CADERNOS DE ARTISTA
Oração
2023, 30min, CE
data e hora da sessão
Local
Oração
A “TRILOGIA DAS PLANTAS” é uma co-criação entre o artista visual Denilson Baniwa e o cineasta Felipe M. Bragança. Misturando ficção especulativa e cosmogonias do povo Baniwa, propõe uma imersão visual em que existências e vozes não humanas estão no centro de uma reflexão renovada sobre a idéia de fim de mundo e apocalipse.
PARTE 1 – “DESPERTAR (DAS PLANTAS)” – Sinopse: Uma mulher sonha, uma floresta chama. Uma mulher está prestes a despertar.
PARTE 2 – “FLORESTA DO FIM DO MUNDO” – Sinopse: Iracema, uma mulher indígena, divide seus dias entre o trabalho em uma central de reciclagem e sonhos em que se comunica com a voz impaciente de uma floresta.
PARTE 3 – “O JARDIM” – Sinopse: Uma revolta vegetal toma o mundo que conhecemos enquanto os sonhos de uma mulher se tornam realidade.
Ficha técnica
Direção: Haroldo Saboia
Produção: Silvana Ramalhete
Produção Executiva: Silvana Ramalhete
Direção de Fotografia: Isadora Brant
Direção de Arte: Hayge Mercúrio e Diogo Gomeva
Som: Vivi Rocha Jones
Montagem/Edição: Haroldo Saboia
Elenco: Josyara, Rogério Martins e Alysson Amaral
Roteiro: Haroldo Saboia
Festivais, Mostras e Prêmios
Festival de Cinema de Ribeirão Preto
19ª Mostra de Cinema de Ouro Preto
Bijou Film Festival
BIOGRAFIA DE ARTISTA
Felipe M. Bragança é um cineasta carioca, criado entre a Baixa Fluminense e o centro do Rio de Janeiro. Sua obra está profundamente enraizada na cultura e na memória histórica brasileiras, explorando suas múltiplas camadas por meio de uma forma singular de realismo mágico. Seus filmes foram exibidos em festivais como Berlinale, Cannes, Rotterdam, Locarno e Sundance. Retrospectivas de sua obra foram realizadas no Jeu de Paume (Paris), no California Institute of the Arts e no Arsenal Institute Berlin. Bragança está atualmente desenvolvendo uma nova adaptação do clássico modernista brasileiro “Macunaíma”, de Mário de Andrade, dirigindo ao lado de multiartista indígena Zahy Tentehar.
FILMOGRAFIA
Longas-metragens:
Uma Baleia Pode Ser Dilacerada Como uma Escola de Samba (70 min / 2025)
Um Animal Amarelo (115 min /2020)
Não Devore Meu Coração (106 min / 2017)
A Alegria (100 min / 2010) — Codirigido com Marina Meliande.
A Fuga da Mulher Gorila (82 min / 2009) — Codirigido com Marina Meliande.
Médias e Curtas-metragens:
ZIZI (30 min / 2025)
Tragam-me a Cabeça de Carmen M. ( 60 min / 2019) — Codirigido com Catarina Wallenstein.
Escape From My Eyes (33 min / 2015)
Fernando que ganhou um pássaro do mar (15 min / 2013) — Codirigido com Helvécio Marins Jr..
Zahy – uma fábula do Maracanã (5 min / 2012) — Diretor.
Por dentro de uma gota d’água (2003) — Codirigido com Marina Meliande.
BIOGRAFIA DE ARTISTA
Denilson Baniwa é amazônida de origem na nação Baniwa, tem como base de trabalho a pesquisa sobre aparecimentos e desaparecimentos de indígenas na História Oficial do Brasil, ao mesmo tempo em que busca nas cosmologias indígenas e suas representações artísticas um possível método de compartilhar conhecimentos ancestrais e ao mesmo tempo criar um banco de dados com essas cosmologias como modo de salvaguardá-las.
Participou de exposições no CCBB, Pinacoteca de São Paulo, CCSP, Centro de Artes Helio Oiticica, Museu Afro Brasil, MASP, MAR, Museu do Amanhã, Bienal de Sidney, Bienal de São Paulo, Getty Museum em Los Angeles, Museo Amparo no Mexico, Inhotim, dentre outros.
Em 2024 foi um dos curadores do Pavilhão Brasileiro na Bienal de Veneza.
