CADERNOS DE ARTISTA

Soldado sem sono
2026, 16min, GO

30 de junho, às 19h

Cinemateca Capitólio

Soldado sem sono

Durante a Terceira Guerra Mundial, pesquisadores norte-americanos buscam uma forma de combater um misterioso fenômeno que tem feito com que pessoas de diferentes partes do mundo caiam em sono profundo por tempo indeterminado.
Ficha técnica

Direção: Rafael de Almeida
Roteiro: Rafael de Almeida
Produção: Rafael de Almeida
Som: Paulo Balduino
Montagem: Paulo Balduino e Rafael de Almeida

BIOGRAFIA DE ARTISTA

Rafael de Almeida é cineasta e artista visual. Nasceu em 1987, em Goiânia, onde vive e trabalha. É doutor em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com estágio de doutorado na Universidad Complutense de Madrid, e pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor no curso de Cinema e Audiovisual e no Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (PPGTECCER) da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Sua pesquisa artística se desenvolve no cruzamento entre o cinema e as artes visuais, tendo a montagem como princípio central de pensamento e criação, a partir do reemprego de materiais de arquivo. Seu trabalho investiga o estatuto das imagens enquanto vestígios instáveis do passado, mobilizando arquivos reais e ficcionais, incluindo imagens geradas por inteligência artificial, como matéria para fabulações críticas, frequentemente articuladas a paisagens e territórios do interior do Brasil. Por meio de procedimentos híbridos que atravessam filme, vídeo, fotografia expandida, instalação e processos fotoquímicos, suas obras habitam uma zona ambígua entre vestígio e fabulação, tensionando noções de tempo, memória e evidência.

Seu trabalho foi apresentado em festivais de cinema e salões de arte no Brasil e no exterior, com participações no Salão Anapolino de Arte (2022), na Bienal do Sertão de Artes Visuais (2023), no Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto (2024) e no Salão de Arte de Ribeirão Preto (2024). Foi premiado no Salão de Arte em Pequenos Formatos do Museu de Arte de Britânia (2022), no Salão de Arte Contemporânea de Jataí (2023) e no Salão dos Artistas Sem Galeria (2025).

Suas obras integram os acervos do Museu de Arte Contemporânea de Goiás (GO), Museu de Arte de Britânia (GO), do Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS GO), do Museu de Arte de Santa Maria (RS) e do Museu de Arte Contemporânea de Jataí (GO). Em 2025, realizou sua primeira exposição individual, Sob nossos cascos, em Goiânia (GO), com curadoria de Divino Sobral.

 

FILMOGRAFIA

PELA METADE (2006, 5 min)
IMPEJ (2007, 10 min)
A SAUDADE É UM FILME SEM FIM (2009, 3 min)
ESTELA (2011, 3 min)
TALVEZ SEJA O VAZIO (2011, 8 min)
AZUL COR DE TERRA (2011, 5 min)
CARROSSEL (2013, 3 min)
PARA NÃO ESQUECER (2016, 9 min)
WIDE AWAKE (2018, 7 min)
AINDA ONTEM (2020, 17 min)
ARRORRÓ (2022, 9 min)
ABOIO (2022, 1 min 30 s)
RETRATO DAS ESTRELAS QUANDO SONHAM (2023, 23 min)
TUPANANCHISKAMA (2023, 7 min 20s)
CRATERA (2024, 4 min)
SOLDADO SEM SONO (2026, 17 min)

Comentário sobre a obra

“Soldado sem sono” é um filme integralmente construído a partir de imagens de arquivo e found footage, provenientes de filmes institucionais, registros científicos, propaganda militar, publicidade industrial e materiais televisivos. A obra não produz imagens originais: sua estratégia é a recontextualização crítica de materiais preexistentes por meio da montagem.

O filme articula guerra, ciência, indústria e cultura de consumo para investigar a captura do sono como última fronteira improdutiva do corpo. A pesquisa sobre o pardal-de-coroa-branca e sua capacidade de permanecer acordado durante longos períodos opera como eixo biopolítico da narrativa, conectando experimento científico, controle estatal e expansão econômica. A obra foi livremente inspirada no livro 24/7: Capitalismo Tardio e os Fins do Sono, de Jonathan Crary.

A narração em inglês reforça a dimensão geopolítica da história e acentua a centralidade dos Estados Unidos como vetor tecnológico e militar. A montagem progressivamente intensifica a sobreposição entre produção bélica, aceleração tecnológica, publicidade e redes digitais, criando um fluxo imagético saturado que espelha a lógica 24 horas do capitalismo contemporâneo.

A obra é pensada prioritariamente para exibição em sala de cinema, mas pode ser apresentada também em contexto expositivo como vídeo monocanal em loop, preservando a continuidade do fluxo de imagens.

OBRA DE REFERÊNCIA

Queimando em azul profundo

2021, 18min

de Paulo Balduino

Sinopse

Mergulhando em silêncio rumo ao azul profundo, Momoe tenta não ficar triste.