Mostra outros esquemas

De 26 a 30/06 na Cinemateca Paulo Amorim – Sala Eduardo Hirtz

Durante o processo de seleção, nós, curadores, nos deparamos com um conjunto de obras que não se apresentam por meio de rupturas formais ou em um contexto de experimentação de linguagem, requisitos que orientam a composição da mostra competitiva , mas que, em suas construções narrativas mais diretas, estabelecem diálogos com as experiências contemporâneas de uma maneira autoral e não menos verdadeira.
Cientes desta lacuna, a mostra Outros Esquemas busca, desde 2019, contempla filmes que, mesmo distantes dos territórios mais experimentais, mobilizam o espectador por sua carga afetiva e autenticidade. São histórias que também provocam, causam reflexão, comovem e por isso entendemos que merecem ser compartilhadas com o grande público.
Nesta edição, os dez filmes selecionados percorrem temas relacionados a desejos, sonhos, direitos, pertencimentos e reparações. Em conjunto, desenham um panorama plural do Brasil, revelando suas complexidades, demandas e desafios ainda em aberto. Mais do que retratos de uma realidade diversa, esses trabalhos expressam o fazer audiovisual na sua vontade mais pura e comprometida com o presente.
Diante disso, a curadoria da mostra celebra a oportunidade de abrir mais uma vez este espaço de encontro, reflexão e circulação para a produção audiovisual brasileira, reafirmando seu compromisso com a diversidade de sensibilidades que constituem o cinema contemporâneo.

Dirnei Prates, Jaqueline Beltrame, Kamyla Belli e Ramiro Azevedo – curadores

Obras selecionadas

Aláfia, de Cecilia Fontenele, 2025, 15min, PB

30 de junho, 17h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Sandra, uma mulher negra de 28 anos, enfrenta um dia difícil na cidade, navegando entre os desafios com seu filho, marido e pai doente. Em busca de equilíbrio, ela revisita seu passado e ancestralidade, buscando forças no sagrado para pedir a cura de seu pai. 

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Cecilia Fontenele

Produção: Cecilia Fontenele, Rodolpho de Barros, Luzia Costa

Produção Executiva: Cecilia Fontenele, Rodolpho de Barros, Luiza Costa

Direção de Fotografia: Carine Fiuza

Direção de Arte: Lucas Mendes

Som: Janaína Lacerda

Montagem: Caio Costa Dornelas, Joana Maia

Elenco: Manoa Meliza (Sandra), Rafael Andrade (Marido), Daniel Santos (Pai), Guilherme Nascimento (Filho).

Badlands: um parque fictício, de Cristyelen Ambrozio, 2025, 20min, RS

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30 de junho, 17h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Em uma periferia do sul do Brasil, artistas e moradores ocupam um terreno baldio para criar um parque e um museu a céu aberto.
Em meio às erosões de uma área abandonada, Badlands acompanha a disputa territorial entre um sonho coletivo e os interesses do mercado.

Ficha Técnica

Direção: Cristyelen Ambrozio

Roteiro: Cristyelen Ambrozio e Marcelo Chardosim

Produção: Adelino Bilhalva

Direção de Fotografia: Adelino Bilhalva

Som: Dona Conceição

Montagem: Cristyelen Ambrozio e Daniel Rodrigues
Elenco: Vera Junqueira, Marcelo Chardosim, Andres Escobar e Jonatan Tavares

Animação: Fabio Spolti

Bate Cabelo!, de Luís Knihs, 2025, 71min, SP

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28 de junho, 15h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Quando Márcia Pantera subiu ao palco da icônica boate Nostromondo, no início dos anos 90, e revelou o Bate Cabelo, ela não fazia ideia de que estava criando um símbolo que se tornaria central para a cultura LGBTQIAPN+ no Brasil. Entre imagens de arquivo e depoimentos reveladores, o documentário mergulha na origem de um movimento que atravessou noites, décadas e fronteiras, e tornou-se uma expressão de identidade e resistência.

