CADERNOS DE ARTISTA
Interior, Dia
2025, 20min, PR
30/06, 17h
Cinemateca Capitólio
Interior, Dia
Após a morte de sua avó, Paulinho retorna à sua cidade natal no interior do Paraná. Enquanto sua mãe pede que ele recupere uma foto para a lápide de sua avó, um mal-entendido e uma misteriosa mulher loira o colocam em um caminho de encontros com os moradores da cidade.
Ficha técnica
Direção: Luciano Carneiro, Paulo Abrão
Roteiro: Luciano Carneiro, Paulo Abrão
Produção: Paulo Abrão, Carine Cardoso
Produção Executiva: Paulo Abrão
Direção de Fotografia: Ana Galizia
Som: Carmen Agulham, Estúdio Dobra
Montagem / Edição: Luciano Carneiro
Personagens Reais: Rosângela Couto, Dita Chicuta, Paulo Abrão, Ana Rodrigues, Gabriel Milleo, Tida Gondim, Elizeu Subtil, Maria Fernanda Delprá
Festivais, Mostras e Prêmios
14º Olhar de Cinema (2025) – Prêmio AVEC-PR;
27º Festival Kinoarte de Cinema (2025);
3º Levante Festival de Curtas-metragens de Pelotas (2025);
1º Festival de Cinema Curucaca (2025) – Prêmio Melhor Direção de Documentário;
VIII Mostra Sesc de Cinema.
BIOGRAFIA DE ARTISTA
Paulo Abrão (1995) é pesquisador, produtor e realizador paranaense. Graduado e Mestre em Química, fez especialização em Ações Poéticas e Educacionais para a Contemporaneidade na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Migrou para o campo das artes a partir do acervo fotográfico do retratista Almiro da Silva, proprietário do estúdio Foto Estrela em Sapopema, no interior do Paraná, mesmo cenário onde tem buscado criar filmes híbridos entre documentário e ficção. Co-dirigiu, com Índigo Braga, o curta-metragem “Animais Noturnos” (2024), exibido em festivais nacionais e internacionais
Luciano Carneiro é montador e realizador radicado no Rio de Janeiro, formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense. Como montador, atuou nos curtas-metragens “Inconfissões” (2018), de Ana Galizia; “O Cavalo de Pedro”, (2023), de Daniel Nolasco; “Canto das Areias” (2024), de Maíra Tristão; dentre outros. Colaborou também como montador na série documental “Enredos da Liberdade” (2024). Como realizador, co-dirigiu com Paulo Abrão os curtas-metragens “Interior, Dia” (2025) e “Bolota” (em processo de finalização)
FILMOGRAFIA – PAULO ABRÃO
SOBRE A OBRA
Interior, Dia’ é um filme híbrido entre o documentário e a ficção realizado em Sapopema, interior do Paraná, cidade onde nasci e cresci.
A proposta do filme se constrói a partir do acervo do estúdio Foto Estrela, um lugar central para a memória fotográfica da pequena cidade. Com o falecimento de seu fundador e proprietário, o fotógrafo Almiro da Silva, o estúdio foi abandonado e milhares de imagens produzidas ao longo de décadas passaram a correr o risco de se perder. Com a recuperação das mais de 5.000 fotos ainda em negativos, surge em mim e no meu companheiro de projetos Luciano Carneiro o desejo de realizar um documentário que se voltasse a Sapopema, seus moradores e suas histórias comuns.
Ao longo do processo, a nossa paixão pela ficção traçou pontos de inflexão interessantes. Os personagens que encontrávamos e convidamos para participar do filme eram pessoas que eu conhecia bem, que sempre estiveram lá na minha infância, alguns deles da minha família. Para além de emprestar suas memórias em entrevistas e contação de causos, essas pessoas começaram a dividir com a gente a empolgação pelo faz-de-conta.
Assim, o filme busca ir além do material do arquivo e passa a ser um filme sobre uma cidade e suas histórias, as verdadeiras e as inventadas, um jogo lúdico entre o filme e seus personagens. É um filme sobre performance e memória, sobre como a última é constantemente construída a partir da forma como interpretamos e reinterpretamos os eventos à nossa volta. Já o material de arquivo, passa a ser um grande retrato estético do que é e ainda pode ser aquela cidade.
FRAGMENTOS DE ROTEIRO
OBRA CONVIDADA
JARDELINA DA SILVA: EU MESMA
2001, 55min
de Cristiane Mesquita e Lucas Bambozzi
Justificativa
Jardelina da Silva nasceu em Bela Vista do Paraíso, cidade no interior do Paraná. Artista, costureira e performer, Jardelina preparava sua indumentária, gritava pela rua e terminava sua performance com um registro fotográfico no Estúdio Foto Pan.
No filme, Jarda compartilha as fotografias que guardava em seus álbuns, imagens que registram suas performances ao longo dos anos. Já no fim de sua vida, queimou todas elas. Dizem que suas últimas palavras foram: “Queima tudo, Agenor!”, dirigindo-se ao irmão, que já havia falecido.
Sempre gostei de imaginar como poderia ter sido o encontro entre Jardelina da Silva e Almiro da Silva, dois artistas do interior do Paraná. De um lado, um fotógrafo retratista que quase teve trabalho de décadas jogado fora. Do outro, uma artista que finalizou seu trabalho com a produção de um retrato em um estúdio e ateou fogo em toda a sua obra.
“”Interior, Dia”” se inspira nessa tensão entre memória, esquecimento e a fabulação para construir sua narrativa.
Sinopse
Jardelina da Silva, 73 anos, costura enredos reais e imaginários, que em suas palavras, “fecham o mundo inteiro”. Transforma sua biografia e a história do mundo em roupas e grita nas ruas o “jornal do planeta”. A cada trabalho, registra sua própria imagem no Foto Pan, em Bela Vista do Paraíso. Para Jardelina só vale o que ela pode assinar, e é “a voz de Jardelina que dirige esse documentário”.
