OFICINA E MOSTRA AUDIOVISUAL EM CURSO

De 27 a 28/06, das 11h às 13h, na Cinemateca Paulo Amorim.
Verifique a Classificação Indicativa.ia 01/07, 15h e 17h, na Cinemateca Capitólio

Como parte das atividades da Mostra Audiovisual em Curso, realizou-se, em 11 de abril de 2026, uma oficina voltada aos estudantes das seis instituições de ensino participantes desta edição.

Conduzida por Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo, a atividade apresentou os conceitos curatoriais do festival, os critérios de seleção das obras e os desafios da programação audiovisual contemporânea, ampliando a experiência formativa dos participantes e fortalecendo sua aproximação com o universo dos festivais de cinema. Os participantes também receberam orientações sobre como conduzir os processos de pesquisa e curadoria nos acervos audiovisuais das instituições que representam e, a partir disso, construíram os programas que integram a mostra.

PUCRS

28 de junho, 11h – Cinemateca Paulo Amorim

Curadores: Fernando Barberena, João Pedro Oliveira Petry, Emanuell Hartmann Silveira

Nossa curadoria de Curtas-Metragens realizados pelos alunos do curso de produção audiovisual da PUCRS tem o olhar voltado para aqueles curtas que tem como tema central a psique humana. Estes filmes, em seu encontro de som e imagem, têm como tema central as emoções humanas, em especial, a angústia. Sentimento este inexplicável por meio do texto e da dialética, mas fortemente sentido e manifestado na troca entre autor e espectador. Em todos os filmes, o som e a imagem trabalham de maneira conjunta, transfigurando o sofrimento de seus personagens em sofrimento coletivo.

“Maresia” adota uma narrativa introspectiva e uma estética desconcertante para demonstrar os momentos pós-trauma de uma mulher que sofre uma violência irreversível na sua vida. O minimalismo do filme nos aproxima da protagonista e transmite a angústia e os conflitos internos do lento processo de reconstrução e de ressignificação da própria vida.

“Siso” adota uma abordagem sonora radical, onde logo após passar por um procedimento para extração de seus sisos, um jovem passa por um período de recuperação torturante e enfrentará sensações estranhas. O curta aposta na performance corporal e no som para criar uma jornada de agonia corpórea e sensorial, onde o sofrimento e horror físico são uma grande manifestação do desespero psicológico e de constantes desconfortos corporais.

Em “Hymenoptera” acompanhamos a deterioração da mente de uma mulher, o curta utiliza de imagens e sons perturbadores e de uma narrativa nada convencional para provocar o telespectador. Quase como um filme sensorial, “Hymenoptera” desafia o telespectador a acompanhar a decadência, a paranoia e o medo. Em uma época onde os textos estão cada vez mais “mastigados” para acompanhar mentes afetadas pela constante injeção de dopamina das redes, este curta surge com uma proposta diferente e intrigante de acompanhar. 

O curta mais recente dessa lista, “Mais Pesado que o Céu”, aborda a angústia de maneira diferente dos demais, em uma história em que esta já causou uma fatalidade, que agora é ignorada e despercebida pelos demais. O sofrimento já obteve seu fim, e agora persiste em desconforto físico. A história do curta acompanha um corpo morto em uma sala de aula, invisível para os que a frequentam, com o passar do tempo, o cheiro, a presença, os resíduos, se tornam impossíveis de ignorar e nos mostram que, atualmente, a legitimação de uma morte é mais assustadora que a morte em si.

Obras selecionadas

Hymenoptera, Sylvia Lopes, 2025, 17min, PUCRS.

Sinopse:

Vanessa é uma mulher solitária que começa a ser perturbada por alucinações de insetos invadindo seu apartamento até ser levada a insanidade.

Mais Pesado que o Céu, Thomas Kircher Olivari, 2025, 06min, PUCRS.

Sinopse:

Em uma universidade, a rotina acadêmica é atravessada pela presença perturbadora de Otto, um aluno morto que permanece sentado em sala de aula. Enquanto a decomposição avança dia após dia, a indiferença dos colegas e o silêncio da professora revelam um mundo que prefere ignorar o insuportável. Entre corredores vazios e salas de aula, o zelador observa a cena com pesar, até que a morte se torna inseparável do espaço, e finalmente, da consciência daqueles que a evitavam. 