Ficha Técnica

Direção: Luís Knihs

Roteiro: Will Martins, Luís Knihs, Carol Gesser e Marcia Pantera

Produção: Yusuf Etiman, Carol Gesser, Luís Knihs e Sladká Meduza 

Produção Executiva: Carol Gesser

Direção de Fotografia: Sladká Meduza 

Direção de Arte: Lize Borba

Som: Rubén Valdes

Montagem: Luís Knihs

Elenco: Marcia Pantera, Silvetty Montilla, Brunessa, Natasha Princess, Gretta Star, Yasmin Bispo

Boi de Salto, de Tássia Araújo, 2025, 15min, PI

27 de junho, 15h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Após fugirem da fazenda de seu Amaro, pai Francisco e mãe Catarina chegam à Teresina para começar uma nova jornada. Abdias, filho do casal, sonha em dançar de salto alto, no grupo mais tradicional de Bumba-Meu-Boi da sua cidade. Depois de ser impedido de dançar de salto, Abdias cria uma tradição para si mesmo. 

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Tássia Araújo

Produção: Érca Santos

Produção Executiva: Tássia Araújo

Direção de Fotografia: Maria Navarro

Direção de Arte: Verônica Coelho

Som: Gabriel Portela

Montagem: Carina Bueno e Priscila Guedes

Elenco: Mikael Costa, Kelly Campelo, Pedro Wagner, Luca Santos

Braço Forte, de Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas, 2025, 24min, RS

30 de junho, 17h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse: Leandro trabalha de madrugada na manutenção do Porto de Pelotas, na periferia do Rio Grande do Sul, quando um acidente acontece. Junto a Mano, seu novo colega, Leandro encara os fantasmas do trabalho e procura formas de seguir em frente. Braço Forte retrata a juventude interiorana marginalizada, no extremo Sul do Brasil, numa realidade em que a violência permeia os modos de agir, sentir e pensar.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas

Produção: Lauren Mattiazzi Dilli

Produção Executiva: João Fernando Chagas

Direção de Fotografia: Gianluca Cozza

Direção de Arte: Julia Regis

Som: Nina Mayers

Desenho e Mixagem de Som: Otávio Vassão

Montagem: André Berzagui

Elenco: Marvin Souza, Matheus Perazo, Josemi Bezerra, Leandro Gomes, Gustavo Duarte, Wesley Silveira “Akins”, Moyzés Farias, Daniel “Gaby”

Capim-Navalha, de Michel Queiroz, 2026, 90min, GO

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26 de junho, 17h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Em uma periferia do sul do Brasil, artistas e moradores ocupam um terreno baldio para criar um parque e um museu a céu aberto.
Em meio às erosões de uma área abandonada, Badlands acompanha a disputa territorial entre um sonho coletivo e os interesses do mercado.

Ficha Técnica

Sinopse:

Capim Navalha é um documentário de longa-metragem sobre pessoas trans que moram na Chapada dos Veadeiros. Diferentes entre si, complexas por suas trajetórias retratadas em seus territórios corporal- geográfico-decolonial-interseccional e suas vivências LGBTQIAPN+ no Cerrado Goiano. O filme apresenta narrativas de gênero dissidentes, elaborando fricção e alteridade sobre esses elas/eles/elus, trazendo uma reflexão sobre sociedade no cis-tema dentro do Centro-Oeste 

Sinopse curta:

Pessoas trans que moram na Chapada dos Veadeiros, diferentes entre si, complexas por suas trajetórias retratadas em seus territórios corporal- geográfico-decolonial-interseccional e suas vivências LGBTQIAPN+ no Cerrado Goiano.

Drunken Car, de Brunella Martina, 2025, 16min, RS

27 de junho, 15h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Lana, uma adolescente tímida, porém destemida, foge de casa para ir à sua primeira festa. Ela consegue uma carona, mas o carro quebra no meio do caminho. Lana então decide seguir a pé até a festa. Ambientado no sul do Brasil, Drunken Car é um coming-of-age poético sobre desejo, risco e autodescoberta. No fim, o filme é uma meditação sobre as fronteiras borradas do tornar-se.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Brunella Martina

Produção: Patricia Barbieri

Produção Executiva: Pamela Moreira

Direção de Fotografia: Lívia Pasqual

Direção de Arte: Gabriela Burck

Som: Marcos Lopes

Montagem: Brunella Martina

Elenco: Eduarda Linhares, Gabrilea Mossman, Eduardo Hoy, Igor Chesini.

