2026, 12min, RS, Brasil/Hungria
O peso da história se torna leve nas mãos das crianças. Um grupo de crianças se transforma em uma equipe de entrevistadores em um parque de Budapeste, um cemitério de enormes e antigas estátuas comunistas. Suas perguntas e observações despertam ecos esquecidos e, por meio de uma montagem lúdica, o filme captura, nesse espaço limitado, a magnitude do passado e do presente de um país.
Ficha técnica
Roteiro: Thais Fernandes
Produção: Thais Fernandes / DOCNOMADS
Produção Executiva: Thais Fernandes
Direção de Fotografia: Thais Fernandes
Som: Kiko Ferraz Studios
Montagem / Edição: Thais Fernandes
Personagens Reais Principais:
– Anna Flora Szekeres
– Borbala Blanka Szekeres
– Felix Lengyel
– Simon Lengyel
Festivais, Mostras e Prêmios
BIOGRAFIA DE ARTISTA
THAIS FERNANDES (Porto Alegre, 1984) é formada em jornalismo pela PUCRS, egressa do DOCNOMADS, mestrado Erasmus Mundus em direção de documentários e mestranda em Antropologia Social pela UFRGS. Desde 2007 trabalha como montadora, diretora e roteirista de projetos audiovisuais para televisão e cinema. Atua também como consultora de projetos audiovisuais e na área docente, ministrando cursos livres de introdução ao cinema e projetos de documentário.
Focada em narrativas documentais, destaca como diretora o premiado curta UM CORPO FEMININO (BFI 2018), o longa PORTUÑOL (Festival de Gramado 2020), a série AFINAL, QUEM É DEUS? (Prix Jeunesse 2020) e o longa MEMÓRIAS DE UM ESCLEROSADO (CINEPE 2024). Em 2026 estreia o curta ESTÁTUAS TAMBÉM MORREM? (55º IFFR) e prepara a série TÁ (quase) TUDO NA INTERNET (mas calma) (EBC/TV BRASIL).
Se a gente se encontrasse com um copinho de qualquer coisa na mão, e tu me perguntasse o que eu faço, eu acho que diria que me considero uma operária do audiovisual (com todo orgulho que isso significa pra mim). Eu nunca fui cinéfila – aprendi a ver filmes fazendo filmes. Minha escola foi a televisão dos anos 80 e 90, e talvez por isso acho que pra mim é muito importante que as pessoas entendam e se conectem com o que eu estou tentando pensar com imagens (eu diria cochichando que por muito tempo achei que isso me tornava menos “artista”).
Sou da primeira geração de mulheres da minha família que foi incentivada a ser o que quisesse pessoal e profissionalmente (eu ia falar muito bem do meu pai e da minha mãe pra ti até perceber que tava me passando), e desde o início da minha formação me preocupei bastante em ser sustentável financeiramente. (Acho inclusive que a gente fala muito pouco disso no audiovisual – COMO PAGAR BOLETOS? – e dependendo do que estivesse no nosso copinho eu talvez enveredasse pra uma reclamação ostensiva sobre o capitalismo, as caixas que ele nos coloca, e a importância de não comparar trajetórias).
Eu diria também que eu faço cinema (em especial documentário) como desculpa pra conhecer pessoas, histórias e mundos distantes do meu. Eu ia exaltar loooongamente o valor de uma equipe reduzida pra gravar – tanto pra poder pagar as pessoas adequadamente quanto pra interferir o menos possível nos mundos que a gente invade pra registrar. Eu acho que a gente anda se ouvindo muito pouco hoje em dia, e certamente diria pra ti que eu acredito (do fundo do coração mesmo) que fazer documentários é uma ferramenta incrível e poderosa pra aprender a escutar. Escutar os outros e a gente. E óbvio, eu não ia deixar de falar da minha versão profe – uma das coisas que eu mais adoro fazer porque tento ser a profe que eu não tive quando tava perdida tentando achar um espelho pra cineasta que eu queria ser. Daí a gente ia fazer tim-tim e eu ia sumir sem dar tchau (faço isso muito depois de uns copinhos).
FILMOGRAFIA
- JANELA | 2012 | 3 min | BR | Doc.
- CONTRATO DE AMOR | 2012 | 3 min | BR | Doc. (direção compartilhada)
- A ÚLTIMA FOTO | 2014 | 06min30 | BR | Fic.
- NAVEGANTES | 2015 | 15 min | BR | Doc. (direção compartilhada)
- UM CORPO FEMININO | 2018 | 20 min | BR | Doc.
- AFINAL, QUEM É DEUS? | 2019 | 13 min | Doc.
- FÉ | 2020 | 3 min | BR | Doc.
- PORTUÑOL | 2020 | 70 min | BR | Doc.
- GUARDIÕES DO VENTO | 2022 | 09min40 | PT, HU, BE | Doc. (direção compartilhada)
- SHHHHEEEAAAA | 2023 | 05min40 | PT, HU, BE | Doc. (direção compartilhada)
- MEMÓRIAS DE UM ESCLEROSADO | 2024 | 75 min| BR | Doc. (direção compartilhada)
- PARA QUE SERVEM AS COISAS? | 2025 | 15min40| BR | Fic. (direção compartilhada)
- ESTÁTUAS TAMBÉM MORREM | 2026 | 12 min | BR, HU, PT, BE | Doc
NOTA DE DIREÇÃO
Enquanto estátuas encarnam uma visão fixa da memória, crianças representam pura reinvenção. Aproximar esses dois elementos em uma mesma narrativa foi uma tentativa ao mesmo tempo lúdica e deliberada de explorar o passado de um país tão distante do meu, tanto geograficamente quanto em suas origens históricas.