Maresia, Natália Piva Chim e Christian Schneider, 2008, 10min, PUCRS.

Sinopse:

Marcada por uma violência irreversível, uma mulher atravessa os meses seguintes em silêncio, tentando encontrar sentido em um corpo e em uma vida que já não reconhece como seus.

Siso, Bartholomeu Ceccim, 2024, 14min, PUCRS.  

Sinopse:

Logo após passar por um procedimento para extração de seus sisos, um jovem passa por um período de recuperação torturante, onde enfrentará sensações estranhas.

UFRGS

27 de junho, 11h – Cinemateca Paulo Amorim

Curadores: Isadora Müller e Sue Gonçalves

Ao nos depararmos com o desafio de construir uma curadoria de vídeos a partir da produção do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma constatação se impôs desde o início: são poucos os artistas que tomam o vídeo como suporte central de pesquisa ou como campo de aprofundamento contínuo — a maioria os utiliza mais como desdobramento do que como eixo estruturante, ou como exercícios de disciplinas, mas que não continuam a reverberar. 

Esta curadoria se organiza como um recorte que observa diferentes modos de relação com o vídeo dentro de um mesmo contexto institucional: nós, curadores, pertencemos a gerações que se cruzam no Instituto de Artes, mas que foram atravessadas por um marco: a pandemia de COVID-19.

Se, para aqueles que ingressam no Instituto antes de 2020, o vídeo ainda se apresenta como uma entre diversas possibilidades, para aqueles que iniciam sua formação em meio ao isolamento social, ele passa a operar como condição — meio inevitável de produção, circulação e relação com o mundo.

A mostra se estrutura a partir de dois eixos principais. O primeiro reúne artistas cuja formação antecede a pandemia, com os trabalhos de Bruno Novadvorski e Henrique Fagundes. Em Farrapos (2018), Bruno mobiliza o corpo nu gay no espaço urbano como dispositivo político e campo de exposição, tensionando presença, vulnerabilidade e visibilidade. Já em Funk Ficção (canais 1 e 2) (2020), Henrique constrói uma operação de montagem baseada na apropriação e recombinação de imagens, vídeos e áudios, atravessada pelo contexto de consolidação da extrema direita no Brasil e pelos impactos da pandemia.

O segundo eixo reúne artistas que ingressam no Instituto de Artes durante ou após a pandemia. Em O fundo do pulmão (2026), de Alex Domingues, a videoperformance reaparece marcada por questões de respiração, duração e presença, como se o corpo ainda operasse sob os efeitos de um tempo de contenção. Em Selenita (Hermaphrodite endormi) (2025), de Bru Burmeister, a imagem se organiza por meio de fragmentos breves e da apropriação de áudios da internet, configurando um regime perceptivo marcado pela dispersão, pela velocidade e pela sobreposição de camadas.

Entre esses dois eixos, o trabalho de David Ceccon opera como uma zona de passagem. Formado pelo Instituto em 2017, o artista tensiona, em seu vídeo — que também assume a forma de oficina — os efeitos da pandemia sobre os modos de produção artística, problematizando a padronização imposta pelas mídias sociais e seus impactos sobre a construção das imagens.

No contexto do Cine Esquema Novo, esta mostra não propõe uma narrativa evolutiva, mas um campo de tensões. Entre corpo e montagem, presença e mediação, gesto e apropriação, as obras reunidas tornam visíveis transformações históricas, políticas e sensíveis que atravessam a produção recente. Mais do que afirmar diferenças geracionais de forma estanque, a curadoria evidencia deslocamentos — modos distintos de lidar com a imagem que continuam a se reconfigurar.

Obras selecionadas

Funk Ficção (canais 1 e 2),  Henrique Fagundes, 2020, 08min, UFRGS

Sinopse:

Funk Ficção é uma obra formada por dois canais de vídeo sincronizados, que busca criar uma realidade fictícia para o Brasil do futuro, através de imagens estereotipadas de uma identidade nacional, como a pintura Abaporu, de Tarsila do Amaral. A trilha sonora é composta e editada a partir de discursos presidenciais, acompanhados por imagens de passos de dança famosos disseminados na internet, além de ilustrações do artista Jean Debret e mapas imaginativos e futuristas do Brasil. Através dessa narrativa, imagina-se uma utopia/distopia para o país, baseada em elementos que o compõem como nação. A obra surge da pergunta “Qual Brasil você quer para o futuro?”, uma campanha televisiva da Rede Globo realizada no ano eleitoral de 2018. 

