CADERNOS DE ARTISTA
Fronteriza
2025, 20min, PR/SP
27/06 | 15h
Cinemateca Capitólio
Fronteriza
Lucca, um jovem homem trans da periferia de São Paulo, viaja até a fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina em busca do pai que nunca conheceu. Ao chegar, conhece Diego, um paraguaio que vive na fronteira e o apresenta à região de uma forma que Lucca jamais imaginou. Juntos, eles descobrem semelhanças e diferenças em seus modos de vida que vão além dos binarismos de gênero, identidade e território.
Ficha técnica
Direção: Rosa Caldeira e Nay Mendl
Roteiro: Rosa Caldeira e Nay Mendl
Produção: Nay Mendl e Rosa Caldeira
Produção Executiva: Nayana Ferreira e Nay Mendl
Montagem: Verónica Díaz
Direção de Fotografia: Well Amorim
Direção de Arte: Luane Maciel, Paulo Eduardo Garcia
Som: Lyn Santos
Elenco: Nay Mendl, Diegoló
Festivais, Mostras e Prêmios
14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba (2025)
36º Festival Internaciomal de Curtas de São Paulo (2025)
19° For Rainbow – Festival de Cinema e Cultural da Diversidade Sexual e de Gênero (2025)
Noturno – Festival Internacional de Curtas do Recife (2025)
9th QUELLY – Mostra de Cinema de Gênero e Sexualidade
26º FestCurtasBH – Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (2025)
ARDER en la frontera (2025)
3 Margens Festival Latino-Americano de Cinema
7ª MCLARG – Mostra de Cinema Latino-Americano de Rio Grande
ASUFICC – Festival Internacional de Cine Contemporáneo de Asunción
13ª Curta Brasília – Festival Internacional de Curta-Metragem
MOSTRA PINDORAMA DE CINEMA
33 Mix Brasil
29ª Mostra Tiradentes
Curta Cinema
15ª Mostra Ecofalante de Cinema
Festival Guarnicê
BIOGRAFIA DE ARTISTA
Rosa Caldeira é cineasta trans cria da quebrada de São Paulo, com raízes no norte de Minas e sul da Bahia. Seus filmes foram exibidos e premiados em mais de 40 festivais como Berlinale, Locarno e Havana. É membro da Rede de Talentos Paradiso, Berlinale Talents e Malaga Talents, fundador da APTA e da Maloka Filmes. Formado pela EICTV, graduado em Sociologia, técnico em elétrica e filho do meio de uma família de 8 irmãos.
FILMOGRAFIA
- PERIFERICU (2020, 20′)
- ANBA DLO (2025, 18′)
- FRONTERIZA (2025, 20′)
BIOGRAFIA DE ARTISTA
Nay Mendl é um cineasta trans brasileiro da favela de São Paulo, cujo trabalho explora o corpo, o tempo e a memória. É formado em Cinema pela Universidade Federal de Integração Latino-Americana (UFLIA), com intercâmbio pela Universidade Nacional da Colômbia (UNC) e especialização em Direção pela EICTV – Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba.
Faz parte da rede Berlinale Talents e é cofundador da Maloka Filmes, um coletivo de cinema comunitário, e do Festival Perifericu de Cinema e Cultura da Favela.
Seus filmes foram exibidos mais de 300 vezes em festivais ao redor do mundo, incluindo IDFA, Oberhausen, Huelva, FICCALI, Kassel DokFest, Frameline, Tiradentes, Havana, Olhar de Cinema e Kinoforum, e receberam indicações ao BAFTA Student Awards e ao Prêmio da Academia Brasileira de Cinema.
Nay Mendl navega pela resistência e criatividade do cinema trans, da favela e latino-americano.
FILMOGRAFIA
- Perifericu (2020, 20′)
- Sonho De Pedra (2022, 12′)
- La Forma Del Caimán (2023, 9′)
- Será Inmortal Quien Merezca
- Selo(2024, 19′)
- Fronteriza(2025, 20′)
ROTEIRO COMPLETO DO FILME
Nós também estamos onde a mira não alcança, porque embora não haja exílio, há a fuga. A fuga para onde estas palavras rumam. A fuga onde a gente se encontra […] é para o apesar, para o terreno da força que contradiz toda brutalidade, que estas palavras fogem. Elas fogem para a beleza, mesmo que para isso tenham de passar por campos em chamas. A meta não é tanto o outro lado, mas o aqui, esse aqui para onde estamos indo e onde já estamos.
O aqui e onde viemos. (MOMBAÇA, 2021, p. 16-17).
NOTAS DE PROCESSO
No processo de criação de Fronteriza, um grande fato de referencia foi a escritura da Carta de un amoral, publicada no jornal El Pais, no Paraguay durante a ditadura de Alfredo Stroessner. O texto surge no contexto do Caso 108, episódio marcado pela perseguição violenta a homens homossexuais durante o regime.
Em setembro de 1959, o jornalista Bernardo Aranda foi assassinado queimado em Asunción e as investigações levadas pelas autoridades policiais e pela imprensa sustentavam a ideia de crime passional por parte do círculo social maricón do jovem. Logo, desencadeou-se uma grande cobertura midiática sensacionalista e uma investigação policial inescrupulosa, repleta de grande repressão às sexualidades dissidentes, onde se prendia pessoas de “dudosa conducta moral” em plena perseguição ditatorial ao que era chamada livremente pela mídia de organização de amorais e delinquentes.
Na busca pelo suspeito do crime, noticiou-se detenções de 108 pessoas amorais, em uma caça à comunidade TLBG+ da cidade, porém não há registros fiéis sobre o número de prisões, torturas e mortes nesse momento de repressão sistemática do governo de Alfredo Stroessner. O número virou sinônimo de pessoas homossexuais, desviantes, delinquentes e erradas socialmente. Logo, listas de supostos homossexuais circulavam pela cidade.
À época, uma carta de repúdio a todo esse processo foi enviada em anonimato para a mídia, sendo publicada pelo Diário El País, intitulada de Carta de un amoral. A partir desse caso, se sinaliza a ressignificação do número enquanto palavra e logo, a comunidade TLGB+ tomou como marca de resistência tanto o símbolo do 108 quanto a data de publicação da carta.
