Seminário Pensar a Imagem

Dia 29/06, das 10h às 12h, das 14h às 16h e das 17h às 19h; e dia 30/06, das 10h às 12h.

No Goethe-Institut Porto Alegre.

A curadoria como trabalho com o arquivo

 O Seminário Pensar a Imagem chega à sua quarta edição no 16º Cine Esquema Novo. A atividade propõe, desta vez, um debate sobre curadoria como trabalho com arquivos, tomando as obras audiovisuais não como objetos encerrados em sua historicidade, mas como arquivos vivos, atravessados por disputas de memória, gestos de montagem, sobrevivências e reativações no presente.

Mais do que pensar o arquivo estritamente como lugar de conservação, interessa interrogar as operações de seleção, deslocamento, recombinação e leitura que constituem toda prática curatorial. Se todo arquivo implica escolhas, ausências e regimes de visibilidade, a curadoria aparece aqui menos como instância organizadora ou legitimadora e mais como trabalho crítico sobre temporalidades, restos, lacunas, fabulações e reaparições das imagens. O que se propõe é pensar o cinema e as artes visuais como campo em permanente atualização, no qual as obras persistem, retornam, contaminam o presente e seguem produzindo sentidos imprevistos.

Em um contexto marcado pela circulação incessante de imagens e pela disputa permanente em torno das políticas da memória, pensar as imagens como arquivos vivos significa também perguntar o que pode a curadoria diante do excesso, do esquecimento programado e das formas contemporâneas de apagamento. Propomos uma reflexão sobre as possibilidades de ativação crítica das imagens, os modos de reinscrever obras e gestos cinematográficos no presente e as potências políticas, estéticas e afetivas que emergem quando as imagens são tomadas não como patrimônio fixo, mas como matéria viva de montagem, transmissão e imaginação histórica.

Proposição: Gabriela Almeida 

Mediação: Lennon Macedo

Gabriela Almeida é professora titular e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM-SP (PPGCOM), onde coordena o grupo de pesquisa Sense – Comunicação, consumo, imagem e experiência. É doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS (2015), com estágio na Universidad Autónoma de Barcelona (UAB), e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA (2009). É vice-coordenadora do GT Comunicação e Experiência Estética da Compós. Integrou a diretoria da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE) e foi editora da Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (REBECA), da SOCINE.

Lennon Macedo é professor e pesquisador. Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC), do Núcleo de Pesquisa Semiótica Crítica e do Grupo de Pesquisa Agenciamentos da Imagem. Participa também do iA* Investigação em Artes, da Universidade da Beira Interior (Portugal) e da Rede de Pesquisa Teoria de Cineastas. É professor e pesquisador de cinema e filosofia na Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH). Investiga atravessamentos entre Audiovisualidades, Comunicação e Semiótica, com foco em Cinema Contemporâneo, Teoria de Cineastas, Teorias da Comunicação e Pós-Estruturalismo.

29/06, segunda-feira, às 10h

1. Curadoria como trabalho de montagem e de memória

Convidados: Lorenna Rocha e Elisandro Rodrigues 

Lorenna Rocha é historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema. Mestre em Comunicação (UFPE). Cofundadora da Plataforma INDETERMINAÇÕES, onde desenvolve projetos que unem práticas de pesquisa, publicação, programação, difusão e preservação audiovisual. Editora-chefe da revista câmarescura. Participou de programas de formação em crítica de cinema como Talent Press (Berlim, 2023) e RAW/Arché (Portugal, Trujillo e Madrid, 2024). Fez parte da curadoria de festivais como Janela Internacional de Cinema do Recife e Festival Internacional de Curtas-metragens de Belo Horizonte. Desde 2024, integra a equipe de programação de curtas da Mostra de Cinema de Tiradentes.

Elisandro Rodrigues é Pedagogo e Doutor em Educação. Professor do Departamento de Estudos Básicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS. Integrante do Grupo de Pesquisa Carcarás (Unisinos) e do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Cultura – NUPPEC, Eixo 2 – Psicanálise, Educação e Cultura. Ao longo dos últimos anos vem se dedicando a pesquisar sobre a montagem da escrita e da leitura.

29/06, segunda-feira, às 10h

2. Curadoria e relações de poder 

Convidados: Lennon Macedo e Bernardo de Souza 

Lennon Macedo é professor e pesquisador. Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC), do Núcleo de Pesquisa Semiótica Crítica e do Grupo de Pesquisa Agenciamentos da Imagem. Participa também do iA* Investigação em Artes, da Universidade da Beira Interior (Portugal) e da Rede de Pesquisa Teoria de Cineastas. É professor e pesquisador de cinema e filosofia na Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH). Investiga atravessamentos entre Audiovisualidades, Comunicação e Semiótica, com foco em Cinema Contemporâneo, Teoria de Cineastas, Teorias da Comunicação e Pós-Estruturalismo.