Farrapos, Bruno Novadvorski (filmagem de Henrique Fagundes), 2018, 04min, UFRGS.

Sinopse:

A videoperformance Farrapos (2018), gravada entre o cruzamento da Avenida Farrapos com a Rua Conde de Porto Alegre, começa com foco no movimento urbano da avenida. Em sequência, entrando em cena, coloco-me no canteiro central, divisão entre as faixas da avenida, no qual passo a despir-me e então, desnudo, retiro-me da imagem. Após algum tempo, volto, coloco a roupa e saio novamente. O vídeo em si não traz imagens explícitas. Porém, quando se tem o conhecimento de que aquele lugar é famoso pela existência de profissionais do sexo, assim como, de estabelecimentos que proporcionam sua prática, estabelece-se a relação entre a videoperformance Farrapos (2018) e a Avenida Farrapos. Esta obra gerou o resumo “Farrapos: Meu Corpo Nu Desdobrando o Espaço e o Sexo”, aprovado para o 28º Encontro Nacional da ANPAP 2019 (Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas), na Cidade de Goiás e o o artigo “Residência Artística Farrapos: Meu Corpo Circulando pela Avenida”, aprovado para o IV Congreso de Extensión de AUGM, em Santiago do Chile. 

Oficina de Artes nas Redes Sociais: criações de si, imagens e virtualidades, David Ceccon, 2020, 20min, UFRGS. 

Sinopse:

Esse vídeo foi possibilitado pelo EDITAL FAC DIGITAL e apresenta pensamentos, trabalhos e ideias sobre a relação entre criação artística e o ciberespaço. A palavra oficina, aqui, é usada menos com o sentido de ensinar a fazer, e mais como um espaço de “propostas de como pensar” estes terrenos emergentes da arte, esperando que as ideias aqui apresentadas possam servir como potenciais disparadores para novas possibilidades criativas que utilizem o ciberespaço.

O fundo do pulmão, Alex Domingues, 2026, 06min, UFRGS.

Sinopse:

Figuras sem olhos respiram incessantemente, enquanto um texto atravessa a tela propondo reflexões sobre memória, finitude, a dialética de olhar e ser olhado e a aceleração do presente.

Selenita ( Hermaphrodite endormi ), Bru Burmeister, 2025, 04min, UFRGS

Sinopse:

Selenita ( Hermaphrodite endormi ) é a composição de diversos registros fotográficos e de vídeo de um ensaio performático. Através da maquiagem e da cinematografia surge a imagem de um ser extraterrestre, habitante da lua; distante de cultura, costumes e humanidade. Sua ausência de traços reconhecíveis é, ao mesmo tempo, aterrorizante e atraente. As imagens são flashes rápidos, e os sons, desconcertantes, criando uma atmosfera espacial e instável. A obra recria a pose da escultura de Gian Lorenzo Bernini, Hermaphrodite endormi (1620), que retrata o repouso de Hermafrodite – filho de Hermes e Afrodite que acaba preso em um corpo com características de ambos sexos.

UNISINOS

27 de junho, 11h – Cinemateca Paulo Amorim

Curadores: Daniele Espinosa, Sofia Cayser, Vitor Fiuza, Yasmin Souza.

SILÊNCIO, RUÍDO E RITMO: IMAGEM QUE ATRAVESSA

O fazer cinematográfico consolidou gramáticas, padrões e fórmulas que orientam a maneira de contar histórias. A partir do momento em que surgiu a possibilidade de registrar, através da luz, imagens em movimento, houve um desejo de controlá-la, de decompô-la e rearranjá-la para evocar sentidos. No entanto, paralelamente a esse processo, persiste o impulso de tensionar, expandir e reinventar essas formas, já que o cinema, enquanto linguagem, nunca foi estático, e talvez sua potência esteja justamente na possibilidade constante de se refazer.

O percurso do cineasta universitário traz dúvidas sobre o que está por vir e, principalmente, sobre o que fazer agora. Encontramo-nos no limbo entre não conseguir mudar o mundo em um projeto de faculdade e, ao mesmo tempo, realizar nossas criações com inspiração. A escolha desta curadoria de filmes se dá pelo olhar curioso para o desconhecido que nos cerca. Em um momento em que tantas narrativas se apoiam na palavra e na explicação, estes filmes revelam a força da imagem, silenciosa, ruidosa ou atravessada por melodias, mas ao mesmo tempo rítmica e semiótica.

