Segundo dia da Mostra competitiva de curtas e médias: “Náufragos”, “Meu Avô, o Fagote”, “Wannabe”, “Quatorze” e “My Way”

Encontro e aproximação foram as palavras-chaves do debate da segunda noite da mostra competitiva de curtas e médias. “Náufragos”, de Gabriela Amaral Almeida e Matheus Rocha (BA/SP); “Meu Avô, o Fagote”, de Tatiana Devos Gentile (RJ); “Wannabe”, de Maurício Ramos Marques (PR); “Quatorze”, de Leonardo Amaral (MG) e “My Way”, de Camilo Cavalcante (PE) foram os filmes exibidos.

Realizadores e o público durante o debate

“Náufragos”, de Gabriela Amaral Almeida, traz uma irreverência para tratar da questão da morte e da velhice. Segundo a realizadora, a idéia original do curta surgiu de um vídeo no Youtube em que um idoso ensinava passos de disco-dance. “Dessacralizar esse lugar do idoso, do velho”, explica, e assim se aproximar do universo “idoso” através do humor. Além do mais, o cenário (a casa, os móveis, o vídeo na televisão) mistura temporalidades diversas que acompanham a trilha sonora e a atuação das atrizes (a idosa e a empregada), e por fim, trazem um questionamento sobre a própria lucidez da personagem principal do curta.

Em “Wannabe”, de Maurício Ramos Marques, temos uma história de aproximação e delírio entre vizinhos. O diretor explicou que “Wannabe” está relacionado à apotemnofilia, um fetiche por pessoas que tenham alguma parte de seus corpos amputada. O som é trabalhado também pra dar um tom de fantasia e repulsa dada pelo próprio tema do filme.

Tatiana Devos Gentile, diretora de “Meu Avô, o Fagote”, apresenta um curta que mostra a relação dela com o avô. Trata-se, como dito por um realizador presente na platéia, um documentário que traz a relação de alteridade entre os dois. “Eu tenho uma idéia muito forte de que era um filme sobre a relação, mais que um filme sobre ele, sobre a importância dele na área, é sobre a minha relação com ele e dele com a música”, enfatiza. Tatiana coloca que a construção do filme se deu muito durante a filmagem (com câmera na mão) e a montagem, e destaca uma “auto-encenação” do avô que se deixa levar pelo improviso do filme. O deixar a câmera ligada em um momento do choro do avô e da ambiguidade entre o papel de neta e cineasta foram questões também discutidas no debate. A leitura da partitura foi a cena mais comentada, devido ao seu lirismo.

Debate após a mostra de curtas e médias

Tristeza e alegria, música e choro se mesclam em “My Way”, de Camilo Cavalcante. A narrativa do filme nos leva a acompanhar o caminho do personagem até a sua estafa emocional no meio da multidão. Não se trata de uma critica direta ao carnaval, mas de um questionamento sobre onde fica a melancolia na “maior festa da alegria”. A música “My Way”, de Frank Sinatra, dá o tom crescente para a saga do personagem.

“Quatorze”, de Leonardo Amaral (assistente de “A Janela (ou Vesúvio)”), também está na mostra competitiva de curtas e médias). Leonardo trata com certo humor a questão da distância e verticalização das relações dada pelo aumento de prédios. Os diálogos criados a partir das imagens editadas acompanham o zoom usado: esse é máximo de aproximação que se tem. Os comentários trouxeram a lembrança de um outro curta, “O Fantasma”.

Gustavo Spolidoro salientou como é interessante a troca entre realizadores durante os festivais, como o CineEsquemaNovo, além de ter sido destacado a relêvancia de se fazer um cinema a partir de formas mais coletivas e colaborativas.

Francine Nunes

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