Judas é Meu Avô, de Dudu Gehlen, 2025, 19min, MA

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27 de junho, 15h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Judas é Meu Avô é um curta-metragem que investiga as relações entre memória, herança familiar, religiosidade popular e violência simbólica dentro da estrutura familiar brasileira. O filme parte da figura de um avô associado à imagem de Judas, personagem bíblico historicamente ligado à traição, para construir uma narrativa sobre silêncio, ressentimento, masculinidade e transmissão afetiva entre gerações. A obra mistura elementos de ficção, performance e imagens de arquivo, criando uma atmosfera onírica e ritualística. O título opera como metáfora central: Judas não aparece apenas como traidor, mas como corpo condenado, exposto publicamente, queimado e punido coletivamente. A partir disso, o filme aproxima a tradição popular da “malhação de Judas” das dinâmicas íntimas de julgamento e exclusão presentes nas famílias.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Dudu Gehlen

Produção: Dudu Gehlen

Produção Executiva: Dudu Gehlen

Direção de Fotografia: Fábio Barros

Direção de Arte: Dudu Gehlen

Som: Cahhi Silva

Montagem: Fábio Barros

Elenco: Dudu Gehlen

Cartaz: Jefferson Santi.

Música Clássica é pra Quem?, de Eliete Ramos, 2025, 24min, SP

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30 de junho, 17h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Música clássica é para quem? conta a história de Regiane Dias, conhecida como NegaRhe, mulher negra e periférica que é Regente Assistente, Produtora, Violinista e Monitora da Orquestra de formação Alberto Nepomuceno (OFAN). O filme busca desvendar as raízes musicais de Regiane e explorar suas fontes de inspiração e os estímulos que a impulsionaram em sua jornada musical. Paralelamente, ressalta a relevância da arte e da ampliação da educação cultural na sociedade brasileira, e revela como a privação desses direitos pode deixar uma população desconectada de sua própria identidade cultural.

Ficha Técnica

Direção: Eliete Ramos

Produção e Roteiro: Fernanda Silva 

Produção Executiva: Luciana Stipp, Fernanda Silva e Nayara Anjos 

Direção de Fotografia: Carlos Scupê

Direção de Arte: Pablo Abreu

Som: Valdir Jr

Montagem: Carlos Scupê

Elenco: Regiane Dias – NegaRhe; Débora Vaz – Dançarina.

Animação: Fabio da Rocha Gomes

Vermelho de Bolinhas, de Renata Fortes e Joedson Kelvin, 2025, 19min, CE/PI

L

27 de junho, 15h

Cinemateca Paulo Amorim

Sinopse:

Vermelho de Bolinhas aborda aspectos de complexidade em torno da construção da imagem de Benigna Cardoso, jovem sertaneja que, aos 13 anos, foi vítima de feminicídio, em 1941, no interior do Ceará. Sem fotografias autênticas da menina, o filme questiona o significado de um rosto que nunca foi visto mas é especulado. Diante da falta de registro fotográfico, propondo Atravessamentos nas fronteiras entre o visível e o imaginado, entre o real e o especulado, uma jornada de reconstrução através de relatos orais e documentos históricos. Essa busca multifacetada e profusa concebe e disputa a representação imagética da “Heroína da Castidade”.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Renata Fortes e Joedson Kelvin

Produção: Joedson Kelvin

Produção Executiva: Renata Fortes e Joedson Kelvin

Direção de Fotografia: Renata Fortes

Direção de Arte: Joedson Kelvin

Som direto, Desenho de Som e Mixagem: Mike Dutra

Montagem: Lucas Santos, Joedson Kelvin e Renata Fortes

Cor: Wallace Douglas

Elenco: Maria Cledeiza Felix, Penha Eliodório, Cicera da Silva, Maria Ducarmo Francisco de Sousa, Ana Bárbara de Sousa, Francisca Francilene Barbosa da Silva, Maria de Lourdes da Silva, Maria do Socorro da Silva, Maria Doralice, Ana Bernardo da Silva, Antonia Paz dos Santos, Maria Duarte de Sousa, Mayza Júllia Felix de Oliveira, Geovanna Felix de Oliveira, Benigna Ravina Macário de Oliveira, Maria Vitória de Souza Bento, Heloísa Vitória Gomes Felix, Júlia Laís Queiroz Alves, Maria Aparecida da Silva Correia, Monique Elen Gomes da Silva, Ludmila Evelyn Gomes da Silva, Bárbara Maria da Silva Rodrigues, Sthefany Cristine Cabral Vieira, Sthefany Cristine Cabral Vieira, Sandro Cidrão.