Escaneio mergulha na materialidade do corpo: sangue, batidas, respiração, um fluxo que privilegia a sensação em vez de uma narrativa linear. A imagem pulsa em fragmentos de corpo e luz. Assim como em Não é possível garantir que todos os produtos funcionem, que desloca a experimentalidade para o cotidiano de uma pessoa surda, propondo um olhar sobre a experiência de habitar um mundo organizado de maneira distinta.

Em Abismo das Flores, a imagem torna-se campo de conflito: há uma tensão entre destruição e idealização, entre a busca por beleza e a ruptura de si. Âmago opera em um registro íntimo, atravessado por angústia, espera e reconhecimento, onde tempo e imaginação se entrelaçam em uma experiência que se dissolve lentamente.

Enquanto Vida Útil volta-se para o gesto mínimo. Ao insistir na observação de ações banais, o filme reconfigura o olhar e evidencia o estranhamento no cotidiano. Esse interesse pelos detalhes ressurge em Luciano Spiderwick e o paradoxo do pé preso, incorporando humor e exagero, tensionando a relação entre sujeito, objeto e experiência. Por fim, Fragmentos Mercuriais retoma a abstração, atravessada por cores, símbolos e impressões fugazes. O filme sugere um retorno ao início, como se o percurso pelos outros trabalhos reverberasse em sua construção, unindo humano, místico e experimental em um fluxo.

No lugar de respostas, nossas escolhas buscam levantar perguntas: o que é, o que pode ser o cinema? Sua experimentação não se trata apenas de subverter ou distender a linguagem cinematográfica, mas da invenção de formas de existir e se desenvolver. Ao deslocarem o foco da palavra para a imagem, os filmes lembram que ver cinema também é sentir seu ritmo, habitar suas formas e se deixar afetar por aquilo que muitas vezes escapa à explicação.

Obras selecionadas

Abismo das Flores, Andreia Machado, 2026, 04min, UNISINOS.

Sinopse:

Ao encontrar uma flor no interior de um abismo, Dienatryx se entrega a um ritual em que corpo e gesto a conduzem a uma ruptura, mas também a uma libertação

Âmago, Deise Gabriela e Tainara Fraga, 2015, 04min, UNISINOS.

Sinopse:

Phantasie.

Escaneio, Alice Graziuso, 2022-2025, 03min, UNISINOS.

Sinopse:

Escanear é olhar atentamente. “Escaneio” é resultado da mistura de sequências animadas que surgiram a partir da investigação atenta do funcionamento de um scanner e da busca por imagens em movimento. Como ele respira? De que forma seu olho percorre e registra o mundo? E na rigidez de seu funcionamento, como gerar novas imagens no nosso encontro?

Fragmentos Mercuriais, de Arthur Ilha, 2021, 04min, UNISINOS.

Sinopse:

A magia como contemplação por meio da deformação. Uma investigação do Tarot e de outros símbolos místicos, na busca por imagens ocultas à percepção comum.

Luciano Spiderwick e o Paradoxo do Pé Preso, Dippe, 2025, 15min, UNISINOS.

Sinopse:

Quando um par de botas vermelhas surge à sua porta, Luciano, um homem que vive uma vida reclusa, é tomado por uma euforia inesperada. No entanto, a alegria logo dá lugar ao desespero ao perceber que não consegue tirá-las de seus pés.

Não é Possível Garantir que Todos os Produtos Funcionem, Bella Bauer, 2025, 04min, UNISINOS. 

Sinopse:

Em um mundo não ouvinte, um scanner documenta o processo de um diagnóstico enquanto percorre transcrições distorcidas, gestos e objetos que o tempo deixou para trás, tornando a falha uma língua própria.

Vida Útil, Bruno Kopper e Lucas Grandi, 2024, 06min, UNISINOS.

Sinopse:

A vida de uma camiseta.

