Artistas do CEN-E #5: Distruktur

O quinto post sobre os artistas brasileiros convidados a participar do Cine Esquema Novo Expandido apresenta o duo Distruktur, formado por Gustavo Jahn e Melissa Dullius. Ele nascido em Florianópolis, ela em Porto Alegre – e ambos vivendo em Berlim desde 2006 – procuram trabalhar na fronteira entre o cinema e as artes visuais, entre a ficção e a experimentação, entre a fotografia e as imagens em movimento. A dupla é participante assídua do CEN: Gustavo Jahn integrou o júri oficial do festival em 2004; em 2007, seu filme “Éternau” foi vencedor do prêmio de Experimentação Técnica em Concepção Artística; em 2009, “Triangulum”, filme produzido, roteirizado e dirigido por Gustavo Jahn e Melissa Dullius, foi exibido na mostra competitiva de curtas e médias-metragens do festival. Já na última edição do CEN, em 2011, o duo participou da mostra competitiva de curtas com o filme “Cat Effekt” e também como atores do longa-metragem “Residentes”, de Tiago Mata Machado.

Os trabalhos do Distruktur serão exibidos no Cine Santander Cultural em sessões no dia 26 de junho, às 17h e 19h (Programas #1 e #2). Os espectadores da sessão das 19h terão a oportunidade de participar de uma conversa com a dupla, a partir das 20h30. A instalação “Lux Interior”, também  de autoria de Melissa Dullius e Gustavo Jahn, terá vernissage no 25 de junho às 19h na Galeria Ecarta,  na noite de abertura das exposições que integram a programação do CEN-E.

DistrukturMelissa Dullius e Gustavo Jahn começaram a produzir cinema em Porto Alegre no coletivo Sendero Filmes, dirigindo ou cooperando com outros diretores em mais de uma dúzia de filmes em super 8 entre 2001 e 2003. Para a produção de “Éternau”, em 2004, deram início à produtora Avalanche, ao lado de Matheus Walter e Virginia Simone. Radicados em Berlim há quase sete anos, onde formaram o duo Distruktur, têm produzido uma vasta obra utilizando a película, explorando as suas particularidades funcionais e estéticas do meio como principal ferramenta. Em suas obras, é recorrente a centralidade que ocupa o trabalho exaustivo e manual com a película, assim como a narrativa não-linear, ou os fluxos de pensamento a que são submetidos seus personagens. Gustavo Jahn, em entrevista ao Cine Esquema Novo, afirma: “pra nós a película não é uma temática ou um fetiche, mas um meio material, uma ferramenta que dominamos há algum tempo”.

São artistas que produzem filmes num processo permanente, com os recursos que se encontram disponíveis: “Já filmávamos em película em Porto Alegre, ainda sem uma relação tão manual com o filme, e em Berlim conhecemos algumas pessoas em um laboratório que funciona como uma cooperativa ou uma associação, e aí a película acabou se tornando central. Obviamente tínhamos um interesse pela estética, não foi por acaso, mas o que nos motiva a trabalhar com a película não é apenas um intuito de causar um efeito pela textura ou pelas cores, mas o contato com ela mais como ferramenta, como um modo de fazer”. Confira abaixo uma imagem de “Navegação”, trabalho incluído na programação do CEN-E.

Navegação

O trabalho da dupla passa também por um processo de criação de filmes que se desenvolve a partir de situações criadas como dispositivo definidor das obras. Estas situações, por sua vez, delimitam algumas possibilidades de desenvolvimento técnico e narrativo, e é nesse contexto que o filme acontece: “dentro dessa situação é que vamos desenvolver um filme, fazer determinadas escolhas; quando a gente opta pela película a gente já delimita bastante essa situação, então as escolhas se reduzem, se limitam”. O processo de criação acaba se constituindo não apenas de forma inventiva, mas como um procedimento que é determinado por uma série de escolhas e pelas circunstâncias envolvidas na produção.

Um bom exemplo disso é o projeto que desenvolveram há alguns anos, chamado “Postcards”. Em cada cidade que passavam por um período curto de viagem, Melissa e Gustavo faziam uma pequena filmagem no intervalo de um dia, com um equipamento com capacidade para um rolo de apenas 30 metros. De certo modo, a invenção surge da limitação e o filme acaba tomando forma dentro dessas limitações pré-constituídas. A dupla comenta: “o importante é criar uma situação que delimite o próprio filme e a película foi a maneira que a gente encontrou de trabalhar esse processo, criamos um hábito por essa técnica, que possui suas limitações e dessas limitações é que surge algo poético, uma possibilidade, não uma garantia”. Abaixo, uma imagem do filme Triangulum, que também faz parte da programação do CEN-E.

Triangulum

Podemos dizer, portanto, que o duo Distruktur possui um processo de criação que passa totalmente pelas condições de produção, pela técnica. O projeto “Navegação”, que será exibido em Porto Alegre durante o CEN-E, é uma obra que exemplifica a proposta de trabalho da dupla, pois parte de uma série de filmes que foram feitos nos últimos sete anos, período em que Gustavo e Melissa estão morando na Alemanha, em um rolo de 1 hora. Trata-se de uma experiência que mostra um emaranhado de diferentes filmes e fragmentos extraídos de um arquivo de materiais já produzidos, e que de certa forma trazem à tona elementos que indicam uma importante continuidade na trajetória do Distruktur. A criação desse arquivo vivo de imagens, organizado de modo a ser retomado de acordo com a situação, faz parte dos processos artísticos do Distruktur no momento.

Confira o vídeo de introdução da participação do Distruktur no CEN-E:

* Crédito da foto do duo Distruktur: Joe Kake

Por Gabriela Ramos de Almeida e Jamer G. Mello

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