MOSTRA COMPETITIVA BRASIL
“O presente sem sonhos não produz nada novo. Falta-lhe a paixão pelo novo, pelo possível, pelo recomeço. Sem futuro, a paixão não é possível. O presente reduzido a si mesmo, sem nenhum amanhã, sem nenhum futuro, não é a temporalidade da ação resoluta a ter a um novo começo. Pelo contrário, ela se degrada em mera otimização do já dado, até mesmo do falsamente presente. Sem nenhum horizonte significativo, nenhuma ação é possível. Felicidade, liberdade, sabedoria, amor humano, amizade, humanidade ou solidariedade, que Camus invoca incansavelmente, formam um horizonte de sentido que confere à ação um propósito, uma orientação. Eles são marcos miliários da esperança ativa. Do contrário, como poderíamos entender aquela “lealdade à luz”, na qual “nasci e na qual, por milênios, as pessoas aprenderam a dizer ‘sim’ à vida em meio a suas aflições”? A luz incide sempre de cima.”
HAN, Byung-Chul. O espírito da esperança: contra a sociedade do medo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2024.
Cinema, audiovisual, videoarte, ou no caso do Cine Esquema Novo, Arte Audiovisual, são termos usados para se referir a imagens em movimento, organizadas temporalmente, tendo a luz como um dos seus elementos primordiais de existência. Necessária desde a captação até o desenvolvimento de uma imagem virtual, real, animada ou apropriada de um outro tempo e revelada no presente, a luz, mais do que uma condição técnica, é linguagem. Ela expõe o invisível e o que escapa, ela desloca a camada mais íntima para a dimensão universal e recai sobre o desejo de compartilhar prospecções sobre o agora.
Para a Mostra Competitiva Brasil da 16ª edição do Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira, esta luz se constrói de forma fragmentada, não linear, mas sempre pulsante, vívida, incidindo sobre narrativas que exploram cruzamentos entre realidade e fabulação, que embasam a memória como premissa para o futuro, seja ela política, ancestral ou afetiva. Narrativas que reposicionam apagamentos identitários, territoriais, históricos, e que ordenam o mundo numa lógica humanista. São focos distintos, constelações peculiares, que se tangenciam através do posicionamento autoral, da invenção no diálogo com o presente, da projeção de futuros possíveis (desejáveis ou não) e também do risco, sempre necessário, para gerar deslocamentos, saltos ou abismos.
Criar uma obra audiovisual, seja através de aparatos tecnológicos atuais ou obsoletos, é eleger sobre quem ou o quê a luz incide, o que fica dentro do quadro e, em contrapartida, o que fica nas sombras ou mesmo na imaginação.
Partindo deste pensamento, nós, curadores, trouxemos à luz 36 obras para compor a Mostra Competitiva Brasil e dentro deste recorte também propusemos aos artistas de algumas destas obras, que estas sejam apresentadas ao público em espaços expositivos, como vídeo-instalações. Afinal, a partir do envolvimento com mais de 800 filmes, acabamos por nos deter em quem irradiou o horizonte pouco iluminado, quem tirou da sombra a vontade de refletir sobre os prazeres e as consequências de existir na contemporaneidade e, principalmente, quem nos tocou profundamente enquanto manifestação autêntica de uma experiência que passa a existir no campo do visível, agora compartilhada pela luz.
Desde a sua primeira edição, o CineEsquemaNovo, mais do que um evento com as portas abertas para a ousadia e a experimentação, é momento de celebrar a experiência coletiva, os encontros e reencontros, as trocas e os afetos que reafirmam a vontade de continuarmos neste caminho, juntando afins, expandindo cada vez mais as possibilidades de ver e de fazer audiovisual, desejando que a luz, mesmo após os créditos finais, permaneça pulsante em outros tempos e espaços.
Curadores da Mostra Competitiva Brasil
De 26/06 a 01/07 na Cinemateca Capitólio
De 26/06 a 05/07 no Instituto Remanso e na Galeria Sotero Cosme/MACRS (CCMQ)
A Mostra Competitiva Brasil da 16ª edição do Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira será avaliada por um júri formado pelo artista e curador André Severo, pela historiadora, crítica e programadora Lorenna Rocha e pelo ator, diretor e roteirista Victor Di Marco. Reunindo experiências nos campos das artes visuais, da crítica e programação cinematográfica e da realização audiovisual, o trio traz ao festival perspectivas complementares sobre a produção contemporânea brasileira.