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

27 de junho, 11h – Cinemateca Paulo Amorim

Curadores: Aster Medeiro Ridolfi, Luisy Pacheco Correia, Amanda Sato Pupo Nogueira e Jack Martins Menezes

Essa mostra, organizada por estudantes de Cinema e Audiovisual e Cinema de Animação da Universidade Federal de Pelotas, reúne obras que atravessam o tempo, o afeto e o  pertencimento como formas de compreender nossa relação com a vida e com o outro. A alma se projeta na arte como uma colcha de retalhos de lembranças, sensações e dores, que, juntas, formam uma rede de conexão com o mundo que nos rodeia e com a forma como o percebemos. Essa seleção tenta encapsular as memórias e incertezas de gerações distintas, conectadas justamente por aquilo que mais as distancia: a memória.

A mostra se inicia com Céu da Boca (2019), uma experimentação mais intimista que explora o medo e a estranheza do processo de metamorfose de uma humana em um rinoceronte. Mari questiona, junto com outras criaturas, esse processo, tentando entender como esse sentimento a faz compreender sua conexão com gerações anteriores. Esse ponto de intersecção da juventude universitária e a adaptação da nova realidade nos conduz ao curta De Volta (2021). Gravado no primeiro semestre presencial durante o período da pandemia de COVID-19, o curta acompanha uma conversa de mesa de bar, onde jovens debatem suas primeiras conexões na faculdade, a boemia e as pessoas que nos rodeiam. Ainda dentro da temática da pandemia, o grupo comenta sobre a estranheza de ver tudo vazio, a falta dos espaços de convivência e do senso de comunidade. 

A memória também nos conduz a momentos considerados banais. Em Uma Memória (2021), escutamos uma avó contando as memórias que guarda de sua filha: os dias de chuva intensa enquanto ela saía para o trabalho, o momento em que se mudaram de estado, sempre apoiando uma à outra, mesmo diante da distância. Trazendo lembranças familiares e a dor da perda enquanto remonta memórias afetivas como pai, o narrador de Entre Sonho e Trabalho (2020) nos leva a memórias cotidianas entre pai e filho. Essas memórias são reveladas junto à imagem do pai de Celso, sendo esta a única que restou. O curta se encerra com a esperança de que as memórias do pai apareçam em seus sonhos para que ele um dia consiga preencher o vazio deixado pelas lembranças que o tempo apagou. 

A mostra se encerra com a nostalgia e as dúvidas da adolescência em Esquecendo Cacá (2026). O curta acompanha o peso de não compreender o próprio lugar no mundo, atravessando culpas, relações fracassadas e a forma como a internet molda nossas relações. Entre lembranças afetivas e distâncias inevitáveis, a obra sugere que algumas memórias talvez devam permanecer no passado. Mais do que revisitar lembranças, a mostra transforma a memória em um espaço de encontro entre gerações, afetos e ausências que continuam ecoando através do tempo.

Obras selecionadas

Céu da Boca, Amanda Trindade , 2019, 07min, UFPel.

Sinopse:

Mari está se tornando um rinoceronte. Para ela essa transmutação é um sinal de que se tornou uma má pessoa, nesse cenário a protagonista entra em um processo de autoanálise ao se questionar sobre ser uma pessoa ruim em meio a tais processos metamórficos.

De volta, Mariana Correa, 2023, 15min, UFPel.

Sinopse:

Após um longo período de pandemia, as aulas presenciais começam a retornar em todo o Brasil. Em uma mesa de bar, estudantes da Universidade Federal de Pelotas celebram esse retorno e compartilham experiências e lembranças do que já viveram na cidade.

Esquecendo Cacá, Marizele Garcia e Guilherme Amado, 2023 – 2026, 15min, UFPel.

Sinopse:

Após arruinar mais uma amizade, Alina se vê atormentada pelo medo da solidão eterna e decide tentar reencontrar Cacá, a única garota com quem ela nunca brigou.

Entre sonho e trabalho, Eloisa Soares e Leonardo da Rosa, 2020, 03min, UFPel.

Sinopse:

Roberto tem sonhos recorrentes com seu pai.

UNIRITTER

28 de junho, 11h – Cinemateca Paulo Amorim

Curadores: Leonardo Ramos, Luísa Schneider, Matheus Moreira e Rebeka de Paula Silva

DISTOPIAS COTIDIANAS

A mostra “Distopias Cotidianas” reúne quatro curtas-metragens que investigam os limites entre o familiar e o inquietante, propondo um olhar para situações em que o cotidiano deixa de ser reconhecido como espaço de conforto e passa a revelar estados de tensão, ameaça e instabilidade. Partindo de diferentes linguagens e construções visuais, as obras selecionadas aproximam o imaginário distópico da experiência comum, evidenciando como pequenos gestos, relações e ambientes podem carregar marcas de violência, controle e estranhamento.

