MOSTRA ARTISTA CONVIDADA
BIOGRAFIA DE ARTISTA
Letícia Ramos é uma artista cientista que pesquisa os impactos que fenômenos geológicos e climáticos podem ter na imaginação. A partir de fenômenos naturais e efeitos ópticos, cria conexões simbólicas entre política, ciência e imaginação na interseção entre o futuro e o passado. Cria paisagens imaginárias, narrativas e fabulações que se formalizam em fotografias, instalação, filme e performance. Em sua rigorosa investigação do meio e da matéria fotográfica, utiliza modelos e técnicas de efeitos especiais analógicos.
Seus trabalhos estão em coleções como Fundação Botín, Novo Museu de Mônaco, Kadist, Itaú Cultural, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Instituto Moreira Salles e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Atualmente participa do programa de investigação artística OCEANS EDGE, projeto concebido pela Pivô e Invisible Dust (UK), que funde ciências oceânicas e arte contemporânea, em uma investigação sobre o futuro do Oceano Atlântico.
Acesse os sites: Mendes Wood DM | leticiaramos.art
CONHEÇA O ATELIÊ DA ARTISTA
OBRAS SELECIONADAS
ERBF-Câmera Instantâneo Sequencial (1,2)
2007, Looping | 35mm
Utilizando uma câmara pinhole cinematográfica de 35mm com 24 perfurações — construída pela artista — o projeto ERBF captura imagens panorâmicas inusitadas da cidade de São Paulo, tendo como alvo principal as torres de celular. Esta investigação resultou em 5 filmes de 1 minuto que retratam as “cidades-torre”.
Fotogramas em 35mm
Câmera Pinhole Cinematográfica construída pela artista
Em 2012, cientistas da base de investigação russa VOSTOK conseguiram recolher amostras de um lago a 4 km abaixo da superfície gelada. Estas amostras são “cápsulas do tempo” de uma era em que o continente da Antártida começou a gelar. Curioso sobre a existência de vida e de uma paisagem pré-histórica nas profundezas do oceano, um cientista russo enviou um submarino em miniatura até às águas geladas de um lago subglacial. Estes planos, descobertos no futuro, contêm uma investigação sobre a representação da vida marinha no Polo Sul, com lagos subpolares, submarinos russos, eras pré-glaciares e as luas de Júpiter.
[VOSTOK]
2014, 07’33” | 35mm
*Cópia em 35mm cedida pela galeria Mendes Wood DM
Modelo de Maquete para VOSTOK
GRÃO
2007, 07’34” | Filme 16mm transferido para HD
O filme conta a história de uma colônia humana num planeta incógnito, onde um antigo silo de cereais foi construído. Fenômenos naturais e mudanças climáticas fazem o silo quebrar e uma estranha plantação começa a crescer. Projeto vencedor do Prêmio Videoarte, concedido pela Fundação Joaquim Nabuco. Projeto totalmente realizado com maquetes e manipulação de imagens microscópicas durante o atêlie aberto do PIVÔ – Arte e Pesquisa em São Paulo, Brasil.
Making Of
Maquetes e Cenários
O filme experimento recria a fórmula presente no ensaio de Immanuel Kant. Escritos sobre o Terremoto de Lisboa, em que descreve o processo químico da simulação de um terremoto:
“Não é difícil para um investigador da Natureza simular os fenômenos. Peguemos vinte e cinco libras de limalha de ferro, noutras tantas de enxofre, e misturemo-las com água vulgar. Em seguida, enterremos esta massa a um pé ou pé e meio de profundidade e calquemos bem a terra que a cobre. Decorridas algumas horas, poderemos observar a liberação de um fumo espesso, a terra estremecerá e chamas irromperão do solo.
“Não é difícil para um investigador da natureza simular seus fenômenos”
2018, 07’22” | 16mm
Por volta de 1827, Hercule Florence descreveu em seu diário de bordo Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas, uma região de abruptas formações rochosas próximo à Serra de São Gerônimo. Durante uma difícil subida e descida de cachoeiras, Hercule aproveitou para observar e desenhar a incrível paisagem. Provavelmente, o momento mais mágico de sua jornada. O filme The Blue Night reconstrói o movimento estelar das nuvens e as sombras por trás das pedras emblemáticas da Chapada Diamantina. Influenciado pelos “tableaux transparentes” e pela “estereopintura”, o filme fala de uma noite imaginária perdida no tempo e no espaço. O filme, rodado com a técnica de stop motion, foi feito utilizando todo o processo de microfilme atual ainda em uso no Brasil para cópia e preservação de documentos legais. O conjunto foi composto com muitas camadas e pequenos modelos por uma mesa de câmera de microfilme regular. O som projetado misturou o canto dos pássaros noturnos e um espaço sonoro montado dessa região mágica. A trilha sonora original foi gravada em uma performance de estúdio ao vivo com um instrumento musical eletrônico, o Teremin, e uma orquestra de sintetizador analógico.
Maquetes de The Blue Night
Céu, 2017
Fotograma, Gelatina de Prata e sobre papel fotográfico
Polar 8, 2012
Fotografia Polaroid a partir de câmera-lupa, 19x27cm
Ilha Nula / Null Island
2020, 6′ | Vídeo HD e animação stop motion (imagens de webcam e modelos)
Null Island foi construído usando imagens apropriadas de webcams localizadas no Dark Sector da estação Amundsen-Scott no Pólo Sul, na Antártida. Câmaras em direto captam uma fotografia a cada 90 segundos, que são depois compiladas e usadas pela artista numa animação stop motion. Os fenómenos naturais que ocorrem na paisagem foram assim condensados: horas de filmes transformam-se em segundos, revelando as maravilhas naturais que seriam invisíveis ao olho humano por causa da sua extensa temporalidade. Null Island também contém imagens captadas pela artista na Antártida e imagens produzidas com modelos num estúdio em São Paulo, durante o confinamento da Covid19. O filme foi comissionado por Jeu de Paume e exibido no espaço virtual do no programa “Futurs d’avant”.
Null island é localizada a 0°N 0°E, onde o meridiano primário e a linha do equador se cruzam. Uma bóia no Atlântico marca a localização. Este hipotético plano existe apenas na matemática e na cartografia: foi criado para indexar outras áreas num mapa. No filme Null Island, a ciência é o pano de fundo para uma história que fala sobre isolamento e solidão. Seguimos a perceção que um cientista tem de um estranho fenómeno numa paisagem polar: uma esfera metálica que não pode ser capturada por câmaras e é visível apenas por humanos e animais.
DROP SPIKE
2021, 5min | Vídeo 16mm transferido para vídeo HD
Devido ao degelo polar, largas esferas brilhantes emergem simultaneamente em diferentes partes do planeta, como as gélidas montanhas do Lago Lacman, na Suíça, local de uma central elétrica abandonada chamada Chavalon. Estas esferas, que apenas podem ser vistas pelos olhos humanos e dos animais, contêm em si a chave do enigma. Este filme foi feito durante a residência artística La Becque, a partir de modelos e paisagens locais, usando uma câmara de 16 mm com motor de timelapse, desenvolvida pela artista.
Instalação — DROP SPIKE
Frames do filme
Imagens de Making Of




