CADERNOS DE ARTISTA
O Aço dos Meus Olhos
2026, 7min, DF/GO
O Aço dos Meus Olhos
No ano de 2024, trabalhadores da educação entram em greve por melhores condições de trabalho. Em uma escola do Recanto das Emas, Distrito Federal, professores, técnicos e estudantes se mobilizam conjuntamente. Uma voz coletiva ecoa no ar.
O filme é composto por três camadas: (1) Imagens em Super 8 dos rastros da greve deixados no prédio vazio; (2) Fotografias analógicas de mobilizações e encontros realizados durante a greve; (3) A gravação das voz de um estudante junto com o que é vivo e o que não é.
Ficha técnica
Direção: Pedro B. Garcia
Direção de Fotografia: Gaia Schüller, Lucas Oliveira, Nicolau, Pedro B. Garcia
Som: Gaia Schüller, Pedro B., Ramon Borges
Montagem / Edição: Pedro B. Garcia
Elenco: Gabs
Animação: Giovanna Celestino e Pedro B. Garcia
Festivais, Mostras e Prêmios
Filme inédito: estreia no 16° Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira
BIOGRAFIA DO ARTISTA
Pedro B. Garcia (1990) é educador e cineasta do centro-oeste brasileiro. Sua pesquisa e obras perpassam questões como educação, juventude e rebelião. Em 2019 defendeu pela UFF a dissertação de mestrado “Rastros da Luta: entre o documentário e as insurgências de junho de 2013”. Desde 2015, ministrou diversas oficinas de cinema em escolas da rede pública do Distrito Federal. Entre 2022 e 2024 foi professor do Instituto Federal de Brasília – Campus Recanto das Emas. Como parte do duo Casadearroz, realizou os curta-metragens Fantasma cidade fantasma (2016), exibido no Cinélatino 30º Rencontres de Toulouse, e Aulas que matei (2018), que teve sua estreia na mostra competitiva do 51° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Foi Produtor Executivo, Diretor Assistente e Pesquisador no longa experimental Vermelho Bruto (2022), selecionado para festivais como FIDMarseille, Mostra Tiradentes e IndieLisboa, onde recebeu Menção Especial do Júri da mostra competitiva internacional. Seu trabalho anterior, Caravana da Coragem (2024), foi ganhador do prêmio de melhor curta-metragem brasileiro no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.
FILMOGRAFIA
- Fantasma Cidade Fantasma (2016, 13min)
- Aulas que matei (2018, 24min)
- Caravana da Coragem (2024, 11min)
- O aço dos meus olhos (2026, 7min)
NOTAS DE PROCESSO
DZIGA VERTOV
Nós caminhamos de peito aberto para o reconhecimento do ritmo da máquina, para o deslumbramento diante do trabalho mecânico, para a percepção da beleza dos processos químicos.
Nós cantamos os tremores de terra, compomos cine-poemas com as chamas e as centrais elétricas, admiramos os movimentos dos cometas e dos meteoros, e os gestos dos projetores que ofuscam as estrelas.
Trecho de Nós (Variação do Manifesto)
Registrar a greve, da qual eu fazia parte, parecia intuitivo após anos de um processo que se inicia simultaneamente na prática de registrar movimentos de luta e ação direta e na pesquisa teórica em torno das imagens produzidas nesses contextos de ação coletiva. Ao mesmo tempo interessado pela materialidade da luta e da imagem e tomado pelo que vou chamar aqui de uma melancolia comunista, seguimos um caminho menos intuitivo.
Em meio a urgência das pautas, parecia contraditório registrar aquele momento com câmeras analógicas. O tempo dos processos químicos não é o mesmo das redes e dos debates atuais. Ainda assim e ainda sem ser filme, o desejo de produzir imagens próximas de uma materialidade quase orgânica da greve apontava uma razão dessa escolha. Assim, fizemos esse filme em que a palpabilidade do modo de fazer acompanhava as imagens e sons daquela greve.
Nesse documentário experimental, a materialidade da greve é objeto central da atenção: olhar a greve para além do humano.
NOTAS DO DIRETOR
NOTURNO
O aço dos meus olhos, o fel das minhas palavras
Acalmaram meu silêncio, mas deixaram suas marcas
Se hoje sou deserto é que eu não sabia
Que as flores com o tempo
Perdem a força e a ventania vem mais forte
Hoje só acredito no pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia em cada ponto de partida
Há muito me deixou, há muito me deixou
Ai, coração alado
Desfolharei meus olhos neste escuro véu
Não acredito mais no fogo ingênuo da paixão
São tantas ilusões perdidas na lembrança
Nessa estrada só quem pode me seguir sou eu
Sou eu, sou eu, sou eu
Hoje só acredito no pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia em cada ponto de partida
Há muito me deixou
Ai, coração alado
Desfolharei meus olhos neste escuro véu
Não acredito mais no fogo ingênuo da paixão
São tantas ilusões perdidas na lembrança
Nessa estrada só quem pode me seguir, sou eu
Sou eu, sou eu, sou eu
Ai, coração alado
Desfolharei meus olhos neste escuro véu
Não acredito mais no fogo ingênuo, da paixão
São tantas ilusões perdidas na lembrança
Nessa estrada, só quem pode me seguir, sou eu
Sou eu, sou eu, sou eu
Graco e Caio Silva
OBRA CONVIDADA
Ao Sabor da Maré
2025, 11min, DF
de Pablo Cardoso
Sinopse
Em uma escola, a introspecção de distintas personalidades se transforma em uma meditação uníssona.