Sem recorrer necessariamente a futuros apocalípticos ou universos fantásticos, os filmes constroem suas narrativas a partir de espaços comuns, casas, ruas, jantares e relações interpessoais, transformados por atmosferas densas, silêncios prolongados, cortes abruptos e imagens simbólicas. O desconforto surge justamente da proximidade: aquilo que parece banal torna-se instável, e o que antes era reconhecível passa a provocar insegurança.

Nesse sentido, a mostra busca explorar como a distopia pode se manifestar de forma silenciosa, infiltrada nas dinâmicas sociais e emocionais da vida contemporânea. Os quatro curtas escolhidos utilizam elementos simbólicos, metáforas visuais e construções de atmosfera para transformar ambientes familiares em espaços inquietantes. Entre cortes bruscos, perseguições e tensões construídas entre os planos, a violência se faz presente, muitas vezes naturalizada socialmente, aproximando o espectador de realidades desconfortáveis do mundo em que vivemos.

A curadoria busca destacar narrativas que provocam estranhamento ao tensionar os limites entre o cotidiano e o absurdo, mostrando como a distopia pode existir não apenas na ficção, mas também nas relações humanas, nos espaços sociais e na vida

Obras selecionadas

Para Te Ouvir Melhor, Mayco Martins, 2023, 13min, UniRitter.

Sinopse:

Dois jovens estudantes retornam à faculdade após o término das aulas para recuperar um objeto esquecido, mas algo fará com que um deles retorne diferente.

Parede Invisível, Rafa Kaule, 2025, 5min, UniRitter.

Sinopse:

O mundo é algo imutável ou uma interpretação de olhares alheios? Neste curta metragem trabalhamos sobre como uma única amostragem pode nos entregar diversas conclusões, as figuras de linguagem agem como protagonistas neste trabalho que desmonta as verdades absolutas da vida cotidiana.

Prato Principal, Rebeka Paula e Pitagoras Nardi, 2025, 08min, UniRitter.

Sinopse:

Em uma noite marcada pela sofisticação e pelo mistério, Bento convida Nicolas e Camila para um jantar exclusivo. Uma experiência guiada pelo chef silencioso, prático e perfeccionista, ele comanda a cozinha como uma orquestra, cada prato servido é uma obra de arte. À mesa, entre taças de vinho e conversas sutis, tensões veladas começam a emergir, revelando que nem tudo ali é o que parece. O aroma envolvente dos pratos contrasta com o desconforto crescente dos convidados.

Segredos Ocultos,  Ulisses Ferreira (Glusking), 2022, 12min, UniRitter.

Sinopse:

Viciado pela fama que seus vídeos geram, Kleber recebe o desafio de invadir uma faculdade da sua cidade. Uma motivação a mais surge quando um apoiador anônimo faz uma doação voluptuosa. Contando com a ajuda do recém-contratado produtor, Julin, eles partem para o desafio. O início se mostra fácil para o experiente Kleber, que se motiva com o progressivo aumento de views e de novos inscritos. Porém, eventos estranhos começam a ameaçar o sucesso do desafio e também sua integridade física. Receoso, Kleber decide ir em frente, influenciado pela sua audiência que o acompanha. O que parecia ser apenas um mau pressentimento, torna-se uma ameaça real quando encapuzados sequestram-no.

UFSM

28 de junho, 11h – Cinemateca Paulo Amorim

Curadores: Emili Krugel, Max Frutuoso, Miguel Roggia e Luisa Morais

Falar de Audiovisual na UFSM e, principalmente, no Curso de Artes Visuais, é pensar o vídeo em sua conjuntura espacial e temporal. Nas aulas e na produção, somos convidados a encarar o formato clássico do cinema como uma porta aberta para outras experimentações, onde suporte, espaço e imagem podem assumir focos diferentes. Fragmenta-se essa Identidade visual do vídeo em facetas diversas, todas dentro de uma mesma linguagem, porém únicas em seus próprios desdobramentos. A relação que se constrói no aprendizado do vídeo, portanto, é uma de expansão, onde os formatos são livres para ganharem contorno a partir da intencionalidade da imagem em movimento. Operação de Câmera, Fotografia, Direção de Arte, Som e Cenografia ganham rugosidades ao passo que não se prendem às narrativas tradicionais e fechadas. 

