
2015, 83min (Forum)
Martin e Tomaz passam um fim de semana imersos em um universo próprio. Alternando entre distrações corriqueiras e reflexões sobre suas vidas e sua amizade, os garotos se abrigam em uma casa de vidro, à beira de um mar frio e revolto.

 
* Quinta, 05/11 – 20h
A field guide to the ferns, de Basma Alsharif (Palestina)
2015, 11min (Forum Expanded)
Um filme de terror da natureza. “Selvageria primitiva encontra a brutalidade do mundo moderno na peça atemporal do terror de Ruggero Deodato”. O filme ‘Holocausto Canibal’ é revivido nas profundezas das florestas de New Hampshire, onde a apatia e a violência se turvam.
+
La Maldad, de Joshua Gil (México)
2015, 74min (Forum)
Um homem decidido, uma amizade destruída, um país em catarse. Rafael é um camponês ancição que decide escrever a história da sua vida no que considera um roteiro cinematográfico. Cegado pela convicção de realizar seu filme, trai o seu único amigo para conseguir viajar à capital em busca dos fundos necessários. La Maldad é a história de um homem abraçado com a solidão e a falta de esperança.

 
* Sexta, 06/11 – 20h
Counting, de Jem Cohen (EUA)
2015, 111min (Forum)
Os quinze capítulos de Counting unem sinfonias urbanas, filme diário e ensaios pessoais/ politicos (os enteados indisciplinados do documentário) para construir um retrato vívido da vida contemporânea. Filmado em locações que incluem Rússia, Istambul e Nova York, seus temas passam pelo teatro de rua espontâneo de Moscou, pela a espionagem da NSA até a destrução de marcos do Brooklyn. Na exploração de 30 anos de Cohen do documentário como um caminho de questionamentos abertos, o filme é talvez seu cômputo mais pessoal. 

 
* Sábado, 07/11 – 18h30
Freie Zeiten (After Work), de Janina Herhoffer (Alemanha)
2015, 71min (Forum)
Uma banda de garotas faz música. Mulheres em um curso de emagrecimento falam sobre seu sucesso em perder peso controlando o que se come. Adolescentes saem para dançar ou fazer compras. Uma representação de conflitos profissionais é realizada em um encontro de um grupo de homens. Outras pessoas fazem ioga, meditam ao som de vasos cantantes tibetanos, se aquecem falando bobagens ou correm em círculos em um ginásio. Um documentário que mira o seu olhar em atividades de grupo. Existe algo levemente insano em ver uma turma inteira de ioga pendurada de cabeça para baixo por cordas, uma imagem que fascina e aliena em quantidades iguais. Em momentos assim, os protagonistas aparecem como criaturas desconhecidas performando estranhos rituais. O filme permanece os ouvindo e assistindo com verdadeira precisão. A câmera estática e enquadramentos cuidadosamente planejados geram claridade e concentração. A montagem consegue trazer um cilma de abstraçaõ dessas observações concretas de situações recorrentes. Um retrato do tempo livre surge como um projeto para tratar do próprio corpo, da consciência ou das habilidades performáticas, seja através da disciplina, de jogos ou de conversas. Não se podia imaginar que uma pesquisa sobre o lazer poderia ser tão visualmente rica.

 
* Sábado, 07/11 – 20h
Escape from my eyes, de Felipe Bragança (Brasil / Alemanha)
2015, 33min (Forum Expanded)
“Eles vêem um homem negro e pensam que viram um leão.” Documentário e imagens ficcionais se misturam para contar as memórias e sonhos de três refugiados de guerra vivendo acampados em uma praça no coração de Berlin.
+
Hotline, de Silvina Landsmann (Israel / França)
2015, 100min (Forum)
Hotline vai ao cerne de uma ONG baseada em Tel Aviv: A Hotline para Imigrantes e Refugiados. Em proporção inversa à pequena escala dessa organização dos direitos humanos, as questões com que eles lidam são enormes, assim como os números daqueles que procuram ajuda.

 
* Domingo, 08/11 – 20h
Twenty-eight nights and a poem, de Akram Zaatari (Líbano)
2015, 120min (Forum)
Em parte um estudo do trabalho de um estúdio fotográfico na metade do século XX e parte uma exploração da essência atual dos arquivos, o filme tenta entender como esse modo de produzir imagens funcionava na vida das comunidades que servia e como ele deixou de existir, e onde isso levou? Ele se passa entre a Arab Image Foundation, onde a maior parte da coleção de Hashem el Madani está preservada hoje em dia, e o Studio Shehrazade em Saida, onde o fotógrado ainda passa o tempo cercado por suas velhas máquinas, ferramentas, fotografias, negativos e o que restou de milhões de transações que se passaram por lá. É uma reflexão sobre a criação de imagens, sobre a indústria da criação de imagens, sobre a idade e sobre a vida que permanence e continua a crescer em um arquivo. Tudo é apresentado nesse filme através de um conjunto de intervenções encenadas das quais o próprio Madani faz parte.

 


NA GALERIA

Cinemateca Capitólio
Rua Demetrio Ribeiro, 1085 (esquina com Borges de Medeiros) – Centro Histórico
Entrada Franca

de Terça a Domingo, 03 a 08 de Novembro:
terça a sexta, das 9h às 21h / sábado e domingo, das 15h às 21h

 

* Opaque, de Pauline Boudry e Renate Lorenz (Suíça / Alemanha)
2014, 10min (Forum Expanded Exhibition)
Uma cortina, dois intérpretes dentro dos restantes de uma antiga piscina pública. Os intérpretes dizem ser os representantes de uma organização do submundo. A cortina está lá para o anonimato deles. O publico já foi embora, o lugar parece abandonado. Quando a cortina é removida, outra aparece. Essa, uma zebrada rosa, une a técnica de guerra da camuflagem com o estilo de roupas-homo e se torna um mostruário para a entrada de grandes quantidades de fumaça. A densa fumaça talvez venha de bombardeios, ou é liberada como um sinal durante uma demonstração política. Depois, um discurso é proferido, baseado em um texto de Jean Genet. O assunto? O desejo por um inimigo impecável adequado. Ele abre a questão de como se mover para frente na guerra ou em uma luta de resistência sem nenhum inimigo declarado ou ‘visível’. As cortinas e a fumaça dão o “direito à opacidade” (Edouard Glissant) para os corpos que eles mascaram e disfarçam? Ou elas turvam as linhas que separam um do outro, entre cúmplice e inimigo?

 
* Je proclame la destruction, de Arthur Tuoto (Brasil)
2014, 4min, (Forum Expanded Exhibition)
Dois planos do filme “Le diable probablement” (1977), de Robert Bresson, são repetidos em um loop, criando um cíclico e interminável raccord. A constante repetição da frase “Je proclame la destruction” (Eu proclamo a destruição) revela um mantra anarquista de poder universal e atemporal.

 
* Viventes, de Frederico Benevides (Brasil)
2015, 21min, (Forum Expanded Exhibition)
Fortaleza é uma das muitas cidades brasileiras passando por um processo de “Miamização”, dando origem a uma área blindada e impenetrável para a maioria de seus habitantes. Moreira Campos foi um escritor de olhar cirúrgico para as imagens transparentes das formas de vida de seus habitantes que hoje desaparecem sem deixar rastro. Sua casa, por exemplo, foi demolida para que se construísse ali um estacionamento para abastecer mais um shopping da cidade. Esse trabalho tenta tocar a transparência das imagens desses habitantes e os impasses trazidos por esses processos de formalização da vida.

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *