16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira divulga vencedores da Mostra Competitiva Brasil

Foram divulgados nesta quarta, 1 de julho, os vencedores da Mostra Competitiva Brasil do 16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira. O júri, composto pelo artista, curador, produtor e gestor cultural André Severo, a historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema Lorenna Rocha, e o  ator, diretor e roteirista Victor Di Marco, elegeu Sem Título #11 – Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano, como o vencedor do Grande Prêmio 15º Cine Esquema Novo. A obra recebeu o troféu assinado pelo artista Luiz Roque, além de R$ 5.000,00.

As 36 obras selecionadas pelos curadores Dirnei Prates, Kamyla Belli, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo para a Mostra Competitiva Brasil foram avaliadas pelos jurados, que tiveram a missão de eleger o Grande Prêmio do 16º Cine Esquema Novo e mais cinco destaques, todos eles acompanhados de uma justificativa que explicita as razões da escolha. As produções contempladas foram Trivakra, de Sofia Angst, Mensagem de Sergipe, de Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet, Sorelle senza nome, de Jonathas de Andrade, Viagem no Tempo, de Pedro Bournoukian e As Florestas da Noite, de Renato Coelho e Priscyla Bettim. 

A programação ainda apresentou a quarta edição da Mostra Outros Esquemas, que contou com 10 obras exibidas de forma não competitiva; a Mostra Artista Convidada – Letícia Ramos, que reuniu oito obras do artista, além de uma performance inédita no Brasil na abertura do evento; a Mostra Audiovisual em Curso, com produções universitárias gaúchas; Mostra Acessível, com Libras, Audiodescrição e LSE para pessoas com deficiência, que também contaram com tradução em Libras nos debates e no Seminário; a Mostra de Acervo, com obras pertencentes ao Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), à Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB) e que integraram as outras edições do Cine Esquema Novo (CEN); a Mostra Especial Petrobras, reunindo filmes de Kleber Mendonça Filho, e a Mostra Itinerante, que levará uma seleção de obras da Mostra Competitiva Brasil para os municípios de Bagé, Santa Maria, Caxias do Sul e Pelotas a partir de 06 de julho. 

Além das mostras, o festival promoveu a Oficina Câmera Causa – Realização Audiovisual para grupos em vulnerabilidade social, ministrada pelo realizador audiovisual Gustavo Spolidoro; a Oficina Audiovisual em Curso, realizada para alunos de seis universidades do Estado; a Oficina de Sensibilização e Introdução aos Recursos de Acessibilidade, voltada para orientar os integrantes da equipe; o Programa de Capacitação Novos Talentos, contratando aprendizes remunerados; a quinta edição do Seminário Pensar a Imagem, que provocou conversas sobre curadoria como trabalho com o arquivo com profissionais selecionados através de proposição de Gabriela Almeida e mediação de Lennon Macedo; e debates da Mostra Competitiva Brasil, mediados por críticos da ACCIRS, da Mostra Artista Convidada, da Mostra de Acervo e das Sessões Acessíveis, com os realizadores presentes no festival. O público também pôde conferir os Cadernos de Artista, com referências, entrevistas, informações e imagens disponibilizadas pelos participantes da Mostra Competitiva Brasil para gerar maior compreensão sobre o universo de suas obras. O material segue disponível gratuitamente para consulta no site do festival. 

O evento gerou a contratação direta de 50 profissionais, além de aproximadamente 100 empregos indiretos e induzidos, totalizando cerca de 150 oportunidades de trabalho mobilizadas ao longo de sua realização.

Realização através da Lei Rouanet e PNAB

Ao longo de sua trajetória, o Cine Esquema Novo tem sido viabilizado por meio de importantes políticas públicas de fomento à cultura. Em sua 16ª edição, o festival é realizado por meio da Lei Rouanet e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, que possibilitam a continuidade de projetos culturais em todo o país e fortalecem a diversidade da produção artística brasileira.

Esta edição do CEN também marca o reencontro entre o festival e a Petrobras, patrocinadora de seis edições do Cine Esquema Novo ao longo de sua trajetória e que volta a integrar a realização do evento em 2026 como Patrocinadora Master. A parceria reforça o papel histórico da empresa no incentivo à cultura e ao audiovisual brasileiro, setor cuja permanência e renovação dependem diretamente de políticas de investimento contínuo, circulação de obras e fortalecimento de espaços de formação crítica e experimentação artística. “Nossa relação com a Petrobras vem desde 2006, ano que iniciamos uma parceria que seguiu por seis anos, até 2013. Termos de volta o patrocínio de uma marca que é referência no apoio da arte audiovisual brasileira reafirma sua relevância na história da nossa produção”, revelam os organizadores do CEN, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo. 

O 16º Cine Esquema Novo conta também com patrocínio do Itaú Unibanco, marcando uma parceria que representa, para os organizadores do festival, as afinidades de programação entre o CEN e a instituição.

A programação reuniu 130 obras, além das atividades formativas (oficinas, seminário e debates), que ocorreram na Cinemateca Capitólio, Goethe Institut Porto Alegre, Cinemateca Paulo Amorim, MACRS e Instituto Remanso. “Encerramos mais uma edição do CEN com a alegria de ver o festival consolidado como não somente um espaço para a descoberta de obras e artistas e diferentes maneiras de fruição das obras de arte audiovisual, como também um evento que valoriza acompanhar a trajetória dos artistas que participam conosco há mais de 20 anos”, afirmam os organizadores Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo. 

O Cine Esquema Novo é apresentado pelo Ministério da Cultura, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e Petrobras, com realização por meio da Lei Rouanet e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, patrocínio master da Petrobras e patrocínio do Itaú Unibanco. Mais informações, acesse: www.cineesquemanovo.org | www.facebook.com/cineesquemanovocen | @cine_esquema_novo 

Saiba Mais

“Grande Prêmio Cine Esquema Novo” para Sem Título #11 – Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano (2026)  

A busca incessante por uma imagem, ou pelas suas formas de multiplicação, provocam uma desordem absoluta. Ressignificar uma imagem, ou uma palavra, ou o verso de um poema, pode dizer: remontar, friccionar, colidir, angustiar, suspender, esticar, desmontar, rever, perguntar, reacender. De um arquivo inescapavelmente obsessivo, pois apaixonado, não emerge uma atitude memorialista, do acúmulo-transparência, mas cria-se, por repetição, insistência e imersão aquela outra imagem-palavra-verso. Um excesso na recusa da hiperluminosidade, preenchido de vazios, ruínas, escombros e penumbras. Várias direções para a completude no inacabado. Do cinema ao mundo, e vice-versa, porque são um caos-mundo-só. O Grande Prêmio Cine Esquema Novo 2026 vai para Sem Título #11 – Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano.

Prêmio Ao que Excede” para Trivakra, de Sofia Angst

A retomada de um corpo/imagem que recusa o imperativo da completude e faz da suposta falta e da inabilidade um lugar de deslocamento e gozo. Pela inversão dos excessos, o uso microscópico para não dar uma resposta, exatidão mas sim para entortar nossos olhares como prenúncio e convite a entortarmos também nossas vidas. O prêmio “Ao que excede” vai para Trivakra, de Sofia Angst. 

Prêmio Um Encontro” para Mensagem de Sergipe, de Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet 

Não apenas um gesto cinematográfico, mas um encontro de gerações, de experiências e desejos. O cinema que carrega a memória encontra o cinema que se lança ao futuro e revela uma inversão entre o que é futuro e memória. Há entre eles algo que antecede qualquer linguagem: um imenso tesão pela vida, pelas imagens, pela finitude do corpo e pelo gozo através da nossa arte. O prémio Encontro vai para Jean-Claude Bernardet e Wesley Pereira de Castro por Mensagem de Sergipe.

Prêmio Florescência Gregária para Sorelle senza nome, de Jonathas de Andrade

O júri do 16º Cine Esquema Novo concede o Prêmio Florescência Gregária a um filme que transforma o testemunho de mulheres que encontraram no Evangelho um chamado radical à ação em uma experiência cinematográfica de rara sobriedade estética e densidade poética. Operando a partir de uma rigorosa contenção formal, o filme organiza suas imagens com precisão e delicadeza poética, fazendo emergir uma dimensão sensível que nos transporta para o contexto vivido por essas personagens sem recorrer a excessos ou dramatizações. Nesse regime de economia, o que se constitui não é apenas uma articulação entre memória, fé e engajamento, mas a emergência de uma presença que se adensa e se prolonga entre o vivido e o imaginado, entre história e utopia.
Ao fazer do tempo do cinema uma extensão do tempo da memória e afirmar, com rigor e intensidade, a emergência de uma realidade incomum, ao mesmo tempo concreta e rarefeita, que se deposita na experiência do espectador, este prêmio vai para Sorelle senza nome, de Jonathas de Andrade.

Prêmio Economia do Dispêndio” para Viagem no Tempo, de Pedro Bournoukian

O júri do 16º Cine Esquema Novo concede o Prêmio Economia do Dispêndio a um filme que transforma um instante aparentemente banal em uma investigação sensível sobre memória, tempo, ausência e projeção. Operando a partir de uma notável economia de meios, a obra concentra seus recursos em poucos elementos — uma imagem reiterada, uma sequência de áudios íntimos, um gesto narrativo preciso — para fazer emergir uma experiência poética densa e aberta. Nesse regime de contenção, ver, escutar e imaginar se tensionam continuamente, convocando o espectador a habitar o intervalo entre o que é mostrado e o que é apenas evocado. A tentativa de reencontrar um instante vivido revela-se, ao final, como algo inconcluso, e é nesse intervalo entre desejo e limite que o filme alcança sua precisão singular.
Ao fazer do tempo do cinema uma extensão do tempo da lembrança e afirmar, com rigor e delicadeza, a potência poética de um gesto mínimo, este prêmio vai para Viagem no Tempo, de Pedro Bournoukian.


“Prêmio Um Jogo”
 para As Florestas da Noite, de Renato Coelho e Priscyla Bettim 

Se imaginar/imagear a vida noturna não é algo que escapa ao cinema, nos basta sentir sua forma, suas texturas, ou seja, o como um filme pode recriar esse universo tão íntimo a ele. Esse mundo da penumbra, em que se anda no bar, vela um defunto, dá-se um beijo, vagueia-se nas ruas, cria um fluxo de transmutação singular, em que tudo que se move, paulatinamente, transforma-se em outro. Tudo é aparição. Por desencontro, afetação, desencanto. O monólogo torna-se um diálogo, que pode se transformar numa dança ou num incêndio. É esse contínuo jogo cênico-performático que faz vibrar a noite. Esse lugar-estado-de-ser em que tudo novamente é possível: o imaginável e o não-imaginado. Dedicamos o Prêmio UM JOGO para As Florestas da Noite, de Renato Coelho e Priscyla Bettim.

 

Prêmios: 

Todos os vencedores recebem Troféu criado pelo artista Luiz Roque
Grande Prêmio 16º Cine Esquema Novo: R$ 5.000,000

Jurados

André Severo nasceu em Porto Alegre, RS, em 1974. É artista, curador, produtor e gestor cultural. Mestre em poéticas visuais pela UFRGS, produziu projetos como Areal, Lomba Alta e Dois Vazios. Realizou mais de uma dezena de filmes e instalações audiovisuais e publicou, entre outros, os livros Consciência errante, Soma e Deriva de sentidos. Foi curador associado da 30ª Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas e co-curador da representação brasileira na 55ª Bienal de Veneza.  Entre 2018 e 2019, ao lado de Marília Panitz, realizou 100 anos de Athos Bulcão CCBB Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2021, juntamente com Paulo Herkenhoff, realizou Arquiperiscópio, exposição individual com caráter retrospectivo que ocupou os quatro andares do Oi Futuro no Rio de Janeiro. Foi diretor artístico da Bienal do Mercosul entre os anos de 2016 e 2018 e  diretor do Farol Santander Porto Alegre entre 2019 e 2023. Entre suas principais premiações destacam-se o Programa Petrobrás Artes Visuais – ano 2001; o Prêmio Funarte Conexões Artes Visuais, 2007; o Projeto Arte e Patrimônio 2007; o Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 2009; o V Prêmio Açorianos de Artes Plásticas; o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça – 6ª Edição; o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2014, em 2014; o XV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2015; e o Prêmio Sérgio Milliet da ABCA pelo livro Artes Visuais – Ensaios Brasileiros Contemporâneos.

 

Lorenna Rocha é historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema. Mestre em Comunicação (UFPE). Cofundadora da Plataforma INDETERMINAÇÕES, onde desenvolve projetos que unem práticas de pesquisa, publicação, programação, difusão e preservação audiovisual. Editora-chefe da revista câmarescura. Participou de programas de formação como Talent Press (Berlim, 2023) e RAW/Arché (Portugal, Trujillo e Madrid, 2024). Fez parte da curadoria de festivais como Janela Internacional de Cinema do Recife e Festival Internacional de Curtas-metragens de Belo Horizonte. Desde 2024, integra a equipe de programação de curtas-metragens da Mostra de Cinema de Tiradentes.

 

Victor Di Marco é ator, diretor e roteirista. Entre seus filmes se destacam: “O que Pode um Corpo?” (2020), “Possa Poder” (2022) e “ZAGÊRO” (2024) que juntos, conquistaram mais de 50 prêmios do Júri Oficial, da Crítica e do Público, entre eles: duas vezes o Grande Prêmio Canal Brasil, Melhor Direção no Mix Brasil e 6 prêmios de Melhor Ator, em que, se destacam duas vezes no Festival de Cinema de Gramado (2022, 2024) em que Victor foi o primeiro ator com deficiência a receber este prêmio. Atualmente, está na distribuição do seu primeiro longa-metragem, “LONDON“, que será distribuído pela Retrato Filmes. Victor já integrou júris, curadorias de festivais como Kinoforum, MixBrasil, FRAPA e é um expoente no cinema DEF no Brasil.