Bernardo José de Souza promove exposições, escreve e investiga arte contemporânea. Ex-diretor artístico da Fundação Iberê Camargo (2017/19), em Porto Alegre, atualmente trabalha como curador independente sediado em Madri. Fez parte da equipe curatorial da 19ª Bienal de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil | São Paulo 2015, e também da 9ª Bienal do Mercosul | Brasil | 2013. De 2005 a 2013, atuou como Diretor do Departamento de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Entre as exposições que destacam em sua trajetória estão Sex in Space, na Isla Flotante (2025); Electric Jungle Fever — Vivian Caccuri (2025), na Galeria Municipal do Porto; The Disagreement: a theatre of statements (2024) e The Devil to pay in the backlands (2022), ambas no NKW / Neuer Kunstverein Wien; Film as Muse (2021), no Salzburger Kunstverein; An Exhibition with works by… (2020), no Kunstinstituut Melly; Havoc and Allure (2019), no Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro; Unanimous Night (2017) no CAC / Contemporary Art Center, em Vilnius; e A Mão Negativa (2015), no Parque Lage, Rio de Janeiro.

29/06, segunda-feira, às 17h

3. O trabalho da curadoria nas lacunas dos arquivos

Convidadas: Kaya Rodrigues e Nica Maleoa 

Kaya Rodrigues é multiartista, cineasta, produtora e arte-educadora formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pós-graduada em Pedagogia da Arte pela mesma Universidade. Tem sua atuação no campo do cinema, da música, do teatro e do carnaval. Desenvolve há 13 anos uma pesquisa voltada à cultura popular sendo uma das fundadoras do Coletivo carnavalesco Bloco da Laje. No audiovisual, trabalha também com Roteiro e Direção e assina como diretora o curta-metragem “Vozes do Silêncio” (2022), ao lado de Luís Ferreirah, com roteiro do rapper Zudzilla. Foi fundadora e produtora do coletivo Criadoras Negras-RS e do coletivo Macumba Lab de cineastas negros do RS. Como atriz, protagonizou as séries “Necrópolis” e “Alce & Alice”, que podem ser encontradas nos catálogos da Globoplay e Amazon Prime. Atualmente, Kaya Rodrigues é Curadora Geral do Festival Cinema Negro em Ação, função que desenvolve desde 2023, e está em fase de finalização de seu primeiro longa-metragem, dirigido ao lado de Gabriel Faccini, o documentário “Ialode”, sobre a música negra do Rio Grande do Sul a partir da perspectiva de quatro compositoras.

Nica Maleoa é especializada em produção executiva e direção de produção em audiovisual.  Gerenciou mais de 150 projetos audiovisuais abrangendo cinema, cultura, comunicação ou tecnologia. Foi coordenadora de produção da Revista Noize (NRC) e Noize Media. Foi presidenta na gestão 2021-2023 da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos (APTC-RS). É membra ativa do Cineclube Academia das Musas e participa, através de edital, do projeto de inserção de cineclubes em eixos fora da região central da cidade de Porto Alegre. A partir disso, pesquisa e exibe curtas metragens brasileiros de mulheres e dissidentes de gênero em grupo de estudantes de escola estadual no projeto “Cineclube na Escola” enquanto professora e produtora. Dirigiu em 2024 seu primeiro curta metragem.

30/06, terça-feira, às 10h

4. Relações entre curadoria e cinefilia

Convidadas: Daniela Strack e Manu Couto

Daniela Strack é doutoranda e mestre em Comunicação pelo PPGCOM/UFRGS (2022), e graduada em Cinema pela PUCRS (2014). É professora dos cursos de Realização Audiovisual e Produção Audiovisual da Unisinos. Integra o grupo de pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC/CNPq), linha “Agenciamentos da Imagem” (GPAGI). Sua dissertação de mestrado sobre a cineasta Helena Ignez recebeu menção honrosa no Prêmio Socine de Teses e Dissertações 2023. Trabalha como assistente de direção cinematográfica desde 2012, participando de diversos longas-metragens brasileiros, como Tinta Bruta (2018), A Colmeia (2019), Raia 4 (2019), 5 Casas (2020), Despedida (2021), A Nuvem Rosa (2021), Bicho Monstro (2024) e Ato Noturno (2025). Foi presidenta da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul (APTC-RS) na gestão 2019-2021. É membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS).

 

Manu Couto é cinéfila, cineclubista e quase jornalista de verdade. Se interessa por arte, comunicação e nos efeitos inesperados que acontecem quando as duas se misturam. É estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e estagiária na editoria Arte & Agenda do jornal Correio do Povo. Sua atuação no cinema passa pelo Cineclube Vestígio, onde organiza mostras e sessões especiais junto ao coletivo, e também pela Sala Redenção, o cinema universitário da UFRGS, onde atuou na programação e na comunicação de 2022 a 2024. Em 2026, integrou o Júri Jovem da 29º Mostra de Tiradentes, que selecionou o filme vencedor da Mostra Aurora. Também atua na equipe do selo e produtora cultural Outrahora. Gosta de trabalhar nos bastidores, sempre mantendo uma prática guiada por sensibilidade artística, curiosidade constante e uma certa inclinação ao estranho.