De maneira orgânica, essas rugosidades justapostas compõem a produção audiovisual aqui exposta, denotando as capacidades ilimitadas de uma linguagem difusa enquanto liberta de amarras mercadológicas em sua produção. Em um recorte que percorre dos exercícios propostos pelas disciplinas iniciais de vídeo até produções da pós-graduação, torna-se evidente o quão acompanhada do desenvolvimento das técnicas está uma latente busca por Identidade. O ambiente acadêmico e o espaço da Universidade são ambos locais que por se tratarem de um ponto de convergência de realidades, experiências e ideias, aflora-se intensamente essa busca. As artistas e os artistas aqui apresentados transitam desde abordagens identificadamente mais íntimas do audiovisual, como videoensaio, até propostas que se identificam mais com o espaço físico, como videoinstalações de duas telas (double channel) adaptadas para a tela de projeção (single channel), para poder expressar que entre as diferentes situações e comuns repetições do dia-a-dia está o que de fato compõe essa esfera da Identidade. 

Reverberam, aqui, as teorias da descentralização do ego exploradas pela produção artística, especialmente passível de ser abarcada pelo questionamento da construção imaginária do “eu”. A imagem duplicada, a fragmentação de si e a introspecção permeiam essas produções em uma inserção conjunta ao subtexto das tecnologias e suas diferentes formas de mostrar-se parte inalienável da constituição do indivíduo contemporâneo. Esse deslocamento de subjetividades provocado por essa busca, eterniza, então, e esculpe no tempo essas duplas, múltiplas e únicas facetas da Identidade dentro das produções dessas e desses artistas, enquanto que, em um processo contraditório, questionam a si mesma e às experiências que a compõem.

O Audiovisual, matéria líquida de experimentação artística, se mistura e se potencializa a partir do encontro desta curadoria. vídeo_identidade.MOV: matéria líquida em fluxo, apresenta a convergência entre técnica, experimentação e sensibilidade artística no que há de mais fresco na produção de videoarte na UFSM. 

Obras selecionadas

360 Girls, Noronhesa (Eduarda Noronha), Danizonha (Daniela Figueiredo), Lumi (Luiza Lima) e Gustavo Haup, 2025, 01min, UFSM.

Sinopse:

Após voltar às origens e sentir vontade de se divertir com joguinhos de flash dos anos 2000, a protagonista se encontra com uma falha gravíssima no sistema, e tem de lidar com as consequências de suas ações.

Digital_Skin002, Rodrigo Mattos, 2025, 06min, UFSM.

Sinopse:

Digital_Skin002 é uma videoperformance que trabalha a pele como superfície de intervenção. Na ação, conhecida na cultura BDSM como “needleplay“, agulhas são inseridas no corpo do artista em um procedimento contínuo que mistura tensão física, vulnerabilidade e construção visual. O trabalho aproxima imaginários ligados ao fetiche, à modificação corporal e às estéticas pós-digitais, pensando o corpo como uma interface.

Dream a Little Dream of Me, Noronhesa (Eduarda Noronha), Danizonha (Daniela Figueiredo), Lumi (Luiza Lima) e Gustavo Haup, 205, 05min, UFSM.

Sinopse:

Morgana Campos, uma jovem estudante de publicidade e propaganda de 21 anos, com um futuro brilhante pela frente, um grupo de amigos fiéis e uma vida perfeita, ou quase. Ela estuda na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), onde está acontecendo uma série de assassinatos e ninguém desconfia de quem está cometendo tais atos cruéis. Em uma noite Morgana acorda com uma sensação estranha depois de um sonho completamente bizarro e descobre algo chocante e inimaginável.

Dúplices, Avel (Andressa Freitas), 2026, 02min, UFSM.

Sinopse:

Isoladas e iluminadas sob uma lua feita de luz. Sem você eu não sou nada. Projeções nos constroem. Você me copia ou eu que te crio? A lua nos une, ela nos concebe. Com prints eu te crio, com cópias eu divago, te idealizo. Te crio e nunca te deixo ir. Sobre eu, ela, a lua e nós. Elaborado por um mini projetor, a câmera de um celular, e muitas camadas.