Primeiro Filme
UMA BREVE NOTA SOBRE “A TRILOGIA DAS PLANTAS”
Por Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa
Rio de Janeiro, Fevereiro de 2026
Escutar outras possibilidades do tempo e da vida. Não para nos salvar, mas porque é inevitável. Essa é a nossa premissa, o nosso principal gesto aqui. O que estamos tentando fazer.
A TRILOGIA DAS PLANTAS nasceu de um sonho que Denilson Baniwa recordou durante uma conversa numa tarde quente de verão no Rio. Um sonho que girava em torno da ideia de uma pessoa que não sabia se era humana ou árvore, animal ou planta, que, em seus sonhos, pressentia uma espécie renovada de fim do mundo: Um fim do mundo que vinha das narrativas do povo Baniwa (do noroeste da floresta amazônica): misturando germinação e raiva, frutificação e ruptura. Uma revolução trazida por vozes não verbais, por gestos não mapeados como “linguagem”. Nesse momento, pensando e sentindo essas idéias, a obra do filósofo e amigo italiano Emanuele Coccia emergiu na conversa como um guia que nos ajudaria a intuir a estrutura desta pequena trilogia formada por 3 expressões de um mesmo sentimento:
A Parte 1, DESPERTAR, é uma video-performance de 10 minutos onde vemos uma entidade artística e vegetal evocando, de alguma forma, a presença onírica de uma mulher em uma rede. Desse sonho pictórico surge a sensação do despertar da ruptura que estaria por vir.
A Parte 2, FLORESTA DO FIM DO MUNDO, um curta-metragem para salas de cinemas com 25 minutos duração – que foi parte da programação do Forum Expanded da BERLINALE 2026 – é a ponte afetiva e simbólica que conecta o lugar do sonho e a da revolução (a Parte 1 e a Parte 3) – em uma estrutura cíclica onde a iminência de um desfecho transformador reside no subtexto, nos pequenos desvios, nas danças
interrompidas, dos afetos à deriva nos arredores de uma grande cidade brasileira.
Parte 3, O JARDIM, é uma videoinstalação para 3 monitores que mergulha nas imagens
de um apocalipse vegetal, uma revolução das plantas, que tomaria a hegemonia sobre as narrativas do planeta das mãos dos animais (incluindo os animais humanos) – misturando cenas com atores, desenhos de Denilson Baniwa, uma conversa com o filósofo Emanuele Coccia e criações em IA. Buscando expressar o caos e o entusiasmo desse momento de iminente ruptura.
Assim, a TRILOGIA DAS PLANTAS é um retrato fragmentado de 3 momentos de uma de uma revolução imaginada, enraizada em elementos que se desviam das imagens hegemônicas da humanidade como centro das narrativas planetárias. Nessa revolta não-humana, primeiro vem o sonho, depois o abandono do mundo, depois sua reinvenção.
Removendo a ideia da natureza (ou do mundo vegetal) como sujeitos passivos diante da história. Esta floresta – que aqui encontramos – deseja, quer, busca, sonha e anseia. Como todas as formas de vida.
OBRAS DE REFERÊNCIA
Discografia de artista Brisa Flow
Artista indígena, voz combativa e criadora feminista. Brisa Flow é autora da trilha original da parte 2 da trilogia (o curta FLORESTA DO FIM DO MUNDO). Traz em sua presença musical e em palco a força de uma proposta de reinvenção do mundo a partir de um futurismo que tem como centralidade o estar feminino no mundo e sua força de transformação. Essa energia influenciou muito o tom e o conceito de nossa trilogia.
Partido Alto
1982, 23min
de Leon Hirszman
Justificativa
Partido Alto e Nelson do Cavaquinho de Leon Hirszmann, nos quais o diretor capta e constrói cenas cotidianas e improvisadas da rotina e dos ensaios desses músicos, realizando pequenos retratos poéticos destes personagens. Uma investigação e uma ode ao samba.
O Cinema Falado
1986, 112min
de Caetano Veloso
Justificativa
Por fim, Oração tem como referência filme Cinema Falado, realizado por Caetano Veloso onde o músico e cineasta. Nele o artista constrói um filme-ensaio por meio de um mosaico de cenas e esquetes que contam com declamação de poesia, registros musicais no Rio e na Bahia e diálogos improvisados, elaborando uma narrativa fractal.
