CADERNOS DE ARTISTA
Trilogia das Plantas
2026, RJ
Cinemateca Capitólio
+ Instituto Remanso
TRILOGIA DAS PLANTAS
A “TRILOGIA DAS PLANTAS” é uma co-criação entre o artista visual Denilson Baniwa e o cineasta Felipe M. Bragança. Misturando ficção especulativa e cosmogonias do povo Baniwa, propõe uma imersão visual em que existências e vozes não humanas estão no centro de uma reflexão renovada sobre a idéia de fim de mundo e apocalipse.
PARTE 1 – “DESPERTAR (DAS PLANTAS)” – Uma mulher sonha, uma floresta chama. Uma mulher está prestes a despertar.
- Projeção em Loop | disponível de 26/06 a 05/07 no Instituto Remanso | de terça a sexta, das 9h às 17h (quinta até 21h) e sábado e domingo das 13h às 18h
PARTE 2 – “FLORESTA DO FIM DO MUNDO” – Iracema, uma mulher indígena, divide seus dias entre o trabalho em uma central de reciclagem e sonhos em que se comunica com a voz impaciente de uma floresta.
- Exibição em 26/06 | 15h – Cinemateca Capitólio
PARTE 3 – “O JARDIM” – Uma revolta vegetal toma o mundo que conhecemos enquanto os sonhos de uma mulher se tornam realidade.
- Vídeo para 3 canais | disponível de 26/06 a 05/07 no Instituto Remanso | de terça a sexta, das 9h às 17h (quinta até 21h) e sábado e domingo das 13h às 18h
Ficha técnica
Direção: Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança
Roteiro: Felipe M. Bragança
Produção: Denilson Baniwa e Duas Mariola Filmes
Produção Executiva: Rafael Teixeira, Rafaela Campos e Marina Meliande
Direção de Fotografia: Guilherme Tostes
Direção de arte: Denilson Baniwa
Som direto: Anne Santos
Desenho de Som: Edson Secco
Montagem: Lobo Mauro e Felipe M. Bragança
Elenco: Iracema Pankararu, Ítalo Martins,Ywyzar Tentehar
Música Original: Brisa Flow
Festivais, Mostras e Prêmios
A GENTIL CARIOCA – RIO DE JANEIRO
A GENTIL CARIOCA – SÃO PAULO
FESTIVAL DE BERLIN 2026
CINELATINO TOULOUSE 2026
INT. SHORT FILM FESTIVAL DRESDEN
BIOGRAFIA DE ARTISTA
Felipe M. Bragança é um cineasta carioca, criado entre a Baixa Fluminense e o centro do Rio de Janeiro. Sua obra está profundamente enraizada na cultura e na memória histórica brasileiras, explorando suas múltiplas camadas por meio de uma forma singular de realismo mágico. Seus filmes foram exibidos em festivais como Berlinale, Cannes, Rotterdam, Locarno e Sundance. Retrospectivas de sua obra foram realizadas no Jeu de Paume (Paris), no California Institute of the Arts e no Arsenal Institute Berlin. Bragança está atualmente desenvolvendo uma nova adaptação do clássico modernista brasileiro “Macunaíma”, de Mário de Andrade, dirigindo ao lado de multiartista indígena Zahy Tentehar.
FILMOGRAFIA
Longas-metragens:
Uma Baleia Pode Ser Dilacerada Como uma Escola de Samba (70 min / 2025)
Um Animal Amarelo (115 min /2020)
Não Devore Meu Coração (106 min / 2017)
A Alegria (100 min / 2010) — Codirigido com Marina Meliande.
A Fuga da Mulher Gorila (82 min / 2009) — Codirigido com Marina Meliande.
Médias e Curtas-metragens:
ZIZI (30 min / 2025)
Tragam-me a Cabeça de Carmen M. ( 60 min / 2019) — Codirigido com Catarina Wallenstein.
Escape From My Eyes (33 min / 2015)
Fernando que ganhou um pássaro do mar (15 min / 2013) — Codirigido com Helvécio Marins Jr..
Zahy – uma fábula do Maracanã (5 min / 2012) — Diretor.
Por dentro de uma gota d’água (2003) — Codirigido com Marina Meliande.
BIOGRAFIA DE ARTISTA
Denilson Baniwa é amazônida de origem na nação Baniwa, tem como base de trabalho a pesquisa sobre aparecimentos e desaparecimentos de indígenas na História Oficial do Brasil, ao mesmo tempo em que busca nas cosmologias indígenas e suas representações artísticas um possível método de compartilhar conhecimentos ancestrais e ao mesmo tempo criar um banco de dados com essas cosmologias como modo de salvaguardá-las.
Participou de exposições no CCBB, Pinacoteca de São Paulo, CCSP, Centro de Artes Helio Oiticica, Museu Afro Brasil, MASP, MAR, Museu do Amanhã, Bienal de Sidney, Bienal de São Paulo, Getty Museum em Los Angeles, Museo Amparo no Mexico, Inhotim, dentre outros.
