William Raban, pioneiro do cinema expandido, vem ao Brasil pela primeira vez no CEN-E

O Cine Esquema Novo Expandido, em correalização com a Prefeitura de Porto Alegre / Coordenação de Cinema, Video e Fotografia da Secretaria Municipal de Cultura, e em colaboração com a 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre, traz pela primeira vez ao Brasil o artista e cineasta inglês William Raban.  Um dos pioneiros das práticas relacionadas ao cinema expandido e ao cinema experimental no mundo, Raban estará presente na abertura do CEN-E, dia 19 de junho, quando um barco navegando pelo Rio Guaíba ao fim do dia vai exibir seu longa-metragem Thames Film. No dia 20, o artista realiza uma Masterclass na Sala P. F. Gastal e acompanha a abertura de suas videoinstalações dentro da Usina do Gasômetro, onde ultrapassam o encerramento do festival (30 de junho) e ficam abertas à visitação até a segunda metade de julho.

Raban iniciou a sua produção na virada das décadas de 1960 e 1970. Sua formação artística começou ligada às artes plásticas, mas antes mesmo de concluir o bacharelado em pintura pela Saint Martin School of Art, Raban começou a fazer filmes. Desde então são mais de 40 obras audiovisuais, produzidas em diferentes suportes e formatos, e exibidas em diferentes circuitos, das salas de cinema aos museus e espaços voltados à arte contemporânea.


William Raban


A escolha de um nome seminal do cinema expandido para participar na edição de 2013 do Cine Esquema Novo converge com os novos rumos do festival e a proposta de oferecer uma visão ampliada do que seja a experiência do cinema. A obra de William Raban, para além da produção de efeitos estéticos particulares, apresenta também um tipo de pesquisa sobre linguagens possíveis para a produção de imagens em movimento, sobretudo no âmbito da não-ficção e das práticas experimentais. Um dos eixos sobre os quais o trabalho de Raban se debruça é a reflexividade: o cinema aparece em sua obra como uma linguagem do pensamento.

Se a presença abundante do audiovisual é hoje comum em exposições e bienais, o mesmo não se pode dizer do cenário do princípio dos anos 1970, quando Raban realizou suas primeiras experiências de exibição de filmes em múltiplas telas. Sky, de 1970, e River Tar, de 1971-72, foram obras que o artista concebeu para que só alcançassem seus efeitos plenos se exibidas simultaneamente e com a mesma velocidade. Se delineava ali a multiprojeção como característica comum ao seu trabalho e como referência para uma enorme quantidade de artistas contemporâneos.

Ela apareceria novamente em Diagonal, de 1976, em que três projetores exibiam o filme de seis minutos de duração também ao mesmo tempo, constituindo uma obra de caráter essencialmente experimental no sentido mais estrito do termo: testar, experimentar novos modos de fazer e exibir cinema.

Devido ao caráter bastante atual da obra de Raban em relação ao nosso tempo e todas as (boas) incertezas que vivemos no que diz respeito ao futuro do cinema e da produção de imagens, os seus trabalhos continuam sendo exibidos em mostras e exposições dedicadas ao cinema expandido. Diagonal, por exemplo, fez parte da exposição Expanded Cinema Extravaganza, realizada em 2009 em Canberra, Austrália. O mesmo aconteceu com Wave Formation, de 1996, exibida em 2004 em Dortmund, na Alemanha. E o Tate Modern em Londres realizou no ano passado uma atividade de retrospectiva do Filmaktion, grupo do qual Raban fez parte, com o seguinte descritivo: “endorsing a more active, participatory experience of cinema, they re-imagined the possibilities for film projection as a live event using multiple screen projections, live film performances and installations (…) incorporating elaborate projections and arrangements to create a sculptural, immersive and embodied space for cinema”.

Wave Formation - 2004 - Dortmund

Exibição de “Wave Formation” em Dortmund.


Por Gabriela Ramos de Almeida, Jamer G. Mello e Alisson Avila.

 

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