O júri concederá o Grande Prêmio Cine Esquema Novo à obra considerada de maior destaque da competição. O filme vencedor receberá um prêmio de R$ 5.000,00.
Além do Grande Prêmio, o júri terá autonomia para distinguir outras cinco obras da Mostra Competitiva Brasil, criando livremente categorias de premiação a partir dos aspectos artísticos, estéticos, conceituais ou técnicos que considerar mais relevantes. Com essa proposta, o Cine Esquema Novo reafirma sua vocação para estimular leituras singulares das obras em competição, valorizando a diversidade de linguagens, pesquisas e modos de criação que atravessam o audiovisual brasileiro contemporâneo.
Júri de Premiação
André Severo nasceu em Porto Alegre, RS, em 1974. É artista, curador, produtor e gestor cultural. Mestre em poéticas visuais pela UFRGS, produziu projetos como Areal, Lomba Alta e Dois Vazios. Realizou mais de uma dezena de filmes e instalações audiovisuais e publicou, entre outros, os livros Consciência errante, Soma e Deriva de sentidos. Foi curador associado da 30ª Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas e co-curador da representação brasileira na 55ª Bienal de Veneza. Entre 2018 e 2019, ao lado de Marília Panitz, realizou 100 anos de Athos Bulcão CCBB Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2021, juntamente com Paulo Herkenhoff, realizou Arquiperiscópio, exposição individual com caráter retrospectivo que ocupou os quatro andares do Oi Futuro no Rio de Janeiro. Foi diretor artístico da Bienal do Mercosul entre os anos de 2016 e 2018 e diretor do Farol Santander Porto Alegre entre 2019 e 2023. Entre suas principais premiações destacam-se o Programa Petrobrás Artes Visuais – ano 2001; o Prêmio Funarte Conexões Artes Visuais, 2007; o Projeto Arte e Patrimônio 2007; o Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 2009; o V Prêmio Açorianos de Artes Plásticas; o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça – 6ª Edição; o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2014, em 2014; o XV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2015; e o Prêmio Sérgio Milliet da ABCA pelo livro Artes Visuais – Ensaios Brasileiros Contemporâneos.
Lorenna Rocha é historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema. Mestre em Comunicação (UFPE). Cofundadora da Plataforma INDETERMINAÇÕES, onde desenvolve projetos que unem práticas de pesquisa, publicação, programação, difusão e preservação audiovisual. Editora-chefe da revista câmarescura. Participou de programas de formação como Talent Press (Berlim, 2023) e RAW/Arché (Portugal, Trujillo e Madrid, 2024). Fez parte da curadoria de festivais como Janela Internacional de Cinema do Recife e Festival Internacional de Curtas-metragens de Belo Horizonte. Desde 2024, integra a equipe de programação de curtas-metragens da Mostra de Cinema de Tiradentes.
Victor Di Marco é ator, diretor e roteirista. Entre seus filmes se destacam: “O que Pode um Corpo?” (2020), “Possa Poder” (2022) e “ZAGÊRO” (2024) que juntos, conquistaram mais de 50 prêmios do Júri Oficial, da Crítica e do Público, entre eles: duas vezes o Grande Prêmio Canal Brasil, Melhor Direção no Mix Brasil e 6 prêmios de Melhor Ator, em que, se destacam duas vezes no Festival de Cinema de Gramado (2022, 2024) em que Victor foi o primeiro ator com deficiência a receber este prêmio. Atualmente, está na distribuição do seu primeiro longa-metragem, “LONDON“, que será distribuído pela Retrato Filmes. Victor já integrou júris, curadorias de festivais como Kinoforum, MixBrasil, FRAPA e é um expoente no cinema DEF no Brasil.
Confira a seguir os Cadernos de Artista:
Entre com o Nome do Filme ou Diretor ou navegue pela galeria.

Glênio Póvoas e Luiz Alberto Cassol
2025
13 min
Rio Grande do Sul (RS)

Diego Paulino
2026
26 min
São Paulo (SP)

Pedro Diogenes
2026
1h10min
Ceará (CE)

Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara Dos Santos, Pérolla Negra e Samantha de Araújo
2025
13 min
Alagoas (AL)

Luiz Pretti
2026
63min
Minas Gerais (MG)

Priscyla Bettim e Renato Coelho
2026
76 min
São Paulo (SP)

Vane Vane
2026
10 min
São Paulo (SP)

Priscila Smiths
2026
20 min
Ceará (CE)

Luma Flôres
2025
8min
BA

Weyna Macedo, Lucas Parente, Adeciany Castro e Mariana Smith
2025
11 min
Ceará (CE)

Lia Letícia e Pedro Severien
2026
20 min
Pernambuco (PB)

Gustavo de Mattos Jahn
2025
17 min
Santa Catarina (SC)