Em 2024 foi um dos curadores do Pavilhão Brasileiro na Bienal de Veneza.
Primeiro Filme
UMA BREVE NOTA SOBRE “A TRILOGIA DAS PLANTAS”
Por Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa
Rio de Janeiro, Fevereiro de 2026
Escutar outras possibilidades do tempo e da vida. Não para nos salvar, mas porque é inevitável. Essa é a nossa premissa, o nosso principal gesto aqui. O que estamos tentando fazer.
A TRILOGIA DAS PLANTAS nasceu de um sonho que Denilson Baniwa recordou durante uma conversa numa tarde quente de verão no Rio. Um sonho que girava em torno da ideia de uma pessoa que não sabia se era humana ou árvore, animal ou planta, que, em seus sonhos, pressentia uma espécie renovada de fim do mundo: Um fim do mundo que vinha das narrativas do povo Baniwa (do noroeste da floresta amazônica): misturando germinação e raiva, frutificação e ruptura. Uma revolução trazida por vozes não verbais, por gestos não mapeados como “linguagem”. Nesse momento, pensando e sentindo essas idéias, a obra do filósofo e amigo italiano Emanuele Coccia emergiu na conversa como um guia que nos ajudaria a intuir a estrutura desta pequena trilogia formada por 3 expressões de um mesmo sentimento:
A Parte 1, DESPERTAR, é uma video-performance de 10 minutos onde vemos uma entidade artística e vegetal evocando, de alguma forma, a presença onírica de uma mulher em uma rede. Desse sonho pictórico surge a sensação do despertar da ruptura que estaria por vir.
A Parte 2, FLORESTA DO FIM DO MUNDO, um curta-metragem para salas de cinemas com 25 minutos duração – que foi parte da programação do Forum Expanded da BERLINALE 2026 – é a ponte afetiva e simbólica que conecta o lugar do sonho e a da revolução (a Parte 1 e a Parte 3) – em uma estrutura cíclica onde a iminência de um desfecho transformador reside no subtexto, nos pequenos desvios, nas danças
interrompidas, dos afetos à deriva nos arredores de uma grande cidade brasileira.
Parte 3, O JARDIM, é uma videoinstalação para 3 monitores que mergulha nas imagens
de um apocalipse vegetal, uma revolução das plantas, que tomaria a hegemonia sobre as narrativas do planeta das mãos dos animais (incluindo os animais humanos) – misturando cenas com atores, desenhos de Denilson Baniwa, uma conversa com o filósofo Emanuele Coccia e criações em IA. Buscando expressar o caos e o entusiasmo desse momento de iminente ruptura.
Assim, a TRILOGIA DAS PLANTAS é um retrato fragmentado de 3 momentos de uma de uma revolução imaginada, enraizada em elementos que se desviam das imagens hegemônicas da humanidade como centro das narrativas planetárias. Nessa revolta não-humana, primeiro vem o sonho, depois o abandono do mundo, depois sua reinvenção.
Removendo a ideia da natureza (ou do mundo vegetal) como sujeitos passivos diante da história. Esta floresta – que aqui encontramos – deseja, quer, busca, sonha e anseia. Como todas as formas de vida.
IMAGENS DE PROCESSO
ENTREVISTAS, CONVERSAS E MATERIAIS DISPONÍVEIS
Entrevista com Felipe M. Bragança na Berlinale
Vídeo por Lucas Pistilli
Filmes de Felipe M. Bragança disponíveis gratuitamente
Plataforma Embaúba Play
A Brief Note on “The Plants Trilogy”
Forum & Forum Expanded | Arsenal FilmInstitut
OBRAS DE REFERÊNCIA
Discografia de artista Brisa Flow
Artista indígena, voz combativa e criadora feminista. Brisa Flow é autora da trilha original da parte 2 da trilogia (o curta FLORESTA DO FIM DO MUNDO). Traz em sua presença musical e em palco a força de uma proposta de reinvenção do mundo a partir de um futurismo que tem como centralidade o estar feminino no mundo e sua força de transformação. Essa energia influenciou muito o tom e o conceito de nossa trilogia.
A Vida das Plantas – Uma Metafísica da Mistura
2018, Livro
de Emanuele Coccia
A obra do filósofo italiano Emanuele Coccia foi central no processo de criaçção da TRILOGIA DAS PLANTAS pela inventiva inversão que ele propõe ao colocar o pensamento vegetal e o modo de existência das plantas como ponto central para a abertura de uma reflexão sobre possível novas formas de vida que poderão surgir dessa imensa crise de identidade que a velha idéia de uma humanidade racional eurocentrada está passando.
IDÉIAS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO
2023, entrevista
de Ailton Krenak
Ailton Krenak é nome incontornável para entender, pensar e repensar o mundo em que vivemos e aquele em que podemos tentar viver. Pensar o “fim do mundo” para além dos alarmismos neocoloniais e entender os muitos fins de mundo pelos quais já passamos enquanto sociedade. E assim, entender os fins que podemos e queremos buscar para inventar novas formas de vida..