Vejo os documentários como exercícios de empatia, que também exigem que a gente confronte nossas próprias limitações como contadores de histórias. Percebi que a melhor forma de me relacionar com o passado do lugar em que eu estava era por meio da observação. Escolhi fazer isso provocando um diálogo entre gerações.
O título é um jogo de palavras com o filme clássico de Alain Resnais, Chris Marker e Ghislain Cloquet, que tem um nome quase idêntico. Enquanto eles fazem uma afirmação, eu escolhi formular uma pergunta. Pensado também para um público jovem, o filme convida ao diálogo aberto e à exploração. Em vez de oferecer conclusões definitivas, o projeto busca abrir um espaço onde o público possa continuar a conversa e questionar suas próprias perspectivas.
Thais Fernandes
Assista ao trailer de Estátuas também morrem na Mubi, filme de Alain Resnais, Chris Marker e Ghislain Cloquet que serviu como referência no processo de pesquisa do curta.
MÚSICA DE ABERTURA
“A Felszabadulás dala” (“Canção da Libertação”) é uma canção patriótica comunista húngara. Foi criada durante o governo de Mátyás Rákosi para celebrar o Dia da Libertação, em 4 de abril, data em que o Exército Vermelho soviético expulsou os nazistas do território húngaro, em 1950. A música foi escrita e composta pelo músico húngaro Ernő Rossa (1909–1972).
TEXTO
El título de Statues Also Die? pone en modo interrogativo la afirmación con la que Chris Marker, Alain Resnais y Ghislain Cloquet titularon su célebre film sobre el colonialismo y el arte africano. El interés de Fernandes se dirige hacia otras piezas trasladadas de lugar y reinterpretadas: las estatuas monumentales que instaló el régimen tutelado por la Unión Soviética en Hungría, y que se reubicaron en un parque-museo conmemorativo después de la caída del “socialismo real” y la disolución del bloque geopolítico de la URSS.
El enfoque es ensayístico, como el de la película francesa de 1953, pero con una recuperación de la modalidad interactiva del cinéma vérité. Hay unos niños que parecen jugar a hacer cine, y hacen preguntas a los visitantes húngaros y extranjeros del Parque de la Memoria como en Crónica de un verano (1961), de Jean Rouch y Edgar Morin, a los transeúntes de París.
En este contexto, la interrogante del título apunta hacia la transmisión de la memoria entre generaciones, con un enfoque que se interesa por las
disonancias respecto al discurso oficial del parque, en entrevistados que guardan recuerdos positivos del régimen comunista, por ejemplo. También dirige su atención hacia otros modos de interacción que surgen allí, espontáneamente, ante la posibilidad de acercarse y subirse a los pedestales de obras que han perdido su valor monumental. Lo corporal se manifiesta así relevante frente a la contemplación visual distante que trató de imponer la propaganda, no solo por el contacto físico sino por la imitación de las figuras. Las poses que, para los artistas que respondían a las instrucciones del partido comunista, daban una imagen gloriosa a la clase obrera y la nación triunfantes se revelan así cómicamente artificiosas para los que hoy por eso tratan de copiarlas. Algo análogo parece haber ocurrido siempre en el habla popular, como lo da a entender el nombre cómico que la gente le da a la pieza oficialmente llamada Monumento a la República Soviética Húngara.
La pregunta del título de Statues Also Die? parece referirse así igualmente al vago propósito, también propagandístico, que pudo haber motivado la conservación de las estatuas comunistas y la creación del parque. Hubo una intención evidente ahí de construir una nueva versión del pasado, en lo que lo
rescatable es que pone en evidencia que la memoria puede reinventarse.
Los niños del corto de Fernandes desarrollan esta posibilidad. Vistos en planos generales, escuchados en la banda sonora inventando juegos con planos de las
estatuas y jugando también a repetir musicalmente la palabra “memoria”, abren la posibilidad de imaginación del pasado en una nueva identidad futura.
El film se hace cómplice de ellos en la parte final, en la que vemos las estatuas bajo la nueva luz de juegos artísticos con la iluminación. A los ruidos de los juegos infantiles de guerra le hacen relevo allí sonidos realistas de destrucción que le dan otra dimensión a la disolución visual de la solidez de las estatuas.
La consistencia pétrea y metálica de la historia cambia catastróficamente, a pesar de los intentos de congelarla en la memoria monumental. Lo terrible se une a lo fascinante para cuestionar el retorno constante de los intentos de imponer el fin de los tiempos. El lugar común es la caída del Muro de Berlín, pero la película lo descubre en la monumentalidad comunista y quizás también, de un modo audaz secreto, en el régimen actual de Viktor Orbán.
Pero eso está en tensión con los recursos tradicionales del documental. La sed de futuro de los niños y la fascinante reimaginación del parque monumental como museo de otras memorias posibles, chocan con las fotos de archivo y su disposición, y con las entrevistas, inclusive, aunque se juegue haciéndolas.
1
2
OBRA CONVIDADA
2025, 19min30, RS
(dica: não pare de ver o filme nos créditos) ”
