Terceiro dia da mostra de curtas e médias: “A Felicidade dos Peixes,” “Como é Bonito o Elefante”, “Número Zero”, Último Retrato” e “Balanços e Milkshakes”

A terceira noite da mostra de curtas e médias-metragens da sétima edição do CineEsquemaNovo contou com a exibição de cinco filmes na sala do Cine Bancários. Marcados por uma diversidade de linguagens audiovisuais, mas ao mesmo tempo igualados no sentido de revelar uma humanidade dos personagens que ultrapassa as formas clichês de tratar de temas como morte, solidão, adolescência, miséria, as obras potencializaram o que já tem sido mostrado durante o festival. No debate, mediado por Gustavo Spolidoro, estiveram quatro realizadores, apenas Cláudia Nunes (“Número Zero”, GO) não pôde estar presente (ao clicar no título do filme você poderá ler as entrevistas feitas com os realizadores).

Debate após a sessão. Foto de Betânia Dutra.

“A Felicidade dos Peixes” (PB), de Arthur Lins remeteu o debate para o personagem do curta. Nele encontramos um sujeito absorvido por uma vida entediante. Para o realizador, importou fazer um filme que trouxesse essa abordagem de que a vida não é emocionante o tempo todo, mas feita de banalidades. Os detalhes e sentimentos apresentados se revelaram como as chaves para aproximar o espectador de um personagem que num primeiro momento não chama atenção. Arthur também comentou sobre a música que finaliza o curta (“Felizes são os peixes”, do Titãs), que para ele serve para dar um contraste no ritmo da narrativa.  “Filmes a granel” é o coletivo de produção audiovisual que Arthur integra.

Em “Último Retrato” (RJ), de Abelardo de Carvalho, somos atingidos pelo tema da morte a partir de fotografias post-mortem de crianças tiradas no começo do século XX pelo fotógrafo Juca Pereira. Para Abelardo, que efetuou uma pesquisa iconográfica e levantamento de arquivos pessoais, o curta se refere mais ao tema da memória e perpetuação da morte, do que propriamente da morte enquanto sofrimento. O distanciamento temporal também é dado a partir do uso da língua esperanto no filme.

Lucas Barbi, um dos diretores de “Como é Bonito o Elefante” (RJ/MG/FRA), junto com Juruna Mallon, falou sobre o processo de concretização do filme, que traz uma história sobre desprendimento, lembranças e retorno. O tom poético é contornado por belas imagens das ruas e lugares de Paris, que segundo o realizador, trata-se de uma brincadeira com a idéia de que a cidade francesa é tida como um cartão postal em todos os seus ângulos. A atriz, que ajudou também na concepção do roteiro, parece estar se apresentando para nós, espectadores, encantados com as rememorações.

Realizado com técnica de rotoscopia, “Balanços e Milkshakes” (MG), de Erik Ricco e Fernando Mendes, traz personagens que foram gravados em Mini-dv e depois digitalizados e pintados com aquarela. Victor Dias, integrante da produtora Apiário, participou da realização do filme e esteve no debate. O grande mérito do filme é trazer o tema da  adolescência de uma maneira menos forçada do que geralmente ela é tratada. Talvez essa sensação seja percebida  justamente por ter sido realizada uma animação.

Francine Nunes

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