Resistência em Película – intro

Wolkenschatten - Anja Dornieden e Juan David González Monroy

Wolkenschatten – Anja Dornieden e Juan David González Monroy

Mostra Resistência em Película: técnicas para fazer arte 

É inegável que a maior facilidade de acesso à produção digital acarretou uma ampliação das visões, narrativas e estéticas do audiovisual brasileiro. Nesse momento do começo do século XXI o Cine Esquema Novo surgiu, atento, abrindo uma janela que revelou coisas estranhas e maravilhosas. Hoje, essa janela não pode mais ser fechada. Essas coisas estranhas estão por aí, maravilhando.

É esse o espaço para o qual o olhar curatorial do CEN sempre esteve voltado: ao que escapa, ao que não se curva, ao que questiona e ao que resiste. E é neste espaço que esta mostra deseja estar.

Em um momento em que a produção audiovisual utiliza predominante meios digitais, a curadoria para Resistência em Película busca propor uma discussão sobre a manutenção de técnicas analógicas na imagem em movimento, através da sua difusão, preservação e experimentação com as possibilidades estéticas que o trabalho em película permite ao artista.

Pensando nisso, colocamos em foco dois importantes artist-run film labs da Europa, o LaborBerlin (Alemanha) e o Worm.Filmwerkplaats (Holanda), ambos voltados ao desenvolvimento de técnicas de produção em película, e que privilegiam a difusão e manutenção destes conhecimentos. Organizamos um programa com obras realizadas pelos integrantes dos dois labs, trazendo um pequeno panorama dessas (inúmeras) possibilidades de experimentação.

Para ampliar o alcance dessa conversa, vamos nos debruçar também sobre a produção do duo OJOBOCA. O duo, composto por Anja Dornieden (Alemanha) e Juan David González Monroy (Colômbia), vem a Porto Alegre a convite do CEN, do Goethe-Institut e da Pátio Vazio para apresentar alguns de seus filmes e oferecer uma oficina de revelação experimental e copiagem manual em 16mm, além de uma conversa com o público sobre o trabalho que desenvolvem e de sua experiência como membros do LaborBerlin.

Iremos exibir, nesta mostra, 13 obras em 16mm. Será um pequeno mergulho – ou melhor, vamos colocar o pé na agua, o mergulho fica por conta de cada um!

E quem sabe depois desse mergulho possamos ter um lugar para desenvolver e manter esse conhecimento vivo, ativo, aqui em Porto Alegre? Está lançada a ideia. E se o que importa realmente no audiovisual é propor ideias, sensações, visões de mundo, façamos isso de todas as formas, e em todas as bitolas!

Luciana Mazeto, Vinícius Lopes e Pátio Vazio

 

 

 

 

 

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