Efêmera, Mar (Mariana Colomby), 2025, 03min, UFSM.

Sinopse:

Uma artista se questiona sobre arte e mortalidade. Artistas querem ser imortais?

Espirais da Repetição, Yasmin Brilhante e Jéssica Dóris, 2025, 5min, UFSM.

Sinopse:

Em Espirais da Repetição, duas pessoas performam em looping uma ação comum de ser vista nos dias atuais, mas que toma outros sentidos quando realizada poeticamente: corpos ausente-presentes que coexistem em um ambiente social, mas que mantém uma individualização.

Fragmentos de Amélia, Isadora Bordini, 2025, 4min, UFSM.

Sinopse:

Versão adaptada para single channel da obra Entre Pistas Invisíveis (2025), exposta como obra única da instalação imersiva Pistas Invisíveis, que ocorreu como exposição individual da autora. Busca tratar de forma poética sobre o problema da pesquisa, a vigilância constante de algoritmos nocivos ao meio ambiente, psique e política. Artifícios cinematográficos do gênero horror são aplicados na obra, pois a metáfora do digital aparece na figura física artificial presente nos ambientes. O vídeo compara o olhar do protagonista e do antagonista lado a lado.

He got you, Ash (Ingra Schmitt), 2026, 01min, UFSM.

Sinopse:

Versão adaptada para single channel da obra Entre Pistas Invisíveis (2025), exposta como obra única da instalação imersiva Pistas Invisíveis, que ocorreu como exposição individual da autora. Busca tratar de forma poética sobre o problema da pesquisa, a vigilância constante de algoritmos nocivos ao meio ambiente, psique e política. Artifícios cinematográficos do gênero horror são aplicados na obra, pois a metáfora do digital aparece na figura física artificial presente nos ambientes. O vídeo compara o olhar do protagonista e do antagonista lado a lado.

Nós somos feitos das coisas que nos atravessam, Fernanda Miranda, 2025, 02min, UFSM. 

Sinopse:

Este vídeo se constrói no entrelaçamento íntimo de três estados afetivos: saudade, melancolia e nostalgia. Cada um, à sua maneira, habita o tempo — seja como ausência, suspensão ou retorno imaginado. Estes sentimentos formam uma narrativa conjunta-complementar. A saudade aqui é tratada como um impulso poético: um chamado silencioso por aquilo que já foi. Convida o espectador a lembrar o que não está mais presente. A melancolia, por sua vez, se expressa como pausa. Ela não é lamento nem tristeza pura, mas uma espécie de contemplação do irrecuperável. Já a nostalgia opera como fantasmagoria: uma presença ausente que nos assombra de maneira doce e às vezes dolorosa. A obra evoca sensações passadas, familiares e, ao mesmo tempo, irreconhecíveis — como memórias reconstruídas pela imaginação.

Pequeno Ritual para a Eternidade,  Eduarda Seniw Gonçalves, 2025, 02min, UFSM.

Sinopse:

A vídeo-arte acompanha fragmentos de um tempo atravessado pelo afeto e pelo cuidado com a direção do olhar. Percorrendo um tempo intimista de pequenos gestos, devaneios e espera, guiado por um olhar contemplativo e demorado, ações e falas se transformam em rituais contra o esquecimento.

Rastro, José Lauro Marques, 2025, 02min, UFSM.

Sinopse:

A obra atravessa os territórios da tatuagem e da pintura, instaurando um espaço de encontro entre memória e presente. No gesto da tatuagem, revela-se uma performatividade que carrega marcas do corpo e do tempo; na pintura, a permanência da imagem em camadas que se sedimentam. O vídeo atua como fio condutor, costurando linguagens e instaurando passagens entre realidades distintas. Corpo, imagem e técnica entrelaçam-se em um campo de atravessamentos, onde o íntimo se torna matéria poética. Assim, o trabalho reflete não apenas sobre os percursos que conduziram o artista às Artes, mas também sobre as motivações que sustentam sua permanência, transformando experiência em obra e processo em permanência sensível. 

viva, VIVA (Andrea Bello), 2026, 4min, UFSM.

Sinopse:

Entre o mundano e o silêncio, viva passa a perceber que isso pode ser o suficiente para mantê-la ancorada na realidade.